Cotidiano

03.09.2008

2ª QUINZENA - AGOSTO 2008

Nada pode, tudo pode!


Ipsi literis

Muitas coordenações de campanha estão assustadas com o rol de proibições que emanam da justiça eleitoral, muitas destas regras que já vigiam anteriormente, mas que não havia cobrança incisiva a respeito. Depois de o país passar por uma espécie de revolução institucional, quando a justiça começou a legislar sobre assuntos que cabiam ao legislativo, parece ter acontecido um despertar para a observação mais aguda da lei.

Exemplos

O caso clássico foi a infidelidade partidária. Outro assunto que o pessoal da toga decidiu intervir foi no tocante ao número de vereadores de cada câmara, diminuindo as cadeiras dos legislativos municipais. No primeiro, causou alvoroço e muita gente foi cassada por trocar de partido, decisão um pouco temerária, pois a regra não era estabelecida por ocasião das últimas eleições. O segundo caso, já discutindo um pouco o mérito, não trouxe efeito que era pretendido: a economia, pois os orçamentos foram divididos em menos pares.

Isso não te pertence

Voltando às regras da campanha, não pode mais a utilização de artistas, não pode haver show nos comícios. É proibida a distribuição de brindes. Acabou a alegria de Apucarana. Nunca se vendia tanto boné em tão pouco tempo. Nada de camisetas, nem tampouco réguas, canetas, chaveiros, batons e outros acessórios.

Não pode

O controle financeiro também está bem mais rígido. Todo e qualquer carro que for contratado para campanha, precisa ser registrado. Os custos têm que ser contabilizados. Cabos eleitorais devem ser oficializados, quando remunerados. Os "santinhos" e outras peças publicitárias da mídia impressa devem conter o CNPJ da candidatura e da gráfica que os imprimiu, ao mesmo tempo em que deve constar impresso no material, a quantidade contratada, tudo registrado no financeiro da campanha de cada um.

Chequinho

Cada candidato tem uma conta bancária específica para a eleição e as despesas devem ser cobertas com cheque mediante nota fiscal. Os recursos depositados nas contas têm que ser precedidos da fonte de origem. Tem que ser explicado de onde veio e para o que está sendo utilizado o dinheiro.

Corruptores e corrompidos

Isso tudo, principalmente o controle financeiro, vai coibir a corrupção? Não. Pode diminuir um pouco, vai ficar um pouco mais difícil, mas enquanto houver eleitor que se corrompa, sempre existirá um candidato corruptor. Infelizmente existe gente que sonha ao chegar o momento da campanha para ter um candidato para morder uns 90 dias, depois ele amarga quatro anos sem representatividade.

Nada pode, tudo pode!

O título que me inspirou escrever estas linhas merece pelo menos uns dois tópicos. Já falamos que na campanha não pode isso, é proibido aquilo. Mas com muita criatividade, sem ferir a lei, muita coisa pode e fica estagnada na incompetência de pseudo-marqueteiros. Se estiver proibido show, porque não fazer mais atrativo, cada encontro político?

Detalhes

Cada comício, encontro, reunião mais ampliada, pode se transformar num pequeno e atraente show. Aquele detalhe a mais no som, que é imprescindível não ser baixo, ruim ou alto demais. Iluminação do ambiente, com destaque para o foco nos candidatos. Bandeirolas, papel picado, ambiente bem decorado com faixas e cartazes, bem alinhados e um bom apresentador, que motive o povo.

Comunicação

O que o candidato deve falar e como, também pesa bastante. Ao que se diz, pouco voto se ganha falando, mas o risco de perder o que já tem, é grande. Então, o que o povo quer, principalmente dos candidatos a vereador e não só destes, que o candidato fale alto, claro e pouco. Alto para que escutem, claro para que entendam e pouco para que lhe aplaudam.

Elder Boff