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Sábado, 10 de Janeiro de 2026
Caso ET de Varginha: 10 pontos que ajudam a entender por que o mistério divide opiniões há quase 30 anos
Relatos inéditos, mudanças de versão, depoimentos de militares e negativas oficiais ajudam a explicar por que o caso segue cercado de controvérsias quase 30 anos depois.
Quase três décadas depois dos relatos que colocaram Varginha, no Sul de Minas, no centro da ufologia mundial, o chamado “caso ET” segue cercado por versões conflitantes, depoimentos emocionados, denúncias de invenção e mudanças de posição ao longo do tempo. A série documental “O Mistério de Varginha”, exibida pela TV Globo nesta semana, reuniu relatos inéditos, áudios antigos, vídeos raros e reentrevistas que reacenderam o debate.
Entre relatos minuciosos, mudanças de versão, denúncias de manipulação e negativas oficiais, o caso ET de Varginha segue sem provas materiais conclusivas. Para alguns, trata-se de um dos episódios mais intrigantes da ufologia mundial. Para outros, de uma história construída ao longo do tempo a partir de interpretações, erros e interesses.
A seguir, veja dez pontos centrais que ajudam a entender por que o episódio ainda gera controvérsia entre quem acredita que algo fora do comum aconteceu e quem afirma que tudo não passou de uma grande mentira ao longo dos anos.
1. As três meninas mantêm a versão original até hoje
Kátia Xavier, Liliane de Fátima Silva e Valquíria Silva afirmam, desde 1996, que viram uma criatura estranha em um terreno baldio de Varginha. Hoje adultas, elas mantêm a narrativa com riqueza de detalhes e dizem nunca ter se beneficiado financeiramente com o caso. Os relatos seguem coerentes ao longo do tempo, segundo pesquisadores que analisaram os depoimentos.
2. O impacto emocional reforça a autenticidade dos relatos
As mulheres relatam consequências profundas após a repercussão do caso, como bullying, ameaças, abandono escolar, depressão e prejuízos familiares. Para ufólogos que defendem a autenticidade do avistamento, o sofrimento vivido ao longo dos anos é um indicativo de que não se trata de uma farsa planejada.
3. Vídeos inéditos mostram os primeiros depoimentos ainda em 1996
Imagens gravadas poucos dias após o episódio registram as meninas descrevendo o encontro com a criatura, ainda sem a influência da repercussão nacional. Os vídeos mostram relatos espontâneos, descrições físicas detalhadas e o desespero da família, o que, para pesquisadores, ajuda a entender a origem do caso.
4. Moradores relataram objetos estranhos no céu dias antes
Testemunhas afirmam ter visto objetos luminosos, cilíndricos e esfumaçados no céu da região nos dias que antecederam o avistamento. Alguns descrevem quedas lentas, fumaça branca e cheiro forte no local onde um suposto objeto teria caído, alimentando a hipótese de uma nave avariada.
5. Médico afirma ter visto a criatura em hospital
O neurologista Ítalo Venturelli, ex-diretor de hospitais em Varginha, disse ter visto imagens de uma cirurgia realizada em um “ser não humano” e afirma que também teria visto a criatura em um leito hospitalar. Segundo ele, o silêncio foi mantido por décadas por medo de descrédito profissional.
6. Depoimentos de militares deram força ao caso nos anos 1990
Áudios e vídeos de bombeiros e militares do Exército foram tratados, durante anos, como provas centrais de que houve captura e transporte da criatura. Os relatos descreviam um ser pequeno, oleoso, com cheiro forte e características não humanas, além de uma suposta operação sigilosa.
7. Parte desses militares voltou atrás e falou em invenção
Trinta anos depois, dois dos três militares que deram depoimentos ao ufólogo Vitório Pacaccini afirmam que os relatos foram inventados. Um deles diz ter sido persuadido a gravar o áudio; outro afirma que recebeu promessa de pagamento. Ambos negam hoje qualquer participação em uma operação real.
8. Um militar mantém a versão, mas há suspeitas sobre pagamento
Um terceiro militar, que diz ter visto a criatura em um hospital, manteve a versão original no documentário, sob anonimato. Outros entrevistados, no entanto, levantam suspeitas de que ele teria recebido dinheiro para sustentar o relato, o que ele nega.
9. Um dos principais ufólogos passou de defensor a cético
Ubirajara Rodrigues, um dos responsáveis por dar projeção nacional ao caso, afirma hoje que não acredita mais na existência do ET de Varginha. Ele diz que não há provas materiais, que cometeu erros ao influenciar testemunhas e que muitos depoimentos teriam sido induzidos pela própria crença ufológica.
10. As versões oficiais sempre negaram a existência do ET
O Exército, o Corpo de Bombeiros e autoridades da época negaram qualquer operação envolvendo um extraterrestre. Um Inquérito Policial Militar concluiu que as meninas teriam confundido um morador da cidade com deficiência intelectual conhecido como “mudinho”, ou até um casal de pessoas com nanismo, versões que são rejeitadas pelas testemunhas e criticadas até por ufólogos.
O Mistério de Varginha
Ao longo de três episódios, a série documental “O Mistério de Varginha” revisita o caso que ganhou repercussão internacional há 30 anos no Sul de Minas, reunindo depoimentos inéditos, além de documentos, áudios, arquivos históricos e registros oficiais nunca exibidos. A investigação apresenta diferentes versões sobre o que teria acontecido na cidade e confronta relatos que marcaram o episódio.
Entre os entrevistados estão personagens centrais da história, como o ufólogo Ubirajara Rodrigues, o primeiro a investigar o caso. A série aborda a mudança de posição dele ao longo dos anos, já que, depois de defender a existência da suposta criatura, passou a afirmar que ela nunca existiu. O documentário também traz depoimentos de militares, relatos de moradores e a recuperação de materiais jornalísticos da época.
A produção acompanha ainda Kátia, Liliane e Valquíria, conhecidas como as “três meninas do ET”, que relembram o episódio e mostram como estão atualmente. Dirigida por Ricardo Calil e Paulo Gonçalves, com produção executiva de Fernanda Neves e direção artística de Monica Almeida, a série ficará disponível no Globoplay.
G1 Brasil








