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Quarta-feira, 08 de Julho de 2026
Efeito do tarifaço: exportações dos EUA caem 13% no 1° semestre
Comércio bilateral somou US$ 36,4 bilhões entre janeiro e junho, 12,8% abaixo do registrado no mesmo período de 2025, devido ao tarifaço
O comércio entre Brasil e Estados Unidos (EUA) perdeu força no primeiro semestre de 2026 em meio ao tarifaço imposto pelo governo norte-americano e a chance de novas tarifas.
Dados do Comex Stat, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), mostram que a corrente de comércio entre os dois países movimentou US$ 36,4 bilhões entre janeiro e junho, resultado 12,8% inferior ao registrado no mesmo período de 2025. Com relação às exportações, a queda foi de 13%.
O desempenho reflete a desaceleração tanto das exportações brasileiras quanto das importações provenientes dos Estados Unidos. No acumulado do semestre, as vendas do Brasil ao mercado norte-americano totalizaram US$ 17,4 bilhões, enquanto as compras de produtos dos EUA somaram US$ 19 bilhões.
Com isso, o Brasil encerrou os seis primeiros meses do ano com déficit de US$ 1,5 bilhão na balança comercial bilateral. No período, os Estados Unidos responderam por 9,43% das exportações brasileiras e por 13,3% das importações realizadas pelo país, mantendo-se como um dos principais parceiros comerciais do Brasil.
A retração ocorre em um cenário de maior tensão nas relações comerciais entre os dois países, após a adoção de novas barreiras tarifárias pelos Estados Unidos. As medidas elevaram o custo de entrada de diversos produtos estrangeiros no mercado norte-americano, afetando o fluxo de comércio e aumentando a incerteza para empresas exportadoras.
Apesar da queda observada no primeiro semestre, os EUA seguem entre os principais destinos das exportações brasileiras, ao lado da China e da Argentina.
O mercado norte-americano é um importante comprador de produtos manufaturados brasileiros, além de absorver parte relevante das exportações de bens industrializados, que costumam ter maior valor agregado.
Os números do Comex Stat também mostram que a desaceleração não ficou restrita às exportações. As importações brasileiras de produtos norte-americanos também perderam ritmo no período, refletindo um ambiente de menor dinamismo nas trocas comerciais entre as duas economias.
O resultado do primeiro semestre reforça a mudança de trajetória observada ao longo de 2026. Após anos de crescimento das relações comerciais, o intercâmbio entre os países passou a registrar perdas em meio ao aumento das barreiras comerciais e ao ambiente de maior incerteza para o comércio internacional, mesmo com a revisão de parte das tarifas no ano passado.
Óleos brutos de petróleo – 9,4%;
Aeronaves – 8%;
Carne bovina – 6,4%;
Café não torrado – 4,4%.
Novas tarifas
No começo do ano, os Estados Unidos ameaçaram aplicar uma taxa de 25% contra exportações brasileiras após investigação da Escritório do Representante de Comércio (USTR) sobre práticas comerciais brasileiras que poderiam impactar os EUA.
Além disso, o governo americano sugeriu a aplicação de uma nova tarifa relaciona a relatos de trabalho escravo no Brasil, a taxação proposta é de 12,5%, que seria somada a taxa anunciada anteriormente, totalizando tarifas de 37,5% para alguns produtos.
Entenda como está a relação entre os países
A relação entre Brasil e Estados Unidos se deteriora após proposta de tarifa de 25% sobre produtos brasileiros;
Documento do USTR acusa o Brasil de adotar práticas “irrazoáveis” e mira desde o Pix até regras de comércio digital e propriedade intelectual;
Governo Lula reage e vê falta de base técnica nas alegações, além de classificar trechos como “absurdos”;
Apesar da escalada, interlocutores avaliam que o cenário poderia ser mais duro, já que o texto prevê exceções e possibilidade de negociação;
Negociações seguem abertas via grupo bilateral, enquanto os EUA iniciam consulta pública antes de decidir sobre as sanções.
Cronologia do tarifaço
2 de abril de 2025 – O presidente americano, Donald Trump, anuncia a taxação de 10% para diversos países;
9 de abril de 2025 – Após reação dos mercados, Trump adia por 90 dias a aplicação de parte das tarifas recíprocas para diversos parceiros comerciais;
Maio de 2025 – Brasil intensifica negociações e representantes do governo brasileiro iniciam conversas com autoridades americanas e com o setor privado para tentar reduzir os impactos das tarifas sobre as exportações;
Junho de 2025 – Trump assina uma ordem executiva para ampliar tarifas de aço e alumínio exportados de 25% para 50%;
Julho de 2025 – O presidente americano envia uma carta ao Brasil ameaçando taxar o país em 50%. Como justificativa, Trump cita o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que há época estava sendo julgado por tentativa de golpe de Estado;
30 de julho de 2025 – Trump oficializa tarifas de 50% contra produtos brasileiros, no entanto, apresentou uma lista de isenção;
6 de agosto de 2025 – Vigor da taxação de 50%; composta por uma sobretaxa de 40% aos 10% anunciados inicialmente;
Setembro de 2025 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Trump se encontraram durante a Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). Na ocasião, Trump disse que “rolou um clima” entre eles;
Outubro de 2025 – Os presidentes conversaram por telefone sobre o tarifaço e marcaram de continuar as discussões;
Novembro de 2025 – Trump assinou uma ordem executiva retirando as sobretaxas de 40%;
Fevereiro de 2026 – A Suprema Corte americana considerou ilegais as tarifas aplicadas pelo governo Trump e reverteu a decisão;
Junho de 2026 – Uma investigação contra práticas comerciais brasileiras conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) sugeriu a aplicação de tarifas de 25%;
Junho de 2026 – Uma investigação contra países que possuíam mão de obra escrava sugeriu a imposição de taxas de 12,5% contra o Brasil, totalizando 37,5%.
15 de julho de 2026 – Prazo final para o governo americano decidir se vai ou não taxar o Brasil, de acordo com a sugestão do USTR.
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