Notícias da Região | Santa Helena
Sexta-feira, 20 de Fevereiro de 2026
‘É rezar para não perder tudo’: avicultor denuncia prejuízos com quedas de energia e cobra providências da Copel em Santa Helena
A equipe de reportagem do Jornal Correio do Lago esteve no interior de Santa Helena, na Linha Paraíso, para ouvir mais um produtor rural afetado pelas constantes quedas e oscilações no fornecimento de energia elétrica. O avicultor conhecido como Saldanha, que trabalha com cerca de 100 mil aves, relata momentos de tensão e prejuízos recorrentes em razão do que é classifica como descaso da Copel.
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Segundo ele, as interrupções têm ocorrido inclusive em noites de céu limpo, sem temporais ou ventos fortes que justifiquem a falta de energia. “Quando é temporal, a gente entende. Mas ficar sete, oito horas sem luz, com tempo bom, é complicado. O trabalho não é o que mais cansa, é o nervo e o estresse”, desabafa.
A propriedade conta com cinco aviários, mais de 40 exaustores, bombas de água, sistemas de alimentação e equipamentos que dependem totalmente de energia elétrica. Embora possua gerador próprio, o produtor explica que o equipamento é projetado para situações emergenciais e não para suprir longos períodos sem fornecimento regular.
“O gerador quebra galho por uma ou duas horas. Não foi feito para ficar dez, doze horas ligado, várias vezes por semana. É uma máquina, pode falhar também. E se falhar no meio de um lote com 30 ou 40 dias, o prejuízo é enorme”, alerta.
Ele explica que, nessa fase, as aves exigem ventilação constante. Uma interrupção prolongada pode provocar alta mortalidade em pouco tempo. “A gente faz o que pode, abre lona, corre, cumpre todos os procedimentos. Mas se faltar energia e o gerador não funcionar, é rezar e esperar”, afirma.
O produtor também critica o que considera demora no atendimento. Segundo ele, anos atrás, o suporte técnico chegava com mais rapidez. Hoje, a resposta muitas vezes ocorre apenas no dia seguinte, prolongando o problema no campo.
Além da avicultura, ele lembra que outras atividades, como suinocultura, piscicultura e produção de leite, também sofrem impactos diretos com a instabilidade elétrica. “Nós pagamos uma das energias mais caras do mundo. Não é favor, não é de graça. A Copel tem compromisso com o consumidor e precisa cumprir.”
A situação relatada por Seu Saldanha soma-se a outras que vêm sendo registradas no interior do município, ampliando a cobrança por melhorias na rede e mais agilidade no atendimento. Produtores afirmam que dependem da energia não apenas para manter a produção, mas para garantir o sustento das famílias e a estabilidade da economia local.
Enquanto aguardam providências, muitos seguem trabalhando sob incerteza, entre geradores, combustível e a expectativa de que a energia não falhe novamente.








