Notícias da Região | Santa Helena
Quarta-feira, 03 de Junho de 2026
A trajetória de Iracema Simon Schmidt: há 24 anos transformando tecidos em peças especiais
Celebrado anualmente em 25 de maio, o Dia da Costureira homenageia os profissionais que transformam tecidos em peças carregadas de significado, acompanhando momentos especiais na vida das pessoas. Representando essa profissão em Santa Helena, a costureira Iracema Simon Schmidt compartilhou sua trajetória de 24 anos e sua paixão pela costura.
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Natural de Corbélia, Iracema teve contato com a costura ainda na infância. Sua mãe costumava confeccionar algumas peças para a família, e foi através dessas lembranças que surgiu o primeiro encantamento pelo universo das linhas e tecidos. Ela recorda com carinho de uma saia rosa de poá que a mãe fez especialmente para ela, utilizando tecido reaproveitado de outra roupa, já que, na época, a família não tinha condições de comprar material novo. Além disso, também cresceu cercada por outras costureiras da família, incluindo três tias que atuam na profissão até hoje.
Apesar da ligação com a costura desde pequena, sua carreira começou em outra área. Antes de trabalhar com roupas, Iracema atuava como empregada doméstica. Foi a própria patroa quem a incentivou a buscar uma oportunidade em uma confecção que estava iniciando suas atividades. A partir dali, começou a aprender cada etapa do processo produtivo, evoluindo até se tornar supervisora de produção, trabalhando com modelagem e medidas. Aos poucos, também passou a confeccionar peças para familiares dos proprietários da empresa e clientes particulares. Um dos momentos mais marcantes foi quando ganhou sua primeira máquina de costura e produziu um vestido sob medida, inspirado em um modelo de revista. O resultado foi tão elogiado que serviu como confirmação de que havia encontrado sua vocação.
Ao longo dessas mais de duas décadas de trabalho, Iracema confeccionou roupas para os mais diversos momentos: casamentos, formaturas, festas juninas, carnavais, ensaios fotográficos e eventos especiais. Segundo ela, produzir uma peça vai muito além de costurar. Existe todo um estudo relacionado aos conceitos da moda, que ajudam a valorizar cada cliente. Entre eles, estão a cor, responsável por transmitir sensações e harmonizar com o tom de pele; a forma do modelo; a textura do tecido; o padrão das estampas; a proporção entre os elementos da roupa; e a silhueta, que busca realçar as características de cada pessoa.
Ela explica que cada criação começa com uma conversa detalhada para entender o que o cliente deseja. Depois, são tiradas as medidas, elaborada a modelagem e realizados testes em tecidos-base antes da confecção definitiva. É um trabalho minucioso, que exige conhecimento técnico, atenção aos detalhes e muita paciência. Para Iracema, no entanto, a costura também tem um lado emocional. Ela descreve o ateliê como uma espécie de terapia e acredita que existe algo muito especial em transformar um simples pedaço de tecido em uma peça que fará parte de momentos importantes na vida de alguém.
Morando em Santa Helena há pouco mais de dois anos, a costureira afirma que a produção sob medida é bastante valorizada no município. A procura por peças personalizadas é grande, e sua agenda já está praticamente preenchida até o final do ano. Entre os principais desafios da profissão, ela cita a pouca variedade de tecidos disponíveis na cidade, a escassez de mão de obra qualificada e a dificuldade de acesso a cursos de aperfeiçoamento. Mesmo assim, segue exercendo o ofício com o mesmo entusiasmo de quando produziu suas primeiras peças, acreditando que a costura é uma combinação de técnica, dedicação e, acima de tudo, amor pelo que se faz.








