Contando Histórias

13.03.2018

Escola Graciliano Ramos 50 anos: entrevista com professor João Bosco Zimermann e Terezinha Zimermann

Em comemoração aos 50 anos da fundação da Escola Estadual Graciliano Ramos – Ensino Fundamental Séries Finais - de Santa Helena, que ocorrerá no mês de março de 2019, estamos realizando entrevistas com personagens que trabalharam nesta escola: ex-diretores, professores/funcionários aposentados, como forma de homenageá-los pelos serviços prestados à mencionada instituição de ensino.

Confira abaixo os depoimentos dos professores João Bosco Zimermann e Terezinha Zimermann, coletados através de entrevista pelo professor João Rosa Correia.

Quinta-feira, 14 de setembro de 2017, eu, Professor João Rosa Correia, entrevistei os professores João Bosco Zimermann e Terezinha Zimermann na residência do casal à Rua Minas Gerais nº 1641 (área central de Santa Helena). Professor João Bosco relatou que nasceu em 03 de agosto de 1947 no município de Antônio Carlos SC e Terezinha em 28 de dezembro de 1949, no mesmo município catarinense. Ambos são de origem alemã.

João Bosco/Terezinha casaram no civil dia 10 de janeiro de 1974 e em 10 de fevereiro de 1974 realizaram o enlace matrimonial católico em Barreiros, bairro da capital Florianópolis SC. O casal teve 04 filhos: Mauri e Magali (biológicos) e dois adotivos Maurício e Mayara.

Professor João Bosco graduou pela Faculdade de Educação Musical – Curso de Educação Artística em 10 de janeiro de 1979 na capital do Paraná/Curitiba. Terezinha Zimermann, Estudos Sociais/História na Universidade Federal de Curitiba em 15 de junho de 1979.

Santa Helena

Comentou João Bosco que ele e a família vieram para Santa Helena no ano de 1980 pois, mesmo graduado em Artes, encontrava dificuldade para conseguir aulas nas escolas do Ensino Fundamental e Médio de Curitiba, na área de sua formação. Segundo o educador, isto ocorria em decorrência do enorme contingente de estudantes que anualmente conseguiam diploma Universitário em Educação Artística (Música) na capital paranaense. Destes formandos, inúmeros procuravam vagas de trabalho no setor de Artes nas instituições de ensino da citada cidade o que dificultava o acesso ao trabalho aos profissionais em início de carreira. Acrescentava-se a esta problemática, os constantes internamentos hospitalares da filha Magali, por questões respiratórias, em razão do clima frio da capital do Paraná. O médico que atendia Magali alertava João Bosco/Terezinha que a melhora da saúde da criança somente seria possível se procurassem residir numa região de temperatura média, mais elevada em relação à Curitiba. Preocupados com a saúde de Magali, passam a almejar sair de Curitiba, mas para onde ir?

Irmã Ancila, tia do Prof. João Bosco, que morava em Santa Helena Paraná (clima quente em relação a Curitiba) ao saber do interesse de seus parentes em deixar Curitiba, passou a incentivá-los a virem residir no município de Santa Helena. A religiosa trabalhava na pastoral da Igreja Matriz Católica Santo Antônio e mantinha contatos religiosos com a então primeira dama de Santa Helena Sra. Tereza Prates, o que possibilitou Ancila ficar sabendo do interesse do prefeito de Santa Helena Naude Pedro Prates em implantar na sua gestão política/administrativa projeto de música com o objetivo de incentivar os munícipes santa-helenenses a desenvolver o gosto pela cultura musical.  Entretanto, para concretizar o sonho de Naude Prates faltava o profissional de música. Irmã Ancila, em contato com o prefeito Naude, apresentou a este, o nome do sobrinho e Professor de Música João Bosco. Por se tratar da Irmã Ancila, Naude aceita a indicação do nome sugerido e imediatamente João Bosco/Terezinha vêm à Santa Helena.

Conforme o exposto, ao chegar no município (1980), Prof. Bosco foi contratado pelo prefeito Naude Prates e passou a trabalhar com Música como havia acertado previamente, além disso, o gestor público nomearia responsável pelo Departamento de Cultura de Santa Helena. O primeiro passo da municipalidade foi adquirir piano, acordeom e violão para que o Prof. Bosco iniciasse o ensino de música àqueles interessados em aprender a tocar esses instrumentos musicais. Relembra Professor Bosco, que o local disponibilizado a ele para realizar seu trabalho ficava na atual Escola Municipal Professora Inês Mocellin, no Bairro São Luis (na época recebia o nome de Escola Bremen). A escola era desprovida de energia elétrica, o que dificultava os trabalhos naquele espaço. Porém, mesmo diante dos desafios iniciais, ressalta o professor João Bosco que houve uma procura significativa de pessoas interessadas em aprender sobre música.

No transcorrer das aulas os alunos aprendiam a respeito das notas musicais, bem como, manusear os instrumentos musicais (acordeom, piano, violão). Concomitantemente ao ensino da Música, Prof. João Bosco ministrava aulas teóricas de Artes na Escola Municipal Bremen (1ª a 4ª Série). Assim que os alunos conseguiram aprender os acordes musicais, Professor João Bosco organizou a Banda Musical tendo como integrantes os seus educandos. A partir desse momento, quando ocorriam festividades em Santa Helena, os organizadores dos eventos convidavam o Professor João Bosco e a Banda para animarem o encontro festivo. Sempre que possível marcava presença nestes encontros, porque representava excelente oportunidade para demonstrar à sociedade santa-helenense o potencial dos alunos na aprendizagem musical, apontou Bosco. Entusiasta e incentivador da arte musical, Prof. João Bosco na década de 1980 projetou e desenvolveu por três anos consecutivos o festival de música intitulado “Prata da Casa”. Afirma Professor João Bosco que este festival oportunizou inúmeros santa-helenenses a exposição pública de seus talentos musicais até então adormecidos e/ou no anonimato. Podiam participar desse festival, estudantes das escolas de Santa Helena e demais pessoas da comunidade santa-helenense. As apresentações ocorriam no C.T.G. – Centro de Tradição Gaúcha que ficava nos fundos da atual Escola CESA – Centro Educacional Santo Antônio e Detran. Segundo Professor João Bosco, a sociedade santa-helenense participava maciçamente no evento, seja, tocando instrumentos musicais e cantando ou na condição de espectadores dos artistas do festival.

Professor João Bosco também comentou que o Padre Valdir Valentin (Igreja Católico Santo Antônio) homenageava os sulistas de Santa Helena no mês de setembro (Semana Farroupilha) com a Missa Crioula. Padre Valdir recebia o apoio do Sr. Pirulito, encarregado dos ensaios das atividades que caracterizava a Missa Crioula. Ao saber da organização e funcionamento desta Missa, Prof. João Bosco percebeu que poderia enriquecê-la em alguns aspectos. Entrou em contato com o Padre Valentin no qual ouviu e aceitou as propostas de adaptações apresentadas por João Bosco. Um dos atos foi formar um Coral que recebeu o nome de “Coral das Águas”. Os integrantes deveriam participar na Missa Crioula e/ou em qualquer outra apresentação do Coral desde que fosse pilchados, ou seja: homens: de bombacha, camisa de manga longa, botas, lenço no pescoço; as mulheres: vestido preguiado, entre outras indumentárias da tradição gaúcha.  Rapidamente o Coral das Águas alcançou enorme sucesso entre os santa-helenenses em razão das animadas e belas apresentações que realizavam nos eventos que se faziam presentes. Por conta disso, a fama do Coral extrapolou os limites do município de Santa Helena.

Personificado na pessoa do Professor João Bosco, coordenadores de Departamentos de Cultura de Matelândia, Missal, São Miguel do Iguaçu, Entre Rios do Oeste, entre outros passaram a convidar o “Coral das Águas” para apresentar nos eventos sociais por eles programados. O Coral das Águas ao apresentar nos referidos municípios conseguiu também angariar admiração das pessoas os assistiam. O carinho e o respeito que o Coral conquistou por onde passara, quer crer o Professor João Bosco devia ser pela simplicidade dos envolvidos no Coral, aliada a dedicação, destreza e paixão pelo que faziam. Nas músicas que cantavam durante as apresentações do Coral das Águas predominavam as de caráter regionalista gaúcho. Professor Bosco lembrou dos nomes de alguns integrantes do Coral: João Finkler, Aldair Arnold, Jurandir Maule e Norma Fiorin.

Após a transferência do Padre Valentin da Igreja Católica de Santa Helena para outro município, o Coral deixou de existir, pois o religioso era um dos principais incentivadores deste tipo de organização musical. Ao continuar com seus relatos, Professor João Bosco disse que conheceu o senhor Gewehr de descendência alemã, que residia na localidade de Sol de Maio, interior do município de Santa Helena. Gewehr era uma pessoa ligada à musicalidade. Proprietário de uma Banda Musical e com apoio dos quatro filhos também músicos, Gewehr animava as festas dos santa-helenenses, tocando e cantando músicas alemãs e gauchescas. Os instrumentos musicais que compunham a Banda eram basicamente clarinetes e pistões, importados da Alemanha, afirmou o Sr. Gewehr ao Prof. Bosco, o que atraiu sua atenção. A localidade de Sol de Maio que ficava à margem do Rio Paraná foi submersa (outubro de 1982) pelas águas do Lago de Itaipu, motivo pelo qual a família Gewehr foi obrigada a procurar outro local para residir. Diante desta situação transferiram residência para o município de Diamante do Oeste. Retornado ao contexto político/administrativo de Santa Helena.

Se faz necessário ressaltar que a partir de 1984 tem um acirramento de lutas políticas no país para por fim ao regime civil/militar que desde março de 1964 administrava o Estado Brasileiro. Determinados seguimentos da sociedade brasileira buscavam nas lutas políticas redemocratizar o país e, com isto, o direito de escolher os governantes através do voto direto e secreto. Após o encerramento do domínio civil/militar na política nacional brasileira no ano de 1985, Naude Prates que fora nomeado prefeito de Santa Helena pelos militares no ano 1979, por força de Lei Federal, deixou de administrar os desígnios do município. Vale lembrar e destacar que o município de Santa Helena entre 1972 a 1985 esteve sob o controle dos militares por ser considerado área de segurança nacional, por isso, os santa-helenenses ficaram proibidos de votar para a escolha do prefeito durante o espaço de tempo acima referenciado.

Após o afastamento de Naude Prates da administração municipal, assumiu interinamente o comando do município o então Presidente da Câmara Municipal Antônio de Oliveira (in memoriam). Esta medida política/administrativa permaneceu até a eleição do prefeito (voto popular) no final do ano de 1985.  Nestas eleições, foi eleito prefeito de Santa Helena Sr. Júlio Morandi. De acordo com o Prof. João Bosco, estes imbróglios políticos fizeram com que o Departamento de Cultura de Santa Helena entrasse num período de dormência/decadência. Esses percalços políticos forçaram o Professor João Bosco afastar-se momentaneamente do Departamento de Cultura do município.

Escola Graciliano Ramos

Na sequência desta decisão (1984), Prof. João Bosco recebeu convite da Secretaria de Estado da Educação do Paraná (SEED) para assumir a direção da Escola Estadual Graciliano Ramos. Empossado diretor da Escola Graciliano Ramos, convidou para ser vice-diretor Professor Henore Candiago (Geografia) e a Professora Lorena (Matemática-in memoriam) para ser a secretaria da escola. Professor João Bosco foi diretor da Escola Estadual Graciliano Ramos em duas oportunidades: 1984 a 1987; 1990 a 1995. Nestes períodos que conduziu os destinos políticos/pedagógicos da Escola, conseguiu implementar algumas reformas e ampliações na infraestrutura da instituição de ensino. A melhoria de maior destaque em sua gestão escolar foi realizar a construção no pátio da escola do miniginásio esportivo (1994), que facilitou a dinamização da prática esportiva entre os estudantes, festas juninas, cerimonial de formatura dos estudantes dos 9º anos, cultos religiosos, apresentações teatrais, reuniões com os pais dos estudantes para tratar de assuntos de interesses dos filhos, entre outros eventos.

A concretização deste empreendimento só foi possível porque houve parceria entre governo estadual do Paraná e prefeitura municipal de Santa Helena. Quanto às questões pedagógicas, Professor João Bosco disse que durante os anos que administrou a escola Graciliano Ramos, procurou conciliar a aplicabilidade das propostas pedagógicas da SEED - Secretaria de Estado da Educação do Paraná com os anseios educacionais de professores, funcionários, estudantes e pais de estudantes. Ao se deparar com algum atrito no ambiente escolar, independente da motivação, procurava resolver através do diálogo e na paciência, até porque, estes princípios são as melhores “armas” daqueles que trabalham com educação, aponta Bosco.

Professor João Bosco aposentou-se em 2001. Desde então segue administrando a vida com a consciência do dever cumprido tanto na Educação Pública Estadual, quanto no Departamento de Cultura de Santa Helena.

Colégio Castelo Branco

Também dirigiu o Colégio Estadual Humberto Alencar Castelo Branco Ensino Médio e o CEEBJA – Centro Estadual de Educação Básica Para Jovens e Adultos. Salientou Bosco que as vezes em que foi diretor de escolas públicas estaduais de Santa Helena foi por indicação política. Nenhuma vez pelo voto secreto de alunos, pais de estudantes, professores e funcionários das instituições de ensino que administrou. Professor João Bosco, lecionou Educação Artística (atualmente a nomenclatura é Artes) nas Escolas Estaduais: Graciliano Ramos e Castelo Branco. Obs. Por falta de professores com formação especifica em Inglês e Biologia ministrou aulas destas disciplinas no Colégio Castelo Branco (Santa Helena).

A música

Pela formação profissional e forte afinidade com a música, Professor João Bosco fez questão de dizer que nunca desistiu de trabalhar no setor musical mesmo quando estava lecionando Educação Artística ou administrando escola pública em Santa Helena. Este apreço pela música lhe encorajou a buscar parcerias com os prefeitos de Santa Helena (pós redemocratização/1985) na tentativa de continuar o processo de valorização e incentivo à cultura musical como acontecia anteriormente, enfatiza Bosco. É importante frisar que são trinta e oito anos que o Professor João Bosco reside em Santa Helena, todos dedicados entre educação escolar e à cultura musical em prol da sociedade santa-helenense. Esse desprendimento à cultura os tornou referência no município. Ao reportar sobre o Professor João Bosco, de imediato vem à mente das pessoas, os desfiles cívicos alusivo a Independência do Brasil (7 de setembro). De olhar sereno, mas firme e preciso na condução e organização da Fanfarra da Escola Graciliano Ramos, bem como da Fanfarra Municipal.

Professor João Bosco participou também de um projeto do governo do Paraná Jaime Lerner (década de 1990) intitulado Vale Saber. Este projeto visava incentivar e dinamizar diversas atividades culturais nas escolas do Paraná, mas que foi desativado logo depois de ser implantado nas instituições públicas de ensino do Estado.  

Segundo o Professor João Bosco, dentre os prefeitos eleitos de Santa Helena, Silom Schimidt foi o que mais apoiou e incentivou a cultura no município. Assegurou ao Professor Bosco condições financeiras e humanas para a formação e implementação das atividades culturais do Grupo Musical Uirapuru e a Banda Marcial. Por onde apresentavam as canções, em especial, do folclore brasileiro, seja nas escolas de Santa Helena e/ou em outros eventos sociais do município, o público presente ficava encantado com tamanha desenvoltura dos integrantes dos grupos musicais. Fato que despertou e motivou enorme interesse de crianças, adolescente e jovens santa-helenenses, a fazerem parte do Grupo Musical Uirapuru e Banda Marcial. Por isso o Grupo Uirapuru chegou a contar com 60 integrantes (crianças, adolescentes e jovens) e a Banda Marcial com 44 jovens do município, onde aprendiam tocar flauta, lira e instrumentos de percussão. Pelo comprometimento e harmonia musical que desempenhavam os participantes do Grupo Uirapuru e a Banda Marcial, os tornaram simpáticos aos olhos da sociedade de Santa Helena.

Relembra o Professor João Bosco que durante quatro anos o Grupo Uirapuru e Banda Marcial, estiveram em franco crescimento e passaram a ser requisitados para apresentar nos eventos sociais de outros municípios do Oeste do Paraná.

Ao recordar esses agradáveis momentos da vida profissional, Professor Bosco sente-se feliz porque acredita que tenha contribuído com o enobrecimento cultural dos santa-helenenses. No entendimento de João Bosco, as décadas de 1990 e 2000 foram profícuas para o enriquecimento cultural dos povos de Foz do Iguaçu, Matelândia, São Miguel do Iguaçu, Pato Bragado e Entre Rios do Oeste. Isso somente foi possível pelo irrestrito apoio dos gestores públicos aos grupos musicais, o que determinou na valorização da cultura dos citados municípios. Entretanto nem todos os administradores públicos compactuam com a ideia de que é necessário incentivar permanentemente a cultura entre as pessoas que integram uma sociedade. Isto ocorre por não entender ou não querer entender o devido valor material e imaterial que a cultura representa para um povo, aponta Bosco. Nota-se nitidamente que nos últimos anos, os grupos musicais que estavam em franca expansão e crescimento em Santa Helena e demais municípios do Oeste do Paraná estão sendo abandonados, o que representará o aniquilamento dos grupos musicais, que num passado recente eram o orgulho dos munícipes.

Atualmente são poucos municípios do oeste paranaense que ainda mantém em funcionamento as bandas e os grupos musicais, lamenta Prof. Bosco. E acrescenta, “nossos governantes não valoriza a cultura à altura que ela merece. Até que persistir a visão de que investir em cultura é desperdiçar dinheiro, a sociedade brasileira se aniquila culturalmente. A partir do instante que o gestor público entender que, cultura requer tempo, continuidade dos trabalhos e dinheiro para executar satisfatoriamente as atividades em curso, obterá os resultados idealizados por aqueles que procuram ensinar, implementar e desenvolver a cultura de um povo”, defende Prof. Bosco.

Fundação Cultural

Sobre cultura em Santa Helena, Professor Bosco, aponta que a solução para uma efetiva e permanente valorização, seria preciso que houvesse uma fundação cultural específica, enxuta e com o apoio da Itaipu Binacional, com menos burocracia e que não dependesse exclusivamente da prefeitura. Atualmente o Professor Bosco está desligado do Departamento de Cultura de Santa Helena mas, quando convidado para integrar uma mesa de jurados nos eventos sociais do município, procura marcar presença. Outra atividade que o Professor João Bosco/Terezinha Zimermann comandam há vários anos é o Centro Espírita, localizado no pátio da residência dos educadores em Santa Helena.

Preocupado com o bom funcionamento e o visual da Fanfarra da Escola Estadual Graciliano Ramos, Professor João Bosco voluntariamente restaurou-a nos meses de julho e agosto de 2017. Além da restauração dos instrumentos da Fanfarra, auxiliou a Professora Graciele (Artes) nos ensaios dos estudantes e na apresentação da fanfarra do Graciliano Ramos no desfile cívico de Sete de Setembro (2017) que ocorreu na Avenida Brasil de Santa Helena, PR.

DOPS

Professora Terezinha Schmitz Zimermann, graduou em Estudos Sociais - Geografia/História - no dia 15 de agosto de 1979, pela Universidade Federal do Paraná/Curitiba. A educadora Terezinha disse que para cursar História teve que apresentar na Universidade a negativa da Polícia Civil como prova de não estar fichada no DOPS – Departamento de Ordem Política e Social - criado para manter o controle do cidadão e vigiar as manifestações políticas na ditadura pós-64 instaurada pelos militares no Brasil. O DOPS perseguia, acima de tudo, as atividades intelectuais, sociais, políticas e partidárias de cunho comunista.

Segundo a Professora Terezinha, no período que estudou na Universidade Federal do Paraná, foram constantes as trocas de professores que lecionavam naquela Universidade. Diversos educadores eram militares oriundos do quartel do exército de Curitiba e tinham que atender os chamados do comando militar quando se fazia necessário, independente se era ou não o dia que teria que lecionar na Universidade.

Ao transferir residência para Santa Helena (1980) e já graduada em História e Geografia (Ensino Fundamental e Médio), Professora Terezinha iniciou ministrando aulas da Língua Portuguesa em 1981 no Colégio Castelo Branco – Ensino Médio. Isto ocorreu pela falta de professores nesta área e porque todas as aulas das disciplinas de sua formação: História/Geografia (Graciliano Ramos/Castelo Branco) já estavam sob a regência dos professores que já vinham administrando-as nos anos anteriores. Nos anos seguintes Professora Terezinha passou lecionar O.S.P.B – Organização Social e Política Brasileira; E.P.B – Estudos dos Problemas Brasileiros; Educação Moral e Cívica, Artística, além de História e Geografia na Escola Est. Graciliano Ramos. No Colégio Castelo Branco ministrou também a disciplina de Iniciação em Administração, uma vez que o Colégio oferecia Ensino Médio em Administração de Empresa a nível técnico. Ainda neste Colégio lecionou História Geral, Geografia Geral e especificamente História e Geografia do Paraná aos estudantes do “antigo” Magistério (nível Médio), hoje a nomenclatura é Formação de Docentes.

Disse Professora Terezinha que lecionou 12 disciplinas diferentes de sua formação profissional aos educandos das escolas públicas do Ensino Fundamental e Médio de Santa Helena. Porém, tem convicção de que não decepcionou seus alunos, pois procurava preparar bem os conteúdos que seriam transmitidos aos educandos. Para isso, recorria a livros de renomados autores a respeito dos assuntos que seriam abordados em sala de aula, assim referencia a educadora.

Professora Terezinha lecionou também História durante sete anos no Supletivo de Santa Helena (hoje CEEBJA – Centro Estadual de Educação Básica Para Jovens e Adultos). Na época que a Professora Terezinha ministrou aulas no Supletivo (CEEBJA) por ser uma modalidade de ensino que atendia basicamente adultos e que estes estavam há muitos anos fora da sala de aula, a maioria apresentavam enorme dificuldade na aprendizagem dos conteúdos, acrescenta-se a isso, traziam para o contexto escolar os problemas sociais que afligiam cotidianamente a vida particular dos estudantes que naquela escola estudavam. A convivência com os alunos do “Supletivo” permitiu à Professora Terezinha concluir que para muitos educandos da citada modalidade de ensino/aprendizagem, os professores representavam alguém que poderiam auxiliá-los na recuperação dos estudos e que isto poderia sinalizar a eles possibilidades de uma vida melhor. Para além disso, ocorria também que alguns alunos do “Supletivo” procuravam confidenciar os dilemas que o atormentava no dia-a-dia. Evidente que procurava expor suas angustias àquele educador(a) que demonstrasse receptividade em ouvi-lo. Terezinha considerava uma Professora receptiva, confiável e confidente, porque, por diversas vezes educandos(as) do “Supletivo” a procuravam para relatar seus problemas. Ficavam na esperança de receber seus conselhos e orientações no intuito que estes pudessem sinalizar possíveis soluções de seus tormentos. Sem medir qualquer esforços, Professora Terezinha atendia-os ouvindo atentamente os relatos de dor e aflição de seus educandos. Por isso, faz questão de dizer que os trabalhos que desenvolveu quando professora no “Supletivo” foi muito gratificante e marcou sua vida para sempre.

No entanto ressaltou Profª Terezinha que trabalhar no ensino fundamental séries finais com crianças e adolescentes (6º ao 9º ano) é bem mais difícil em relação aos estudantes adultos. Isto acontece porque algumas crianças e adolescentes acreditam que nesta fase da vida são livres para fazer o que bem entender e desejar, como exemplo, até desrespeitar os professores e que isto representa para eles algo normal. Outra situação que muito atrapalha a qualidade do ensino/aprendizagem aplicadas pelos professores às crianças/adolescentes está no fato de que ao exigir que os estudantes desenvolvam as atividades escolares com atenção, capricho e determinação, normalmente fazem pouco caso sobre o solicitado, demonstrando falta de comprometimento/responsabilidade nos estudos. O agravante disso é que conduz os professores a um intenso desgaste emocional, o que contribui na deflagração do adoecimento dos educadores, lastima Terezinha. No entanto Profª Terezinha faz a seguinte ressalva ao comentar que ao deparar com ex-alunos que em sala de aula eram indisciplinados, ao encontra-los, quer seja em Santa Helena ou em outros lugares do Brasil, estes têm surpreendido positivamente. Dispensam agradecimentos e gratidão na aquisição dos conhecimentos escolares a eles repassados, bem como dos ensinamentos de como comportar socialmente para melhor viver em sociedade. Com isso, entende a educadora Terezinha, que o respeito e a gratidão ao professor vêm posteriormente, quando os ex-alunos, agora jovens/adultos conseguem entender o valor de um mestre. No entendimento da Professora Terezinha, este é o consolo de quem trabalha na Educação (Magistério) em nível de Ensino fundamental Séries Finais, sinaliza Professora Terezinha.

Mensagem:

Expresso meu respeito, minha admiração e apreço aos Professores: João Bosco/Terezinha, pois, reconheço que ao longo da vida profissional de vocês, não mediram esforços para o enobrecimento cultural da comunidade santa-helenense, em especial dos estudantes das escolas públicas do município de Santa Helena.  E atentos companheiros de profissão, que sabiam relacionar-se amigavelmente no ambiente escolar. Professor João Rosa Correia.




















































































































João Rosa Correia