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Quarta-feira, 24 de Junho de 2026

Chefe da Otan encontra Trump nesta quarta (24) e busca reduzir tensões

Mark Rutte busca alinhar posição com presidente americano para garantir sucesso da cúpula em julho e evitar crise entre a aliança e os Estados Unidos

O secretário-geral da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), Mark Rutte, se reúne com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Casa Branca, nesta quarta-feira (24), buscando amenizar as tensões em torno da guerra com o Irã e das ameaças dos EUA de reduzir o contingente de tropas na Europa, antes de uma cúpula decisiva de líderes da aliança em julho, na Turquia.

Trump, um crítico de longa data da Otan que já classificou a aliança como um "tigre de papel", irritou-se com a relutância da organização em apoiar Washington no conflito no Oriente Médio ou em ajudar a reabrir o Estreito de Ormuz, depois que um ataque conjunto dos EUA e de Israel ao Irã, em fevereiro, interrompeu a importante rota de petróleo.

Na semana passada, o secretário de Defesa americano, Pete Hegseth, repreendeu aliados que "pegam carona" na segurança alheia durante uma reunião da Otan e anunciou uma revisão de seis meses do posicionamento de tropas dos EUA na Europa, o que poderia resultar na redução das forças americanas.

Essa medida ocorreu após a decisão de Washington de reduzir o contingente de capacidades militares americanas disponíveis para a aliança em situações de crise, deixando os membros às voltas com o desafio de suprir as lacunas resultantes.

Desde a eleição de Trump em novembro de 2024, uma das principais atribuições de Rutte tem sido gerir a hostilidade do presidente em relação à Otan e evitar que momentos de tensão — como a iniciativa de Trump de adquirir a Groenlândia — escalem para uma crise duradoura.

É provável que a reunião desta quarta-feira (24) siga esse mesmo padrão.

"Imagino que ele esteja tentando alinhar sua posição com a de Trump para garantir que a cúpula da Otan seja um sucesso — ou, pelo menos, não um desastre total", disse Stephen Wertheim, pesquisador sênior do Carnegie Endowment for International Peace, um *think tank* sediado em Washington.

"A cúpula da Otan envolve um risco significativo, pois Trump está irritado e imprevisível; mesmo que Rutte chegue acreditando ter um entendimento com Trump, quem sabe o que pode acontecer duas semanas depois?", avaliou Wertheim.

Trump x Otan

As tensões se intensificaram nos últimos meses. Depois que os aliados da organização se recusaram a apoiar a campanha de Trump contra o Irã — iniciada por ele sem consulta prévia —, Trump questionou abertamente se os EUA deveriam manter o compromisso com o pacto de defesa mútua da aliança e afirmou estar cogitando deixá-la.

Meses antes, o presidente americano havia reivindicado a Groenlândia, território autônomo pertencente à Dinamarca, também membro da Otan. Rutte conseguiu afastar do abismo a aliança transatlântica, que se encontrava fragilizada, reforçando sua reputação como alguém capaz de lidar com Trump de forma eficaz.

Em entrevista à Fox News na terça-feira (23), Rutte descreveu como "isolados" os incidentes em que alguns membros da aliança negaram aos EUA direitos de uso de bases e de sobrevoo para atividades relacionadas à guerra, afirmando que centenas de aeronaves americanas decolaram de bases dos EUA em toda a Europa para apoiar o esforço de guerra de Washington — ponto que ele disse que transmitiria a Trump nesta quarta-feira (24).

"Também vamos ampliar o foco para uma perspectiva mais ampla do que ele está fazendo pela Otan", declarou Rutte, acrescentando que os membros estavam aumentando seus gastos com defesa e que ele divulgaria esses números "enormes" nesta quarta-feira.

Preparativos para a cúpula

A visita de Rutte faz parte dos preparativos finais para a cúpula de 7 e 8 de julho em Ancara, capital da Turquia, afirmou a porta-voz da Otan, Allison Hart.

A cúpula "concentrar-se-á na forma como os aliados estão cumprindo os compromissos assumidos no ano passado na Cúpula da Otan em Haia, incluindo o aumento do investimento em defesa, a expansão da produção industrial de defesa e a continuidade do apoio à Ucrânia", disse Hart.

A aliança enfrenta uma tensão sem precedentes, com alguns países europeus receosos de que Washington possa retirar-se completamente — uma medida extraordinária que colocaria em xeque o futuro da aliança. Trump já ameaçou fazer isso no passado.

Espera-se também que o secretário-geral se reúna com membros do Congresso. Sua visita ocorre em um momento em que os Estados Unidos consideram haver uma "codependência pouco saudável" da Europa em relação às forças norte-americanas.

Ainda assim, Mark Rutte manteve laços estreitos com autoridades do Pentágono, e Hegseth elogiou sua liderança durante o evento realizado em Bruxelas na semana passada.

Na cúpula do ano passado, em Haia, os líderes da Otan apoiaram o aumento expressivo nos gastos com defesa exigido por Trump, comprometendo-se a destinar 5% do PIB à defesa e a medidas relacionadas ao setor em um prazo de dez anos.

No entanto, embora alguns países europeus tenham aumentado significativamente os gastos com defesa, outros ficaram para trás.

CNN Brasil