Internacionais | Tática de negociação
Quarta-feira, 21 de Janeiro de 2026
Ex-assessor de Trump diz que ameaças à Groenlândia podem ser tática de negociação
Em entrevista à BBC, Gary Cohn, que foi um dos principais assessores econômicos do governo Trump no primeiro mandato, disse que invasão 'ultrapassaria os limites'.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não conseguirá forçar a Groenlândia a mudar de soberania, afirmou Gary Cohn, ex-assessor econômico do presidente americano.
Em entrevista à BBC, Cohn, que assessorou Trump durante seu primeiro mandato e foi diretor do Conselho Econômico Nacional da Casa Branca, disse que as ameaças recentes do presidente "podem fazer parte de uma negociação" e relacionou a necessidade de acesso a minerais importantes aos planos de seu ex-chefe para o território.
"Acabei de sair de uma reunião com uma delegação do Congresso dos EUA, e acho que há um consenso bastante uniforme entre republicanos e democratas de que a Groenlândia continuará sendo a Groenlândia", disse ele.
Gary Cohn é vice-presidente da IBM e um dos principais executivos de tecnologia dos Estados Unidos, líder na corrida para desenvolver inteligência artificial e computação quântica.
Indicando o quão seriamente os líderes empresariais estão encarando a crise, ele alertou que "invadir um país independente que faz parte da Otan" seria "passar dos limites".
Segundo ele, a Groenlândia ficaria feliz se os EUA aumentassem sua presença militar na ilha, num contexto em que o Atlântico Norte e o Oceano Ártico estão "se tornando muito mais uma ameaça militar".
Os EUA também poderiam negociar um acordo de "compra futura" para os vastos, porém em grande parte inexplorados, recursos de minerais de terras raras da Groenlândia, sugeriu Cohn.
"Mas eu acho que invadir um país que não quer ser invadido, que é parte de uma aliança militar, a Otan, me parece um pouco passar dos limites neste momento", afirmou.
Cohn sugeriu que o presidente pode estar exagerando suas exigências como parte de uma tática de negociação — algo que, segundo ele, Trump já fez com sucesso no passado.
"É preciso dar algum crédito a Donald Trump pelos sucessos que ele teve, e muitas vezes ele tentou ir além dos limites para conseguir algo em uma situação de compromisso", disse.
"Ele exagerou ao anunciar algo para, no fim, conseguir o que realmente queria. Talvez o que ele realmente queira seja uma presença militar maior e um acordo para comprar esses minerais."
O início do Fórum Econômico Mundial deste ano, em Davos, na Suíça, foi ofuscado pela postura cada vez mais agressiva do presidente em relação ao território ártico, com muitos líderes políticos e empresariais alarmados com o potencial impacto geopolítico e econômico. Trump deve discursar para os delegados no encontro na quarta-feira (21).
Embora Cohn tenha expressado reservas sobre algumas das ações do presidente, ele disse que o governo dos EUA tinha "vários motivos diferentes" para o que estava fazendo.
Ele afirmou que a decisão de Trump de intervir na Venezuela foi "um caminho" para prejudicar o relacionamento do país com a China, o maior mercado para seu petróleo, assim como com a Rússia e Cuba.
Cohn também acredita que o presidente passou a se concentrar cada vez mais na importância dos minerais de terras raras, observando que "a Groenlândia tem uma boa quantidade" desses recursos.
Esses minerais são fundamentais para o desenvolvimento da inteligência artificial (IA) e da computação quântica, que também são temas centrais em Davos.
G1








