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Quinta-feira, 16 de Abril de 2026

Formando pianistas e despertando talentos em Santa Helena: o trabalho artístico de Raquel Justus

Quando o assunto é arte, Raquel Justus tem conhecimento e experiência de sobra para compartilhar. Com apenas 6 anos, começou a fazer aulas de piano; aos 9, já se apresentava em recitais; e, aos 14, iniciou sua trajetória como professora, dando aulas em uma pequena sala nos fundos da escola de datilografia de sua mãe. Em pouco tempo, conquistou cerca de 20 alunos, muitos deles vindos da Casa da Cultura da cidade para aprender com ela. Ao começar a ganhar seu próprio dinheiro com as aulas, investiu também em outras linguagens artísticas, como desenho e pintura em tela. Desde então, nunca mais parou de tocar, pintar, desenhar e ensinar.

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A arte sempre esteve presente em sua vida, e, mesmo tão jovem, Raquel já havia definido o que queria para si. No entanto, ao chegar o momento de ingressar na faculdade, encontrou limitações. Em Toledo, cidade onde morava, não havia cursos na área artística. Sem a possibilidade de se mudar, formou-se em Serviço Social pela Unioeste.

Após o casamento, mudou-se para Cascavel, onde atuou como professora de artes em um colégio e de órgão eletrônico na Discolândia. Retornou a Toledo, dando aulas na Casa da Cultura e, posteriormente, voltou a Cascavel, onde abriu um ateliê de pintura e música. Após o divórcio, foi para São Paulo, onde permaneceu por 10 anos, se aprofundando em diversas áreas artísticas. Nesse período, estudou música e educação artística, explorando instrumentos como o piano e o saxofone, além de diferentes técnicas de pintura. Também atuou como professora de desenho e pintura em um colégio.

Em 2018, voltou a Cascavel e retomou as aulas de piano, com cerca de 20 alunos na cidade e outros 10 em Toledo. Raquel veio para Santa Helena durante a pandemia, em busca de mais tranquilidade. Aqui, sua atuação como professora começou de forma despretensiosa. Tocava piano em casa e, sem imaginar, rapidamente despertou o interesse dos vizinhos, que passaram a procurá-la para aulas. Assim, em 2022, iniciou suas atividades no município. Em pouco tempo, o número de alunos cresceu significativamente, a ponto de influenciar diretamente o cenário local, já que, apenas em sua rua, cinco famílias adquiriram pianos. Desde então, Raquel vem contribuindo para a formação de novos músicos e para o fortalecimento da cultura artística em Santa Helena.

 

No último ano, promoveu uma Noite de Gala na atual Biblioteca Municipal, antigo Cine Remondi, onde seus alunos se apresentaram ao público. Mais do que preparo técnico, a experiência exige também preparo emocional, já que os alunos sobem ao palco sozinhos e se apresentam de memória. O evento deve acontecer novamente neste ano, ainda melhor planejado e com alunos mais preparados. Para Raquel, acompanhar essa evolução é uma das partes mais gratificantes do seu trabalho. Ela destaca que os seus olhos brilham ao ver seus alunos se apresentando e produzindo música.

Com mais de 40 anos de experiência como professora, ela desenvolveu um olhar apurado sobre o processo de aprendizagem de cada aluno. Sua metodologia considera as particularidades individuais, adaptando o ensino à forma como cada pessoa assimila o conteúdo. Além das aulas de piano, também ensina pintura e desenho, sendo todas realizadas em sua própria casa. Os alunos são sua prioridade, o que se reflete em iniciativas como as colônias de férias, pensadas não apenas para o lazer, mas também para observar o comportamento dos alunos em grupo e compreender melhor suas necessidades.

Nesse sentido, Raquel busca integrar aspectos emocionais ao ensino, entendendo que cada geração aprende de forma diferente e que o professor também precisa estar aberto a aprender com seus alunos. Sua atuação abrange diversas faixas etárias, desde a musicalização infantil até os alunos da terceira idade, o que exige abordagens pedagógicas distintas. A música desempenha um papel importante no desenvolvimento cognitivo, estimulando conexões neurais e auxiliando na memória e na coordenação. No caso do piano, esse potencial é ainda mais evidente, por se tratar de um instrumento completo, que exige o uso simultâneo das duas mãos e estimula diferentes áreas do cérebro.

Hoje, mais do que tocar, o que Raquel mais gosta de fazer é ensinar. Para ela, compartilhar conhecimento é uma forma de contribuir com o mundo, mesmo que seja transformando, aos poucos, a vida de cada aluno que passa por suas mãos. A música, como ela acredita, faz parte de todos. Alguns apenas ainda não descobriram esse potencial. Seu trabalho não está apenas formando músicos, mas criando memórias, despertando talentos e deixando marcas que vão muito além das partituras.

Confira a coluna da Giovanna Mainard

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