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Segunda-feira, 22 de Junho de 2026
Após vitória em eleição polarizada, Espriella diz buscar reconciliação na Colômbia
Presidente eleito da Colômbia, o direitista Abelardo de la Espriella obteve 49,66% dos votos, superando Iván Cepeda, que somou 48,70%
O presidente eleito da Colômbia, Abelardo de la Espriella, disse, em seu primeiro discurso depois do resultado eleitoral deste domingo (21/6), que busca reconciliação após um pleito marcado por extrema polarização.
Com 99,99% das urnas apuradas, Espriella obteve 49,66% dos votos, superando Iván Cepeda, candidato de esquerda e aliado do presidente Gustavo Petro, que teve 48,70%.
“Apelo a vocês para a reconciliação, porque o futuro não pertence mais a poucos privilegiados. O futuro pertence, mais uma vez, ao povo da Colômbia. Nesta nova era, todos os cidadãos comuns serão bem-vindos. Hoje, a terrível noite terminou, dando lugar à luz que nos aguarda nesta nação próspera. Segura, alegre e cheia de esperança”, afirmou o presidente eleito em discurso para milhares de apoiadores em Barranquilla.
Segundo De La Espriella, a Colômbia “será a pátria de todos os colombianos, de todas as religiões, a pátria de todas as comunidades ancestrais, de todos os jovens, avós, agricultores, empreendedores. Uma pátria de todos, para todos”.
O colombiano passou pelas ruas da cidade em um veículo blindado ao lado de seu candidato a vice-presidente, José Manuel Restrepo, para comemorar os resultados preliminares das eleições. Ao longo da semana, juízes eleitorais devem ratificar a votação em contagem oficial, que confirmará o desfecho do pleito. Historicamente, essa checagem não altera o resultado da pré-contagem.
“Esta nação é maior do que qualquer partido, maior do que qualquer ideologia. A Colômbia merece ser grande. Hoje, meus concidadãos, somos um só povo: cada um com suas diferenças, com seus objetivos, mas unidos por um mandato maior, o de reconstruir a nação desde seus alicerces”, continuou o presidente eleito em discurso.
Durante sua fala, ele declarou ainda que pretende retomar relações com todos os “países que respeitam a democracia” e romper laços com “países que não respeitam a liberdade e o Estado de Direito”.
Abelardo deve suceder o esquerdista Gustavo Petro no comando do país a partir de 7 de agosto.
Quem é o novo presidente da Colômbia
Apelidado de “El Tigre”, o presidente eleito nunca ocupou cargo eletivo e se apresenta como um “outsider”, distante da classe política tradicional.
Advogado criminalista de 47 anos, Abelardo de la Espriella é filiado ao movimento Defensores da Pátria e ganhou notoriedade por sua atuação em casos de grande repercussão na mídia. Ao longo da campanha, defendeu uma agenda de segurança pública mais dura e propostas de viés liberal na economia.
Ele se inspira em líderes como o presidente da Argentina, Javier Milei, e o de El Salvador, Nayib Bukele, defendendo a redução do tamanho do Estado e uma postura mais rígida no combate à violência. Entre suas propostas estão a construção de megaprisões nos moldes das adotadas em El Salvador, o endurecimento das penas, o fim da política de “paz total” de Gustavo Petro e a intensificação de operações militares contra grupos armados.
O presidente eleito se define como judaico-cristão, é casado e pai de quatro filhos. Ele costuma usar a camisa amarela da seleção colombiana de futebol — em referência semelhante à apropriação simbólica da camisa da seleção brasileira pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Ele conta com apoio público do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que busca ampliar a influência de governos alinhados ao seu na América Latina. Entre o primeiro e o segundo turno, o republicano fez ao menos duas publicações em apoio ao candidato.
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