Brasil | Silêncio brasileiro
Sábado, 03 de Janeiro de 2026
Governo brasileiro mantém silêncio, enquanto mundo repercute ataque militar dos EUA à Venezuela e captura de Maduro
Uma escalada sem precedentes de tensões internacionais marcou o início deste sábado (3), com o ataque militar em grande escala dos Estados Unidos militar contra a Venezuela, culminando — segundo a Casa Branca — na captura do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, que teriam sido retirados do país por forças norte-americanas.
O presidente Donald Trump, afirmou que a operação foi “bem-sucedida” e que seu objetivo era trazer Maduro à justiça. No entanto, os detalhes sobre o destino ou a condição de Maduro e da primeira-dama venezuelana permanecem obscuros, e autoridades do país exigem prova de vida e documentos oficiais sobre como e onde eles estão detidos.
Reações internacionais
Na Venezuela, o governo chavista classificou a ofensiva americana como “agressão militar criminal” e um “ataque imperialista” à soberania nacional, anunciando estado de emergência e chamando forças políticas e civis a se mobilizarem contra o que consideram um ato de guerra ilegal.
Outros países da América Latina já se manifestaram: Na Colômbia, o presidente Gustavo Petro denunciou os bombardeios e pediu reunião imediata no Conselho de Segurança da ONU para avaliar a legalidade da ação. Em Cuba, as autoridades rejeitaram veementemente o ataque, chamando-o de “terrorismo de Estado” e solicitando condenação internacional ao que chamou de violação de direitos humanos e soberania. Já na Argentina, o presidente Javier Milei celebrou a captura, chamando-a de avanço da “liberdade”.
Países da Europa e do Oriente Médio, como Rússia e Irã, além da União Europeia, também se posicionaram, condenando a ação.
Nos Estados Unidos, enquanto a Casa Branca defende a operação como uma ação para desmantelar o que chama de um regime envolvido em narcotráfico e terrorismo, parlamentares norte-americanos mostraram divergências sobre a legalidade da operação e a ausência de autorização formal do Congresso para ataques desse tipo.
Silêncio no Brasil
Um dos aspectos que mais chama a atenção na crise é a falta de manifestação oficial do governo brasileiro, apesar da gravidade do episódio e das implicações regionais para o Brasil, que faz fronteira com a Venezuela e tem interesses econômicos e estratégicos diretos no entorno.
Até o momento, nem o Itamaraty nem o presidente Luiz Inácio Lula da Silva emitiram declarações públicas sobre o ataque dos EUA ou sobre a captura de Maduro, seja para apoiar, condenar ou exigir explicações por meio de canais multilaterais como a ONU. Não há nota oficial publicada nas redes sociais presidenciais ou no site da chancelaria brasileira.
Por volta das 8h, foi divulgada a convocação de uma reunião de emergência, convocada pelo governo Lula, para debater a situação. O Itamaraty terá uma reunião ministerial ainda neste sábado para discutir ataque.
A ausência de posicionamento oficial contrasta com momentos anteriores da diplomacia regional, quando o Brasil se manifestou sobre tensões políticas e militares na Venezuela ou criticou intervenções externas em tempos recentes.
Especialistas em relações internacionais interpretam o silêncio como um sinal de cautela diplomática — possivelmente para evitar uma escalada direta entre Brasília e Washington —, mas apontam que tal estratégia pode ser percebida como uma falta de liderança em um tema de alta relevância para a segurança regional.
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Desdobramentos e perspectivas
Analistas alertam que a crise aberta com o ataque americano pode desencadear:
• Reações em cadeia na América Latina, incluindo pedidos formais de reunião de emergência da Organização dos Estados Americanos (OEA) e da ONU.
• Impactos econômicos e humanitários, com possibilidade de fluxos de refugiados e instabilidade em fronteiras.
• Debate global sobre legalidade de ações militares sem mandato de órgãos multilaterais, reacendendo discussões sobre soberania e ordem internacional.
Enquanto mais informações oficiais emergem, a falta de resposta brasileira é observada de perto por governos vizinhos e por entidades internacionais que esperam um posicionamento claro de Brasília diante de um dos eventos mais dramáticos do cenário político hemisférico em décadas.
AgênciaBrasil








