Brasil | Câncer de ovário
Sábado, 11 de Abril de 2026
Estudo da UnB em fase inicial vê ômega-3 como possível aliado no combate ao câncer de ovário
Resultados preliminares indicam que o Ômega-3 DHA tem a capacidade de induzir a morte de células cancerígenas. Grupo tenta financiamento para começar testes clínicos.
Resultados iniciais de um estudo da Universidade de Brasília (UnB) apontam para a capacidade do ômega-3 DHA de induzir a morte das células de câncer de ovário.
A pesquisa foi desenvolvida no Laboratório de Imunologia e Inflamação do Departamento de Biologia Celular (Limi/CEL/IB), ligado ao Instituto de Biologia da UnB.
Nos primeiros testes, os pesquisadores identificaram que o Ômega-3 DHA pode induzir a piroptose, uma espécie de morte inflamatória e programada da célula de câncer.
O diferencial, segundo os responsáveis pelo estudo, é que esse processo rompe a membrana celular e estimula o próprio sistema imunológico a atacar o tumor.
Nos testes feitos em laboratório, a substância matou células cancerígenas e não causou grandes efeitos nas saudáveis.
IMPORTANTE: Os achados são iniciais, a partir de testes em laboratório, e a pesquisa ainda precisa passar por várias fases antes de uma conclusão "definitiva". Nos próximos passos, os testes devem ser feitos em animais – e só se derem certo, poderão ser feitos também em humanos.
Se os resultados forem confirmados, o ômega-3 DHA pode se tornar um aliado dos tratamentos atuais de referência, como a quimioterapia.
"A gente busca não substituir nenhum tratamento atual, de quimioterapia do câncer de ovário, mas sim apresentar possibilidades de moléculas adjuvantes", explica a imunologista e coordenadora do laboratório, Kelly Grace.
"A gente ficou bastante satisfeito com o resultado, mostrando que um suplemento de fácil acesso da população pode ter um efeito antitumoral importante", ressaltou ela.
A pesquisa foi fruto do projeto de mestrado do imunologista Gabriel Pasquarelli, primeiro autor do artigo publicado sobre o estudo.
Ômega-3 DHA
O próximo passo é o estudo em seres humanos – mas Kelly Grace ressalta que precisam do investimento adequado para conseguirem avançar nas etapas da pesquisa.
"Agora, a gente depende de um financiamento para fazer esse estudo clínico que seria exatamente tentar verificar essa taxa de proteção em mulheres fazendo a quimioterapia com e sem o uso do Omega-3 DHA", explica.
"A gente busca parceiros para que possam financiar essa etapa para que de fato a gente consiga fazer essa transposição da pesquisa para a parte clínica, onde a gente poderia testar mesmo a atividade dessa molécula durante o tratamento contra o câncer de ovário."
G1








