Notícias da Região | Homenagem
Sábado, 28 de Fevereiro de 2026
Aniversário sem festa e com saudade: mãe homenageia Nando na praça que leva seu nome
Menino completaria 11 anos na sexta (27); mãe falou à reportagem e advogado cobrou laudo da Polícia Científica
Balões amarelos tomaram conta do Parque da Paz Nando Lorenzo na sexta-feira (27). A praça, inaugurada em 25 de outubro de 2025, fica próxima ao cruzamento onde o menino perdeu a vida e se tornou símbolo da luta por mais segurança no trânsito.
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Faixas lembraram o aniversário que não chegou a ser celebrado. No lugar da festa, a mãe escreveu a própria dor. Em uma das mensagens, ela destacou "27/02, o dia em que o pequeno Nando estaria completando 11 anos. Mas sua vida foi roubada na calçada, onde deveria haver segurança. Por falta de respeito às leis, o direito à vida do Nando foi arrancado"
Fernando Lorenzo Souza Gehlen morreu aos 9 anos, no dia 14 de junho de 2024, no cruzamento da Rua Paraná com a Avenida Piquiri, em Cascavel. Ele caminhava pela calçada com a mãe e um amigo da família quando um carro avançou a preferencial, atingiu uma motocicleta e subiu na calçada. O veículo arrastou o menino por alguns metros. Socorristas tentaram reanimá-lo, mas ele não resistiu.
Em entrevista à reportagem, Mônica Morais de Souza falou sobre a saudade do filho e reforçou o pedido por justiça no caso.
Desde então, a rotina de Mônica Morais de Souza mudou. "Desde o dia que eu perdi meu filho, os únicos que estão pagando a pena, somos nós" e a pergunta que me faço sempre é "quando minha pena vai acabar? quando irei ficar em liberdade?".
Ela questiona o fato de a motorista responder ao processo em liberdade. "A pessoa que tirou a vida do Nando está livre, ela continua dirigindo, vivendo a vida normal, e o Nando e o direito à vida do Nando?". A mulher, de 44 anos, foi denunciada pelo Ministério Público do Paraná por homicídio culposo e lesão corporal culposa.
No dia em que Nando completaria 11 anos, a mãe relembrou o segundo aniversário sem o filho. "Ontem ele completou 11 aninhos, o segundo aniversário dele no céu, eu tô morrendo de saudades de ser chamada de mãe, morrendo de saudades de fazer a surpresinha dele".
Ela rebate o uso da palavra "fatalidade" para definir o caso. "Não tem nada a ver com o caso do Nando. Ali foi uma escolha errada, algo que poderia ter sido evitado. O ato de subir na calçada podia ter sido evitado. Quando a gente não respeita o que é obrigatório, assume o risco e foi isso que aconteceu ali".
A despedida ficou marcada pela dor. "Eu não me despedi do Nando. Não beijei meu filho. O último beijo eu não dei no meu filho".
Ela também questiona qual será a punição aplicada. "Se a vida do Nando vale cesta básica, serviço comunitário, eu aceito de todo coração, mas eu quero meu filho de volta. Não é justo".
A mãe faz um apelo para que o caso não caia no esquecimento. "Que não tenham mais Nandos. Que outras famílias não fiquem com o colo vazio". E deixa um recado aos motoristas. "Usem o caso do Nando como exemplo. Eles precisam saber que têm que respeitar as regras de trânsito, respeitar a vida. O Nando não volta mais".
Processo aguarda laudo da Polícia Científica
O assistente de acusação Dr. Lauri da Silva, afirmou em entrevista que o processo aguarda um laudo de lesões corporais que ainda não chegou aos autos. Segundo ele, o Ministério Público já solicitou o documento à Polícia Científica do Paraná por três vezes, mas ainda não recebeu resposta.
De acordo com o advogado, a ausência do laudo impede a apresentação das alegações finais pelo Ministério Público e causa atraso no andamento do processo. Ele afirma que o Estado fez as solicitações necessárias, porém o documento ainda não foi encaminhado.
Dr. Lauri defende que houve homicídio com dolo eventual, quando a pessoa assume o risco de provocar o resultado, e não homicídio culposo. Caso o Ministério Público altere a denúncia, o processo pode seguir para julgamento pelo Tribunal do Júri.
O advogado também alerta para o risco de prescrição em caso de demora excessiva. Sobre a situação da ré, ele explica que ela responde em liberdade e deve permanecer assim até decisão final. Se houver julgamento pelo júri e eventual condenação, a Justiça definirá o regime de cumprimento da pena.
"Nós pegamos o caso já em andamento e estamos produzindo provas para que ele possa ir a júri popular", afirmou, em referência ao trabalho conjunto com a Dra. Adriana na assistência de acusação.
CATVE








