Internacionais | Novos ataques
Sábado, 18 de Julho de 2026
Irã renova ataques contra países do Golfo após ofensiva dos EUA
Autoridades do Kuwait informaram que usina de geração de energia e dessalinização de água foi atingida; Guarda Revolucionária do Irã afirma ter destruído principal centro de inteligência artificial no Bahrein
O Irã lançou novos ataques contra aliados dos Estados Unidos no Golfo neste sábado (18), após a sétima noite consecutiva de ataques norte-americanos contra instalações militares iranianas.
As autoridades do Kuwait informaram que uma das usinas de geração de energia e dessalinização de água do país foi atingida por um ataque iraniano, causando danos, um incêndio e a interrupção de um grande número de unidades de geração de eletricidade. Mais tarde, o exército do Kuwait afirmou que estava respondendo a ataques de drones iranianos.
A Guarda Revolucionária do Irã afirmou ter atacado um depósito de drones americanos no Bahrein e destruído o principal centro de inteligência artificial do país com mísseis balísticos e drones.
A defesa civil da Arábia Saudita emitiu alertas antecipados, os primeiros em vários meses, em pelo menos dois locais, mas ainda não havia relatado nenhum dano. No início da guerra, o Irã atingiu algumas instalações de energia do reino rico em petróleo.
A agência de notícias estatal IRNA informou que a Marinha iraniana disparou um míssil de cruzeiro terra-mar contra o que chamou de embarcação hostil dos EUA no norte do Oceano Índico. O Exército iraniano afirmou que o lançamento do míssil causou "medo e pânico" e forçou a embarcação a sair do alcance da Marinha iraniana.
Ambos os lados também visaram o tráfego marítimo, com os EUA afirmando que estavam aplicando um bloqueio naval, enquanto o Irã disse que tinha como alvo embarcações que violassem suas regras de navegação no Estreito de Ormuz.
Os preços do petróleo subiram mais de 4% na sexta-feira (17), atingindo o nível mais alto em mais de um mês, aumentando a pressão política sobre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, enquanto seu Partido Republicano tenta se manter no poder nas eleições legislativas de novembro.
Washington e Teerã têm testado os limites da escalada desde que seu acordo de cessar-fogo entrou em colapso na semana passada, aumentando a possibilidade de um retorno à guerra total.
O Comando Central das Forças Armadas dos EUA afirmou ter concluído sua mais recente rodada de ataques, atingindo locais de vigilância, infraestrutura logística militar, depósitos subterrâneos de armas e instalações marítimas.
"As forças americanas empregaram aeronaves de combate, drones aéreos e navios de guerra, além de outros recursos", afirmou o Comando Central em um comunicado. "Mais de 50.000 militares americanos estão operando no Oriente Médio e permanecem vigilantes, letais e prontos para o combate."
A mídia iraniana informou no sábado (18) que vários mísseis atingiram instalações de energia e bombas de dessalinização na cidade de Jask, no sul do Irã, citando uma autoridade local. A autoridade disse que o abastecimento de água potável foi interrompido em vilarejos de Jask devido ao ataque.
Os EUA afirmaram que suas forças redirecionaram quatro navios mercantes, desativaram um e abordaram outro para impor o bloqueio naval ao Irã.
Por sua vez, a Guarda Revolucionária do Irã afirmou que quatro embarcações que violavam as normas de tráfego marítimo foram impedidas de atravessar o estreito em uma operação conjunta com mísseis e drones.
Além disso, a mídia iraniana, citando a Guarda Revolucionária do Irã, noticiou que dois petroleiros explodiram e pegaram fogo após passarem por uma rota minada ao sul do estreito. Os militares dos EUA classificaram essa notícia como falsa.
Homens armados apreenderam mais uma embarcação perto do Iêmen, aumentando a preocupação com a segurança em outro importante ponto de estrangulamento do Oriente Médio para o transporte de petróleo, na entrada do Mar Vermelho.
A televisão estatal iraniana citou a Guarda Revolucionária dizendo que, enquanto a "agressão" dos EUA não terminar, não será possível exportar fertilizantes químicos ou sequer uma "gota de petróleo e gás" da região.
Preocupação com a infraestrutura
O secretário-geral da ONU, António Guterres, manifestou preocupação com a escalada da violência, em particular com os "ataques à infraestrutura civil no Irã e em toda a região", afirmou seu porta-voz.
O Comando Central das Forças Armadas dos EUA afirmou que seus alvos incluíam "infraestrutura logística militar", sendo esta a primeira vez que mencionou infraestrutura em mais de uma semana.
A mídia iraniana noticiou ataques inimigos na madrugada de sábado (18) na província costeira de Hormozgan, no lado iraniano do Estreito de Ormuz. A TV estatal informou que três pessoas morreram e oito ficaram feridas, além de duas pontes e um túnel rodoviário terem sido danificados.
Na sexta-feira (17), a mídia estatal iraniana informou que pelo menos cinco pontes foram atingidas no sul do país em ataques realizados pelos EUA. Sete pessoas teriam morrido em ataques contra pontes no porto de Bandar Khamir, no sul do país, onde uma estação ferroviária também foi atingida. Um aeroporto teria sido alvo de um ataque mais a leste, longe da costa, em Iranshahr, província que faz fronteira com o Paquistão.
Trump ameaçou lançar ataques aéreos em larga escala contra a infraestrutura do Irã e também se recusou a descartar um ataque terrestre à costa ou às ilhas iranianas. Autoridades americanas afirmaram que os ataques ao sul do Irã visam, em parte, dar opções a Trump .
Essas ações correm o risco de provocar um ataque do Irã à infraestrutura vital de estados vulneráveis do Golfo, ou de levar seus aliados no Iêmen a interromper ainda mais o fornecimento global de energia, atacando navios no Mar Vermelho.
CNN








