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Terça-feira, 09 de Junho de 2026

Análise: Peruanos podem ter governo mais duradouro após disputa voto a voto

Volta do Congresso bicameral torna mais difícil a destituição do presidente, apesar de que nenhum tem maioria

Os peruanos vivem mais uma eletrizante contagem voto a voto no segundo turno da eleição, para escolher o nono presidente em dez anos. Dessa vez, no entanto, há um pouco mais de chances de um governo duradouro, principalmente se a candidata conservadora Keiko Fujimori se eleger.

Depois de uma necessária reforma constitucional, o Peru volta a ter um Congresso bicameral, com um Senado de 60 cadeiras, além da Câmara dos Deputados, de 130. Isso torna mais difíceis as destituições dos presidentes, que antes eram feitas meramente mediante um voto de “vacância por incapacidade moral permanente” por maioria simples.

Agora, a maioria na Câmara tem de aprovar a abertura do processo e o Senado, de condenar. Entretanto, o fantasma da vacância ainda ronda quem se eleger, porque nenhum dos candidatos tem maioria no Congresso.

A Força Popular, de Keiko, é o grupo mais forte, com 39 cadeiras na Câmara e 22 no Senado. Já o partido de Roberto Sánchez, de esquerda, elegeu 32 deputados e 14 senadores. Além disso, Keiko tem mais margem de negociação do que Sánchez, porque há mais congressistas de centro e de direita do que de esquerda, fora dos partidos dos finalistas do segundo turno.

Sánchez deseja levar adiante as reformas iniciadas pelo ex-presidente Pedro Castillo, destituído depois de fechar o Congresso e o Judiciário. Essas reformas tendem a enfrentar mais resistência do Congresso, da classe média e dos empresários. Por outro lado, a esquerda tem o apoio de setores organizados na zona rural, como lavradores e mineiros.

Os votos do exterior ainda não foram contados, e eles tendem a favorecer Keiko, que foi ultrapassada por Sánchez ao longo da apuração desta segunda-feira, na medida em que chegaram os votos da zona rural.

O quadro é incerto e a contagem final ainda pode levar semanas, com provável contestação dos resultados por quem sair derrotado.

CNN Brasil