Internacionais | Movimentação do Brasil
Terça-feira, 17 de Fevereiro de 2026
Brasil se movimenta para sair do dilema entre EUA e China
Pivô para a Ásia e parceria com europeus na regulação teriam mais impacto com um melhor ambiente de negócios
A viagem do presidente Lula à Índia e à Coreia do Sul marca uma tentativa de se desmarcar da dependência em relação aos Estados Unidos e à China e de se articular com países europeus e asiáticos nos campos regulatório e comercial.
A Cúpula Impacto da Inteligência Artificial Índia 2026, da qual o presidente brasileiro participa, em Nova Délhi, terá a participação de chefes de Estado e de governo de 20 países, incluindo França, Espanha, Holanda, Finlândia e Suíça, além de representantes da União Europeia, do Reino Unido e da Alemanha, entre outros.
Essa aproximação permite ao Brasil discutir a regulação da inteligência artificial e das redes sociais acompanhado da Europa e de outras regiões, de modo a amortecer as pressões do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que resiste à imposição dessas regras.
Em seguida, na visita de Estado bilateral, Lula terá a oportunidade de discutir com o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, investimentos para o beneficiamento de minerais estratégicos e terras raras.
Aqui, os dois governantes procuram se desmarcar simultaneamente da China, que domina esse setor, e dos Estados Unidos, que acabam de promover uma cúpula para tentar liderar um bloco de países para a produção e o comércio desses minerais.
Além disso, Lula discutirá a abertura dos mercados com a Índia. O Mercosul já tem Acordo de Comércio Preferencial com a Índia desde 2004, e há discussões para ampliá-lo para um tratado de livre comércio.
Em seguida, Lula visitará a Coreia do Sul, outro mercado importante de um país altamente industrializado. O Mercosul também negocia acordo de livre comércio com a Coreia do Sul desde 2018.
Assim, a viagem dá continuidade ao pivô de Lula para a Ásia, para além da parceria com a China, que incluiu em outubro a participação na cúpula da Asean (Associação das Nações do Sudeste Asiático) e a visita bilateral à Indonésia e à Malásia.
Para aproveitar melhor a abertura dessas oportunidades, o Brasil precisa melhorar o seu ambiente de negócios, estimular a inovação e reduzir as barreiras protecionistas ao comércio.
O governo tem ido na direção contrária, por exemplo, com a Resolução GECEX nº 852/2026, que impõe aumento imediato do Imposto de Importação sobre bens de capital, informática e semicondutores, com impactos diretos sobre inovação, indústria e competitividade, segundo a Abinc (Associação Brasileira de Internet das Coisas).
A CNN Brasil procurou na quinta-feira o MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), mas até esta segunda-feira (16) não obteve uma resposta à Carta Aberta da Abinc criticando a resolução.
CNN








