Internacionais | Narrativa de guerra
Terça-feira, 14 de Julho de 2026
EUA x Irã: Narrativa da guerra gira em torno de Ormuz, diz professor
Najad Khouri, economista e professor sobre Oriente Médio, analisa escalada do conflito e aponta que controle do estreito é central na disputa entre as potências ao WW
A narrativa do conflito entre os Estados Unidos e o Irã, que já dura aproximadamente cinco meses, gira em torno do Estreito de Ormuz. A avaliação é de Najad Khouri, economista e professor especializado em Oriente Médio, ao WW.
Segundo ele, o controle sobre o estreito tornou-se o principal eixo da disputa entre as duas potências.
Estreito de Ormuz como trunfo estratégico
Khouri afirmou que as guardas revolucionárias iranianas compreenderam que o Estreito de Ormuz representa um ativo estratégico de enorme valor.
"As guardas revolucionárias descobriram que o Estreito de Ormuz é muito mais importante para a revolução do que o acordo nuclear, o desenvolvimento nuclear, e que ali podem controlar o tráfego de energia mundial e provar que têm força contra os Estados Unidos", declarou o especialista.
Para ele, essa percepção tornou o estreito o centro da narrativa da guerra.
Alternativas ao Estreito de Ormuz
Diante da redução do tráfego marítimo pelo estreito — estimada em cerca de um quarto do volume anterior ao conflito —, países da região têm buscado rotas alternativas para escoar sua produção energética.
O analista de Internacional da CNN Lourival Sant'Anna explicou que os Emirados Árabes estão ampliando a capacidade de um oleoduto que leva petróleo a um porto localizado fora do Estreito de Ormuz, permitindo o escoamento diretamente pelo Golfo de Omã.
Já a Arábia Saudita está duplicando a capacidade do oleoduto que liga o Golfo Pérsico ao Mar Vermelho, atravessando a península de leste a oeste.
O analista mencionou ainda que estão sendo exploradas rotas do Kuwait e do Bahrein em direção ao Mediterrâneo, além da possibilidade de transporte por caminhão, embora esta última opção seja considerada inviável em larga escala devido ao alto custo.
"Todas as soluções, com exceção dos Emirados Árabes, que é a mais rápida e já está em implementação, levam anos e não meses", afirmou. Segundo ele, enquanto essas alternativas não estiverem plenamente operacionais, "essa asfixia continuará acontecendo".
Lourival revelou ainda que, pela primeira vez desde que iranianos invadiram a embaixada dos Estados Unidos em Teerã, em 1979, os dois países estariam tentando estabelecer uma linha direta de comunicação entre seus militares.
"Está havendo tratativas nessa direção entre Estados Unidos e Irã", afirmou. Segundo ele, a iniciativa visa a troca de garantias como ponto de partida para uma negociação que leve à estabilização do Estreito de Ormuz.
CNN








