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Quinta-feira, 30 de Abril de 2026
Conselho do Corinthians rejeita texto-base de reforma do estatuto, mas aprova voto de Fiel Torcedor
Sessão no Parque São Jorge teve discussões e divergências entre conselheiros e terminou sem votar todos os itens previstos
O Conselho Deliberativo do Corinthians rejeitou o texto-base da reforma estatutária em votação nesta quarta-feira, mas aprovou o direito a voto ao programa Fiel Torcedor já a partir das eleições para a diretoria deste ano. A sessão terminou sem a votação de todos os itens previstos, com retomada na próxima segunda-feira.
Depois da abertura dos trabalhos, no teatro do Parque São Jorge, houve uma votação nominal e aberta dos conselheiros. O texto-base recebeu votos contrários de 93 conselheiros. Outros 60 votaram a favor.
O texto-base tinha uma série de alterações no estatuto, em itens em que havia só uma proposta de redação. Já as 15 propostas com duas ou mais alternativas, de assuntos não contemplados no texto-base, seriam votadas como destaques.
Sob reserva, conselheiros que votaram contra o texto-base justificaram que havia nele vários pontos com os quais não concordavam, de modo que não seria possível dar aval à íntegra sem a votação de artigo por artigo.
Na sequência, os conselheiros deliberaram se deveriam votar ou não os 15 destaques. Foram 79 votos favoráveis à votação dos destaques e 57 contrários.
No destaque sobre o Fiel Torcedor, 79 conselheiros votaram pela implantação do direito a voto aos integrantes do programa de sócio-torcedor já a partir das eleições de 2026 para quem tenha contribuído nos últimos quatro anos, sem cobrança de taxa adicional. Para os próximos pleitos, todos os requisitos passarão a valer, inclusive a taxa.
Nove conselheiros votaram pela aprovação do Fiel Torcedor a partir de 2030. Dois conselheiros votaram pela terceira redação da proposta, que não prevê votação ao Fiel Torcedor.
O número total de votos do Fiel Torcedor ficou abaixo do registrado no texto-base porque muitos conselheiros, especialmente os vitalícios, deixaram o plenário logo após a primeira votação.
Depois da votação de dois destaques, o presidente em exercício do Conselho Deliberativo, Leonardo Pantaleão, suspendeu a sessão e marcou a continuidade dela para a próxima segunda-feira.
A efetivação das mudanças do estatuto ainda dependerá da aprovação da assembleia-geral, que não tem data de realização marcada, mas que precisa ocorrer em breve. O estatuto obriga que alterações seja realizadas em até seis meses antes das eleições.
Na saída da sessão, Pantaleão explicou que, no entendimento dele, somente o que o Conselho aprovar deverá submetido à votação dos sócios, mas que isso ainda será decidido na continuidade da reunião.
Ele também sustentou que, mesmo com a rejeição do texto-base, é possível incorporar os destaques ao estatuto atual.
— Vamos terminar a votação e, ao final da votação, a gente esclarece exatamente o que vai para a assembleia para evitar dificuldade de informação. Me parece que é absolutamente não razoável você apresentar tudo para assembleia, ignorando o que foi decidido pelo Conselho Deliberativo. No meu juízo, tem que ser encaminhado aquilo que foi deliberado no Conselho Deliberativo.
— É claro que surge um problema adicional, porque o texto-base da reforma estatutária não passou. Surge a questão: com os destaques votados, ficamos em uma situação em que eles precisam ser inseridos em algum lugar. Talvez tenha que ser feita uma nova análise pela Comissão da Reforma Estatutária para eventualmente inserir os destaques no estatuto atual.
Discussões e divergências
A sessão começou com uma divergência entre o conselheiro Felipe Ezabella e o presidente licenciado do Conselho, Romeu Tuma Júnior.
Pantaleão alegou que, se o texto-base fosse rejeitado, não seria necessário votar os destaques. Entretanto, o conselheiro Rozallah Santoro pediu a palavra e defendeu que os destaques fossem votados mesmo assim, já que se tratam de alterações possíveis em cima do texto atual do estatuto.
Romeu Tuma apresentou uma questão de ordem para que Pantaleão esclarecesse que, mesmo no caso de rejeição, o texto deveria ser submetido na íntegra para votação dos associados em assembleia geral.
Na sequência, Ezabella pediu a palavra e, contestando Romeu Tuma, sustentou que somente os itens aprovados pelo Conselho fossem colocados para votação entre os sócios. Ele alegou que a decisão sobre essa divergência fosse votada pelo plenário.
Foi só após essa discussão que Pantaleão deu início à votação do texto-base e depois proclamou o resultado.
Assim que a votação terminou, diversos conselheiros deixaram a sessão, o que reduziu o quórum para as deliberações seguintes.
Parte dos conselheiros se opôs à ideia de continuar a sessão, com a alegação de que, rejeitado o texto-base, os destaques não deveriam ser votados. Eles também resistiram à proposição de Pantaleão de fazer uma votação para decidir se votariam ou não os destaques.
Rubens Gomes, o Rubão, Alexandre Husni e Jorge Kalil se manifestaram contra a continuidade da sessão, se apoiando em uma fala inicial de Pantaleão de que, rejeitado o texto-base, os destaques seriam votados. Porém, o presidente em exercício colocou o assunto em debate, e a maioria presente decidiu votar os destaques.
Com a proclamação do resultado, integrantes de torcidas organizadas, presentes no teatro, protestaram contra os conselheiros vitalícios. Um deles bradou: "O Corinthians não tem dono".
Depois, os conselheiros votaram dois destaques - o primeiro sobre constituição de sociedade empresarial (não se trata de transformação em SAF) e o segundo sobre o voto do Fiel Torcedor.
A partir daí, conselheiros passaram a pressionar o presidente do Conselho pelo encerramento da sessão nesta quarta-feira, com retomada na semana que vem, o que efetivamente aconteceu.
Os conselheiros Vicente Cascone, Herói Vicente e Ezabella se pronunciaram no sentido de que apenas os itens aprovados pelo Conselho fossem submetido à assembleia geral, enquanto Romeu Tuma defendeu que todo o projeto fosse submetido aos sócios, independente da decisão dos conselheiros. O imbróglio não teve uma resolução até a suspensão da sessão.
Pantaleão, que em entrevistas e nos bastidores disse que o projeto na íntegra seria enviado à assembleia-geral, explicou a mudança de posição na saída da votação.
— Essa era uma sugestão inicial. Assim que o Rozallah abordou essa questão, eu deixei claro que era uma ideia que surgiu, mas nada impede o Conselho deliberar de outra forma. Temos que parar de achar que somos os donos da verdade no Corinthians. Não há imposição. O meu perfil é de ouvir os conselheiros e tentar que se chegue a uma situação harmônica do que for deliberado por maioria.
GE








