Internacionais | Dinastia ameaçada

Domingo, 12 de Abril de 2026

Hungria vai às urnas em eleição crucial que pode derrubar Orbán

A eleição é acompanhada de perto em países da Europa e de outros continentes, o que demonstra o papel preponderante que Orbán desempenha na política populista de extrema-direita em todo o mundo.

Orbán venceu as quatro últimas eleições parlamentares com ampla vantagem. A oposição fragmentada, somada ao controle político do premiê, ajudou a consolidar esses resultados.

Neste ano, o cenário mudou. Com a economia estagnada há três anos e o enriquecimento de uma elite ligada ao governo, Orbán perdeu força interna e viu o ex-aliado Péter Magyar ganhar espaço.

Magyar lidera o partido de centro-direita Respeito e Liberdade, conhecido como Tisza.

O opositor afirmou ter se inspirado em Orbán no início da carreira política, mas se afastou do premiê, passou a acusar o governo de corrupção e mudou de partido.

Magyar ganhou espaço ao prometer reaproximação com a União Europeia e aliados ocidentais — postura combatida por Orbán nos últimos anos. Ao mesmo tempo, ele busca apoio conservador ao defender a manutenção das políticas de combate à imigração ilegal.

O opositor também aposta em discursos voltados às redes sociais e em comícios com estética patriótica. Ao criticar o atual governo, passou a ser visto por apoiadores como alguém que "enfrenta o sistema".

O resultado foi um salto nas pesquisas. Segundo a agência Reuters, levantamentos recentes de institutos independentes colocam o partido de Magyar muito à frente da legenda de Orbán.

Uma estimativa baseada em cinco pesquisas de opinião realizadas entre fevereiro e março indica que o Tisza pode conquistar entre 138 e 142 das 199 cadeiras do Parlamento.

Com esse número, o partido da oposição alcançaria dois terços das cadeiras e poderia promover reformas constitucionais.

O Fidesz, de Orbán, deve conquistar entre 49 e 55 cadeiras. Já outro partido de extrema direita, conhecido como Mi Hazank, deve obter cinco ou seis assentos.

G1