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Quinta-feira, 09 de Julho de 2026
EUA criticam Brasil por expulsar espião que poderá voltar para Rússia
Governo Trump se diz "profundamente preocupado" com a expulsão de Sergei Tcherkasov, que se passava pelo brasileiro Victor Muller Ferreira
O governo dos EUA reagiu com forte preocupação e desapontamento à decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de autorizar a expulsão do cidadão russo Sergei Vladimirovitch Tcherkasov do território brasileiro.
Apontado em investigações conjuntas da Polícia Federal (PF) e do Federal Bureau of Investigation (FBI) como um oficial de alta patente do serviço de inteligência militar da Rússia, Tcherkasov operava internacionalmente há anos utilizando uma identidade falsa: ele “era” o brasileiro Victor Muller Ferreira.
Em nota oficial divulgada nessa quarta-feira (8/7) pelo Departamento de Estado em Washington, o governo de Donald Trump sinalizou que a repatriação imediata do espião representa um duro revés para os esforços globais de contra-inteligência e para a cooperação jurídica internacional.
“Os Estados Unidos estão profundamente preocupados com a decisão do Brasil de permitir que um indivíduo com vínculos conhecidos com a inteligência russa deixe o país”, afirmou o Departamento de Estado.
“Essa decisão enfraquece nosso compromisso conjunto de combater interferências estrangeiras e proteger a integridade de nossas instituições democráticas”, diza nota.
O governo dos EUA vinha pressionando formalmente o Ministério da Justiça e o Supremo Tribunal Federal (STF) pela extradição do russo para solo americano, onde ele enfrenta uma série de indiciamentos graves por fraude, lavagem de dinheiro e espionagem contra alvos estratégicos dos EUA.
Agente “blindado”
A avaliação de bastidores na diplomacia e nas agências de segurança dos EUA é de que a expulsão decidida pelo Palácio do Planalto acabou blindando o agente russo de um julgamento transparente em uma corte civil norte-americana.
A decisão do Brasil de expulsar Tcherkasov foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) na segunda-feira (6/7). Ele cumpre pena de 5 anos de prisão em um presídio federal de Brasília por falsidade ideológica e, após a expulsão, ficará proibido de retornar ao Brasil por 30 anos.
No entanto, a medida só será efetivamente executada após o cumprimento integral da pena imposta pela Justiça brasileira ou mediante uma autorização judicial específica para sua liberação antecipada.
Victor, um “brasileiro”
De acordo com as investigações conjuntas da Polícia Federal e do FBI, Tcherkasov viveu no Brasil desde 2010 utilizando o nome falso de Victor Muller Ferreira para obter documentos legítimos, como passaporte e título de eleitor, construindo uma cobertura para atuar em missões de inteligência no exterior.
O caso ganhou repercussão internacional em abril de 2022, quando ele foi detido e deportado pela inteligência da Holanda ao tentar assumir um estágio no Tribunal Penal Internacional, em Haia.
As autoridades apontam que ele integra o grupo dos “ilegais” da inteligência militar russa — agentes treinados para viver sob disfarces de longa duração —, embora os relatórios indiquem que seus alvos estratégicos eram os EUA e países europeus, sem evidências de espionagem contra o Brasil.
Após a sua prisão em solo brasileiro, o Departamento de Justiça dos EUA denunciou o russo por espionagem e fraudes, enquanto a Rússia solicitou oficialmente sua extradição sob a alegação de que ele era investigado por tráfico de drogas.
O pedido de extradição chegou a ser autorizado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), mas sua execução permaneceu condicionada ao aval do Poder Executivo e ao encerramento dos processos no país.
Com a publicação do decreto de expulsão administrativa, a defesa de Tcherkasov — que nega veementemente as acusações de que ele seja um agente secreto — deverá acionar o STF para definir os próximos passos jurídicos do caso.
Metrópoles








