Brasil | 42 horas à deriva

Quarta-feira, 27 de Maio de 2026

'Confusa, com frio e pedindo água': pescadores relatam como encontraram mulher após 42 horas à deriva no mar em Ilhabela

Pai e filho interromperam pescaria para resgatar jovem encontrada viva após passar três dias à deriva no mar; segundo eles, primeiro pedido de Bruna Damaris Sant’Anna da Silva foi por água.

Confusa, com frio e pedindo água. Foi assim que os pescadores descreveram o estado de Bruna Damaris Sant’Anna da Silva ao ser encontrada viva após 42 horas à deriva no mar, na manhã desta terça-feira (26), no litoral norte de São Paulo.

A família de pescadores, Alex Quintino, o filho Allan de Oliveira Quintino dos Santos e a cachorrinha Adelaide, que encontrou Bruna, trata o resgate como um milagre. A mulher começou a acenar quando viu a embarcação e foi retirada do mar com vida após três dias desaparecida.

Segundo Alex, Bruna estava confusa, com frio e pediu água assim que foi retirada do mar.

“Ela pediu água. A primeira coisa foi água. A gente enrolou ela com uma coberta. As mãos e os pés já estavam enrugados de muito tempo na água”, afirmou em entrevista ao repórter Pedro Melo, da Rede Vanguarda.

Acenou para barco

O resgate foi feito pelo barco “Pôr do Sol Dois”, dos pescadores do Quilombo de Caçandoca, de Ubatuba. A família saiu cedo para pescar camarão no Canal de São Sebastião. O plano era fazer quatro arrastos antes de voltar para casa.

Ainda antes da saída, porém, Allan comentou com o pai que talvez eles encontrassem a jovem desaparecida. E foi ele quem percebeu primeiro que havia alguém na água e avisou. Quando o barco se aproximou, Bruna começou a reagir.

“Começou a acenar. Aí nós fomos em cima dela, puxamos ela pra cima e tava viva, graças a Deus”, relatou.

A jovem estava desaparecida desde domingo (24), depois de sair de moto aquática na região de Ilhabela. Junto com ela estava Dheoge Pereira Bernardino, de 28 anos, que ainda não foi localizado. As buscas mobilizam equipes do Grupamento de Bombeiros Marítimo (GBMar) e da Marinha.

Os pescadores acreditam que a correnteza levou Bruna para uma área distante da costa e avaliam que dificilmente ela seria encontrada depois dali.

“A correnteza puxou ela bem pra fora. Se não achasse ela ali, acho que ninguém mais ia achar”, disse Alex.

Nesta terça, Bruna apresentou melhora no quadro clínico e deixou a UTI do Hospital Municipal Governador Mário Covas Júnior, em Ilhabela.

Para os pescadores, mesmo deixando dois arrastos de camarão para trás, a família diz que não se arrepende da decisão de interromper a pescaria para fazer o resgate.

“Salvar uma vida é gratificante. A gente não pensa no dia de amanhã. Deus sabe o que faz”, afirmou Alex.

G1