Internacionais | Mensagens falsas

Terça-feira, 03 de Março de 2026

É #FAKE que Brasil vendeu urânio ao Irã; mensagens falsas voltaram a circular após início de novo conflito no Oriente Médio

Em junho de 2025, Ministério das Minas e Energia e Agência Brasileiro-Argentina de Contabilidade e Controle de Materiais Nucleares já haviam desmentido alegação.
Circulam nas redes sociais posts sugerindo que o Brasil vendeu urânio ao Irã. É #FAKE.

 O que dizem as mensagens falsas?
Os posts foram publicados nesta segunda-feira (2) no X. Veja dois exemplos de legendas: "Talvez tenha a ver com o Urânio, que dizem que o Brasil vendeu ao Irã..."; e "Quem vendeu Urânio para o Irã e ajudou esse país a se armar e causou todas essas guerras????? Urânio enriquecido foi vendido de um país ocidental - os comentários abertos".
Os conteúdos viralizaram em meio ao mais recente ataque direto dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, iniciado no sábado (28). O presidente Donald Trump declarou que o principal objetivo seria destruir o programa nuclear iraniano. Americanos e israelenses alegam que o rival usa o enriquecimento de urânio com a intenção de fabricar armas nucleares, o que o regime nega.
Em junho de 2025, logo após um enfrentamento militar anterior entre Israel e Irã, o Fato ou Fake desmentiu mensagens semelhantes:

 Por que as mensagens são falsas?
Nesta segunda, o Fato ou Fake voltou a consultar tanto o Ministério das Minas e Energia (MME) quanto a Agência Brasileiro-Argentina de Contabilidade e Controle de Materiais Nucleares (ABACC), que no ano passado desmentiram aquelas alegações.

Por e-mail, um porta-voz da ABACC afirmou: "Confirmo a declaração que fiz no ano passado sobre a mesma questão. Não consta no nosso banco de registros de contabilidade nuclear qualquer transferência de material nuclear do Brasil para o Irã". E o MME reiterou: "Informamos que a nota publicada em junho de 2025 continua válida".
Naquele comunicado, a pasta informou que "não houve qualquer venda de urânio para o Irã e que nenhuma de suas empresas vinculadas têm relações com o país, no campo da exportação de urânio, seus concentrados ou derivados". "Toda a produção nacional é utilizada para atender às necessidades das usinas Angra 1 e 2, no Rio de Janeiro, operadas pela Eletronuclear."

A nota citava que a "comercialização de urânio [...] é competência exclusiva do Estado, sendo que a exportação depende de prévia autorização". E disse que "o Brasil é signatário de múltiplos tratados e acordos que regem suas atividades nucleares e impedem o fornecimento de material para fins não pacíficos" e que "conforme a Constituição Federal Brasileira, é de competência exclusiva da União o monopólio sobre a pesquisa, lavra, enriquecimento, reprocessamento, industrialização e comércio de minérios nucleares".
Em junho de 2025, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom) divulgou, em seu site oficial, uma nota com o seguinte título: "Brasil não vende urânio para uso bélico". O texto dizia: "Diferentemente do que tem sido alegado em posts que viralizaram, a INB [Indústrias Nucleares do Brasil] não tem qualquer negócio com o Irã ou jamais teve".

A INB é uma empresa pública – e a única autorizada a extrair e processar urânio em território nacional. Ou seja, é ilegal qualquer exploração dessa atividade sem a participação da empresa.

Como a nota citava "urânio para uso bélico", o Fato ou Fake questionou se Brasil já chegou alguma vez a vender esse minério ao Irã com fins pacíficos. O e-mail de resposta afirmou: "Nunca houve qualquer venda de urânio para o Irã. A INB realizou, no passado, a venda de urânio para a Argentina, com finalidade exclusivamente voltada à geração de energia elétrica. A operação foi conduzida dentro dos marcos legais e devidamente autorizada pela Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), em conformidade com os compromissos internacionais assumidos pelo Brasil".
Novamente procurada nesta segunda, a Secom não havia respondido até a última atualização desta checagem.

Fonte: G1