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Quinta-feira, 02 de Abril de 2026
Atravessando fronteiras: a história e os caminhos de Cíntia Arruda para além de seus projetos
Cíntia Arruda já apareceu diversas vezes no Correio do Lago, falando sobre seus projetos culturais e suas empresas, bem como em seu próprio quadro, “Atravessando Fronteiras: Inspirando Santa Helena”. Nesta entrevista, no entanto, o olhar se volta para além dos projetos, buscando conhecer a pessoa por trás de tantas iniciativas.
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Nascida em São José das Palmeiras (PR), mudou-se ainda muito nova para o Paraguai, onde viveu até os 3 anos de idade. Em seguida, foi para Sapezal (MT), cidade onde permaneceu até os 19 anos e na qual construiu grande parte de sua identidade. Nessa mesma idade, mudou-se sozinha para Campo Verde (MT) para cursar Administração. Lá, viveu por quatro anos e meio e iniciou sua trajetória profissional na área administrativa, trabalhando em uma empresa de classificação de algodão.
Posteriormente, surgiu a oportunidade de atuar na sede da empresa, em Brasília, onde permaneceu pelo mesmo período. Apesar do crescimento profissional, sentia falta da convivência familiar.
Portanto, buscando conciliar seus projetos com uma melhor qualidade de vida, mudou-se para Curitiba, que, além de ser uma cidade com muitas oportunidades, era o local onde parte de sua família residia. Permaneceu na capital por dois anos e meio, até a chegada da pandemia, momento em que decidiu retornar a Mato Grosso para ficar mais próxima dos pais.
Foi nesse período que conheceu seu esposo e engravidou de sua filha, Madalena. Com o desejo de que a filha crescesse próxima à família, mas sem abrir mão do acesso fácil à estrutura e a serviços, o que não encontravam com facilidade no local onde moravam, ela buscou um novo lugar para viver.
O novo lar precisava ser um bom lugar tanto para eles quanto para seus pais, e a oportunidade surgiu em Santa Helena, onde uma chácara da família estava disponível para aluguel. Assim, há três anos, toda a sua família se mudou para o município, uma decisão que, segundo ela, foi obra do destino.
A arte sempre esteve presente em sua vida. Vinda de uma família com forte ligação artística, desenvolveu desde cedo o interesse pela música e pela cultura, participando de diversos projetos artísticos durante a escola. Iniciou sua trajetória musical por volta dos 15 anos, ao entrar em um coral feminino que participava de festivais de música, o que, posteriormente, evoluiu para apresentações solo em festivais por todo o estado de Mato Grosso, onde passou a ser premiada e a conquistar seus primeiros ganhos com a arte. Mais tarde, passou a se apresentar em diversos eventos, conciliando, desde cedo, outras atividades com a música. Assim, Cíntia desenvolveu dois currículos profissionais: um na área administrativa e outro na área artística.
Ao longo da vida, construiu uma trajetória profissional diversificada. Seu primeiro emprego formal foi em um escritório de contabilidade. Também atuou em um jornal com uma coluna social. Durante a faculdade, fez estágio na prefeitura, participou de projetos culturais e seguiu na área administrativa em empresas privadas. Em Brasília, integrou um grupo de percussão feminino; já em Curitiba, participou da primeira edição da Roda Nacional de Mulheres no Samba, foi mediadora de uma exposição infantil e ajudou na produção de uma feira internacional de música.
De volta a Mato Grosso, criou projetos culturais independentes, como um luau realizado às margens do Rio Papagaio. Já em Santa Helena, envolveu-se em iniciativas importantes, como o documentário “Entre Redes e Rios”, oficinas culturais em escolas, a criação do grupo musical feminino “As Magnólias” e a atuação na Rádio Comunitária Liberdade FM, além de lecionar no curso técnico em Administração no Colégio Castelo Branco. Também criou a coluna “Atravessando Fronteiras” e fundou a empresa Arruda Conexões Culturais.
Como artista, lançou o álbum “Aporia”, disponível nas plataformas digitais. O trabalho, com forte influência filosófica, reúne músicas autorais que funcionam como reflexões pessoais. O projeto começou a ser desenvolvido em Paranaguá e foi produzido em Cuiabá, incorporando elementos da cultura mato-grossense aliados a influências do rock, o que resulta em uma síntese de suas raízes e identidade. Antes disso, lançou o single “Fica”, cujo clipe, produzido de forma independente durante a pandemia, foi selecionado pelo Sesc Nacional. Também lançou o clipe da música “Caminhos”, gravado no Rio Papagaio, reforçando sua conexão com o território e suas origens. Seu trabalho artístico chegou a inspirar Luiz Carlos Prestes Filho a escrever um poema em sua homenagem, valorizando sua arte.
Cíntia se descreve como alguém com um forte pensamento comunitário, que realiza suas ações sempre pensando no coletivo. Ela também destaca seu olhar para o existir criativo em diferentes áreas e sua busca por inclusão e igualdade, além de ser uma pessoa extremamente ativa, sempre envolvida em novas iniciativas. Atualmente, segue desenvolvendo projetos voltados à valorização da cultura local e da economia criativa em Santa Helena. Com muitos planos para o futuro, pretende ampliar suas produções musicais e fortalecer, ainda mais, o cenário cultural do município.








