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Terça-feira, 13 de Março de 2018

Rússia diz que só vai colaborar com investigações sobre ex-espião se tiver acesso ao agente nervoso

A Rússia só irá colaborar com o Reino Unido na investigação sobre o envenenamento de um ex-agente russo e sua filha se receber amostras do agente nervoso que foi usado no incidente, disse o ministro de Relações Exteriores da Rússia nesta terça-feira (13).

Sergey Lavrov fez os comentáios em resposta à solicitação do governo britânico por uma explicação para o uso de um agente supostamente produzido na Rússia no ataque, perpetrado na cidade inglesa de Salisbury.

De acordo com Lavrov, a Rússia teve sua solicitação negada, no que ele classificou como uma violação da Convenção sobre Armas Químicas. Ainda de acordo com o ministro, Moscou está disposta a coperar, mas Londres deve "cumprir suas obrigações internacionais antes de apresentar ultimatos".

Segundo agências internacionais, o embaixador britânico em Moscou foi convocado para dar esclarecimentos sobre o caso.

Nesta segunda-feira (12), a primeira-ministra britânica, Theresa May, disse que o envolvimento da Rússia no envenenamento é "altamente provável", e pediu uma resposta da Rússia até terça-feira.

A premiê Theresa May fala nesta segunda-feira (12) no Parlamento britânico (Foto: PA via AP)

A premiê Theresa May fala nesta segunda-feira (12) no Parlamento britânico (Foto: PA via AP)

Autoridades citadas pela agência Associated Press afirmaram também que May revisa uma série de medidas econômicas e diplomáticas contra a Rússia, no que seria uma retaliação pelo ataque.

O envenenamento deixou Sergei Skripal, de 66 anos, e sua filha de 33 anos, Yulia, em estado crítico. Eles foram encontrados inconscientes em um banco da catedral da cidade e foram levados ao hospital, onde estão internados em estado crítico. O caso está sendo tratado como tentativa de homicídio por agentes nervosos.

Skripal traiu dezenas de agentes russos para a inteligência britânica antes de ser preso, em Moscou, em 2004. Ele foi sentenciado a 13 anos de prisão, em 2006, e em 2010 recebeu refúgio do Reino Unido, após ser trocado por espiões russos.

Sergei Skripal fala com sua advogada de trás das grades em uma corte em Moscou em foto de 9 de agosto de 2006 (Foto: AP Photo/Misha Japaridze, File)

Sergei Skripal fala com sua advogada de trás das grades em uma corte em Moscou em foto de 9 de agosto de 2006 (Foto: AP Photo/Misha Japaridze, File)

Um policial britânico que foi um dos primeiros a atender Skripal também foi afetado pelo agente nervoso. Ele está consciente, em situação séria, mas estável, de acordo com a polícia.

Efeito Dominó

O secretário britânico de Relações Exteriores, Boris Johnson, disse que o Reino Unido está em contato com seus parceiros internacionais sobre a situação.

"Fui encorajado pela boa vontade de nossos amigos em mostrar apoio e solidariedade", afirmou.

"Penso, em particular, no presidente [Emmanuel] Macron da França, falei com Sigmar Gabriel, mihna homóloga alemã, e também com Washington, de onde Rex Tillerson deixou absolutamente claro que vê isso como parte de um padrão de comportamento disruptivo e maligno por parte da Rússia... O apoio ao uso imprudente de armas químicas se estende desde a Síria até as ruas de Salisbury."

Tillerson, por sua vez, disse à imprensa nesta segunda que as ações da Rússia "ceramente desencaderiam uma resposta. Ele também criticou a Rússia e disse estar "além da compreensão" o fato de que um governo usaria uma subsância tão perigosa em um lugar público.

G1

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