Notícias da Região | Guerra declarada

Quarta-feira, 11 de Janeiro de 2017

Produtores rurais repudiam tema de escola de samba

Produtores rurais do Paraná e de todo o Brasil declaram guerra ao tema carnavalesco da escola de samba carioca Imperatriz Leopoldinense que ataca o agronegócio brasileiro colocando-o como vilão de todos os problemas ambientais no país. O tema “Xingu - o clamor da floresta” foi escolhido pela escola para demonstrar insatisfação com os produtores rurais.

A música faz uma crítica contundente aos donos de terra de todo o país. “O belo monstro rouba as terras dos seus filhos, devora as matas e seca os rios, tanta riqueza que a cobiça destruiu. Sou o filho esquecido do mundo, minha cor é vermelha de dor, o meu canto é bravo e forte, mas é hino de paz e amor”, diz a letra feita pelos escritores Moisés Santiago, Adriano Ganso, Jorge do Finge e Aldir Senna.

Na semana passada, ao tomar posse como secretário de Agricultura de Cascavel, o engenheiro agrônomo Agassis Linhares Neto, também criticou a escola de samba que, segundo ele, tenta colocar em cima da agricultura todos os problemas ambientais do país, principalmente o desmatamento da Amazônia. “Isso é uma distorção muito grande. A gente precisa olhar o benefício que a agricultura traz na parte ambiental para o mundo”, declarou.

Linhares lembrou que há 20 anos quando fazia seu curso de especialização, um professor europeu ficou encantando com a produção agrícola da região e destacou o papel das plantações agrícolas na fotossíntese, a transformação de gás carbônico em oxigênio, mesmo processo feito pelas árvores. “A questão do desmatamento hoje é usada como se fosse o maior problema do mundo. Eu tenho certeza que a agricultura traz a resposta hoje para a nossa cidade. Se os agricultores de uma forma geral diminuíssem sua produção nós teríamos uma crise imensurável”, comentou.

Faep

Na manhã de ontem, a Faep (Federação da Agricultura do Estado do Paraná) também repudiou o tema da escola de samba do Rio de Janeiro. Em nota, a entidade ruralista classificou como “insulto” aos produtores rurais o tema que será levado à Marquês de Sapucaí ao tratá-los como se fossem envenenadores do meio ambiente. A escola deve ter uma ala em que os fazendeiros são acusados de usar agrotóxico, como se fosse uma atividade ilegal e não indispensável para o país produzir 200 milhões de toneladas de grãos. Neste ano, o Brasil deve bater recorde de produção agrícola com 215,3 milhões de toneladas, segundo estimativa do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgada ontem.

“O autor ou autores do enredo certamente são analfabetos em matéria de produção agropecuária, senão não estariam colocando em suas canções tantas bobagens. É lamentável que uma escola de samba como a Imperatriz Leopoldinense, que tantas glórias deu ao nosso samba, se preste a um papel como esse, ignorando a importância dos produtores rurais para a sociedade brasileira, tentando pregar neles a falsa condição de bandidos”, diz a nota da Faep.

O tema escolhido pela Imperatriz é o oposto do que a escola de samba Unidos da Vila Isabel levou ao sambódromo carioca em 2013. O samba enredo da escola teve como tema “Brasil, celeiro do mundo” e enalteceu a produção agrícola. “Preparo o café, pego a viola, parceira de fé, aminho da roça, e semear o grão... Saciar a fome com a plantação. É a lida... Arar e cultivar o solo, ver brotar o velho sonho alimentar o mundo, bem viver a emoção vai florescer”, dizia a letra.

Gazeta do Paraná

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COMENTÁRIOS

... - 11.01.2017 - 13:071
Se não fossemos nos agricultores estariam todos passando fome. Vão cria vergonha na cara, essa merda de carnaval que não traz benefício nenhum
Alguém ir - 11.01.2017 - 12:552
Quem não trabalha e só fica fazendo festa e fácil criticar. O Brasil ainda sobrevive graça ao agronegócio. Se liga genye

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