Internacionais | Exemplo de coragem

Quinta-feira, 07 de Dezembro de 2017

O mochileiro cego e surdo que já visitou mais de 120 países

Tony Giles faz questão de ser um viajante independente: 'Viajo sozinho porque é o maior desafio que eu posso encarar'.

(Foto: BBC)

Deficiente visual e auditivo, o britânico Tony Giles faz questão de ser um viajante independente.

E tem uma meta ambiciosa: visitar todos os países do mundo.

Aos 39 anos, ele já riscou 124 países da lista, com direito a salto de paraquedas na Austrália e voo de asa-delta no Rio de Janeiro.Aventuras de Giles incluem voo de asa-delta sobre a praia de São Conrado, no Rio de Janeiro, em 2004 (Foto: Arquivo pessoal)

(Foto: Arquivo pessoal)

"Viajo sozinho porque é o maior desafio que eu posso encarar", conta Giles, que é completamente cego e tem apenas 20% da audição, em decorrência de problemas genéticos.

Ele explica que ser um viajante independente traz muitas vantagens, como o senso de descoberta e liberdade.

"Se eu viajasse acompanhado, sobretudo por alguém que tenha visão, a pessoa estaria fazendo todo o trabalho, estaria me guiando, e eu não conseguiria tocar e encontrar tantas coisas como eu faço por conta própria", diz Giles.

Aos 39 anos, Giles já visitou 124 países (Foto: BBC)

(Foto: BBC)

Além disso, é uma oportunidade de conhecer outras pessoas.

"Viajando sozinho consigo interagir com mais gente", acrescenta.

Com a ajuda de estranhos

Mas há muitas dificuldades no caminho.

"É preciso ser paciente, você se perde o tempo todo. É muito difícil procurar algo específico quando você não pode ver, porque obviamente você não consegue identificar", afirma.

Giles pega ônibus para visitar o Muro das Lamentações, em Jerusalém (Foto: BBC)

 (Foto: BBC)

"Vão passar umas dez pessoas por você até que alguém pare e pergunte: 'Você está perdido, precisa de ajuda?'. Aí você interage. É como funciona", explica.

E foi assim em Israel, seu destino mais recente. Com o auxílio de pedestres, Giles pegou um ônibus para visitar o Muro das Lamentações, na Cidade Velha de Jerusalém.

"Do ponto de vista histórico e espiritual, vale a pena visitá-lo", recomenda.

'É tudo muito suave', diz ele sobre o Muro das Lamentações (Foto: BBC)

(Foto: BBC)

"Há diversas inscrições nele. São blocos maciços. É tudo muito suave, as texturas, as formas do muro, os tijolos", analisa.

Para Giles, viajar significa usar todos os sentidos do corpo. Em um dos mercados de Jerusalém, ele é atraído pelo aroma dos temperos, a textura dos tecidos e a balbúrdia dos comerciantes.

"Gosto da atmosfera, dos cheiros. É estreito e compacto. Parece muito autêntico", descreve.

Como tudo começou

A paixão por viajar foi despertada em 2000, durante um intercâmbio universitário nos Estados Unidos.

'Parece muito autêntico', afirma Giles em visita a mercado (Foto: BBC)

(Foto: BBC)

"Nova Orleans foi o primeiro lugar que fui sozinho. Estava sozinho em uma cidade estrangeira. Gelei."

"Respirei fundo algumas vezes e disse para mim mesmo: 'É isso o que você quer. Se não quer, vá para casa'", relembra.

Giles não só seguiu em frente, como não parou mais.

Nem mesmo um problema renal detectado em 2002, que o obrigou a se submeter a um transplante de rim em 2008, o impediu de continuar viajando.

Paixão de Giles por viagem começou em 2000, quando ele fez intercâmbio nos Estados Unidos (Foto: BBC)

(Foto: BBC)

Segundo ele, a doença o levou a tomar outra importante decisão ainda em 2002: parar de beber, uma vez que "estava prestes a se tornar um alcoólatra".

Em meio aos problemas de saúde e às viagens, Giles ainda encontrou tempo para se formar em História Americana, com um mestrado em Estudos Transatlânticos.

Em 2010, lançou o livro "Seeing the World My Way" (Vendo o Mundo do Meu Jeito, em tradução livre), no qual narra suas viagens pelo mundo.

Entre as aventuras, estão um voo de asa-delta sobre a praia de São Conrado, no Rio de Janeiro, bungee jumping na Nova Zelândia, escalada de montanhas geladas e salto de paraquedas na Austrália.

"Viajar é mais do que simplesmente ver o cenário bonito ou a paisagem com seus olhos", comenta no livro.

 

Fonte: G1

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