Esporte | Grêmio
Domingo, 15 de Março de 2026
Luís Castro almeja levar Grêmio ao patamar de Flamengo e Palmeiras no futuro: "Chegar e ficar"
Campeão gaúcho, português vê Sul-Americana como caminho para "falar coisas boas" em 2026 e diz que Grêmio tem dimensão para ser clube que brigue por títulos todas as temporadas
Da janela de casa, Luís Castro encontrou uma ligação com o Grêmio. Do sétimo andar de um prédio no Moinhos de Vento, o técnico enxerga o Parcão, parque que leva o nome do bairro e foi local do primeiro estádio do Tricolor. Uma conexão entre o passado dos dias da Baixada com o presente e um dos pilares para o futuro do clube, que o treinador quer que seja de briga por títulos.
O português de 64 anos é o fiador do projeto de futebol da gestão do presidente Odorico Roman. Até agora, em três meses, o trabalho deu frutos. Além do esperado. Uma equipe reconstruída e com taça no armário. Castro diz que ainda é cedo para alçar voos maiores. Mas vê no Grêmio essa capacidade. Quer consolidar um projeto que coloque o Tricolor ano após ano nas cabeças do Brasileirão.
Mais importante não é só chegar. É chegar e ficar. Lutar sempre para ganhar, porque o Grêmio tem dimensão para ser esse clube. Tem uma dimensão enorme. Organizando bem, tendo uma boa base, um bom elenco e tendo uma boa visão, o Grêmio pode chegar.
— Luís Castro
Mais do que vencer o Gauchão, o Grêmio atropelou o Inter na trajetória até o título. Um 3 a 0 na Arena e um jogo de volta no Beira-Rio sem sustos. Os passos dados até aqui foram firmes suficientes para superar as primeiras turbulências. As dúvidas da torcida antes dos Gre-Nais não assustaram Castro, acostumado a navegar por mares turbulentos durante os seus 53 anos no futebol. O técnico concedeu entrevista para o jornal Zero Hora e detalhou os meses vividos em Porto Alegre.
Confira a entrevista
Como o senhor tem se adaptado aqui à vida porto-alegrense?
Primeiro dizer que é um prazer estar em Porto Alegre, de forma mais particular no Grêmio. Desde os meus primeiros momentos no Grêmio e na cidade, me sinto em casa. As pessoas muito acolhedoras, muito simpáticas, muito atenciosas, sempre muito educadas comigo e isso tem me deixado particularmente feliz. Sou, como se diz, um cidadão do mundo. E que se sente muito bem em Porto Alegre.
A rotina é puxada para os profissionais do futebol, mas já conseguiu aproveitar algo da cidade?
Sou uma pessoa como todas as outras. Tenho a minha rotina diária, tenho as minhas necessidades, tenho as coisas que gosto de fazer e as coisas que não gosto de fazer. Eu gosto de sair à rua, de estar na cidade e me envolver, gosto de caminhar nas ruas, de ir ao supermercado, vou à farmácia, vou àquilo que me envolve, vou àquilo que tenho necessidade.
Grêmio e Inter são mais que clubes de futebol aqui. Já se adaptou?
É, em todo em todos os países há rivalidades. Umas mais acentuadas que outras e não podemos esconder que há uma rivalidade muito grande entre o Inter e o Grêmio. O que eu acho que é bom, promove o desenvolvimento. Agora tem de ser aproveitada, penso eu, no bom sentido. No sentido de as equipes e os clubes se desenvolverem mesmo. Porque uma rivalidade boa tem de projetar as equipes para o patamar superior das tabelas.
Já me peguei pensando o porquê que o Grêmio, com toda esta dimensão, e o Inter também com a dimensão que tem, porque é que as equipes em determinadas épocas entram em problemas e entram em dificuldade. Essas rivalidades muito fortes obrigam os clubes a se desenvolver. E a minha reflexão é essa. Por que os clubes ainda não conseguiram aproveitar para se desenvolverem de tal forma que fiquem num ponto sempre mais alto. Me falta entender isso. A rivalidade entre as instituições deixa a cidade muito viva, muito atenta e o tema muito presente no dia a dia.
Entende que essa rivalidade é igual a que existe entre outros clubes?
Não. Na minha opinião, é mais intensa (a rivalidade). Vivi Shakhtar e Dinamo de Kiev, também uma rivalidade muito forte na Ucrânia. O Porto x Benfica é uma rivalidade muito grande também em Portugal. O Botafogo com os clubes do Rio, com o Vasco, com o Fluminense, com o Flamengo, também uma rivalidade forte. E em outros países também. Al Nassr com o Al Hilal, na Arábia Saudita.
Mas são dimensões totalmente diferentes. Umas mais, outras menos, mas rivalidades acentuadas. Mas esta é aquela que se sente mais a presença de tudo e de todos no dia a dia. Não é preciso haver um Gre-Nal para ver o tema Inter x Grêmio. Isso é o que mais é o que mais surpreende, mas não é uma surpresa negativa. É surpreendente pela forma como as pessoas vivem de forma intensa os dois clubes e como tomam a conta da vida delas.
E essa paixão auxilia ou atrapalha no vestiário para a partida?
Os clássicos que têm um impacto muito forte no país e na região, eles se vivem de forma muito forte dentro de nós. São jogos de grande impacto que o vestiário fica todo extremamente atento e se sente tensão nos dias que antecedem e se sente no Gre-Nal. É uma dimensão muito forte.
São jogos que ultrapassam muito o lado tático, o lado técnico, o lado físico, vão para um patamar muito alto naquilo que é a dimensão psicológica e a mente ali tem que resistir, temos que nos preparar, porque sinto que muita coisa é montada à volta do jogo antes de ele acontecer. Há jogo antes, há jogo durante e há jogo depois. O Gre-Nal se estende por muito mais do que é normal nos outros clássicos.
Como é que o técnico europeu enxerga o futebol brasileiro?
É o país do futebol. Desde muito cedo se olha para o Brasil como o país do futebol. Se percebe que ali o futebol é com tudo aquilo que o futebol deve ter. Com jogadores bons, com torcidas entusiasmadas, com uma cobertura muito grande, envolvimento, tudo aquilo que o futebol deve ter, existe. Então, olha-se para o Brasil como um destino que pode acontecer na nossa vida e como aconteceu na minha.
O calendário é o fator que mais afasta a realidade do futebol brasileiro ao europeu?
As ligas que têm 20 clubes que jogam Champions ou Liga Europa, que jogam a Copa e outra como a Taça da Liga em Portugal, também tem muitos jogos. O Brasil consegue ter um pouco mais, mas não de uma forma muito acentuada. E o futebol hoje é isso, hoje o futebol é um produto que é muito vendável e as pessoas não passam sem consumir o futebol.
As marcas sabem que o futebol é consumido por milhões e milhões de pessoas. Então tem que haver jogo. Tem que haver jogo todas as semanas, três jogos por semana, porque ele é consumido. Os clubes têm que se preparar para isso. Não se pode ter só um elenco. Tem que ter dois elencos dentro de um. E tem que ser elencos homogêneos. Os clubes têm sucesso quando conseguem encontrar um equilíbrio entre dois elencos dentro do próprio elenco. O mundo quer isso. O mundo não passa sem isso. Não adianta nós dizermos que são muitos jogos, não vai haver hipótese nenhuma de reduzir o número porque as pessoas não deixam. Um consumidor quer jogos. Só nos resta, profissionais do futebol, adquirirmos as dinâmicas necessárias para responder a esse apelo.
De onde surgiu sua relação com o futebol?
Vem de criança. De uma relação com a bola. Eu e a bola, e bola e eu. Se não tenho colegas para jogar, jogo contra a parede. Se não tenho colegas para jogar na praia, brinco com a bola. Aos 11 anos chego de forma oficial. Sou inscrito por um clube, o Vieirense, da vila onde eu vivia. Desde os 11 até aos 64, tenho 53 anos de futebol. Nunca mais larguei. Só aos 17 anos entrei no mundo do profissional de futebol, joguei até aos 35. Mal terminei o meu primeiro ano, a minha carreira de profissional, fui logo ser treinador principal. Não quis ser treinador adjunto de ninguém. Gosto de liderar, liderava, fui capitão em todas as equipes por onde passei. São 53 anos de vestiário, uma relação ótima com o futebol. Amo o futebol.
Sente-se acolhido no Brasil pela comunidade do futebol sendo estrangeiro?
Não é segredo aquilo que eu vou dizer. Eu adoro o Brasil. Sinto-me bem aqui, como se estivesse em casa, pela língua, pelos costumes, pela cultura, pela paixão pelo futebol. Mesmo, se calhar, uma coisa que vai ser estranha. Pela mídia, gosto. Gosto do segundo jogo. Gosto do jogo e depois gosto do segundo jogo, que é a coletiva. E procuro estar na mídia com grande respeito. Mesmo não sentindo, às vezes, tanto respeito assim em determinados momentos. Entendo tudo.
No futebol, para mim não tem segredos. Entendo se você tiver um programa onde você está a falar mal de mim de uma forma menos respeitosa, eu entendo. Já percebi tudo. Não é por ser mais inteligente que ninguém, mas sei qual é a dinâmica do futebol. Sou privilegiado no futebol. A maioria das pessoas no mundo, milhões e milhões de pessoas, vivem tão aquém daquilo que deveriam ter em cada segundo da sua vida. Não me queixo de nada. Dizer "ah, mas a mídia é muito agressiva". Mas tantas outras coisas são tão mais agressivas que isso. As pessoas não aguentam e têm de aguentar. Não me queixo. É aqui que me sinto bem.
O que espera na Copa do Mundo?
A Copa é o maior torneio de seleções do mundo. Onde existe um entusiasmo incrível e onde há o cruzamento de culturas de forma permanente. Torcedores que cruzam um pelo outro e falam sobre seus países, o que enxergam em campo. Vou olhar para ela como paixão muito grande, esperando que seja um sucesso. Onde normalmente revelam-se sempre jogadores jovens. Espero que se revelem mais ídolos para o mundo. A nível do futebol é a expressão máxima.
Gostaria de ver o Neymar na Copa?
Eu não vou responder com respeito ao meu colega Ancelotti. Ele é que sabe. É pago para isso. Eu sou pago para treinar o Grêmio. Ele é pago para treinar a Seleção.
O senhor gosta de ver esse processo de construção de um time que o Grêmio está passando?
Adoro. Tenho uma paixão. A primeira coisa que eu pergunto quando tenho reuniões com os clubes é qual é a visão que tem para o clube. Se é uma visão apaixonada, que inclui a base e um progresso de instalações. Uma visão que inclui uma nova organização em que todos estão envolvidos e fazem realmente parte desse processo.
Quando fui para o Botafogo, já tinha questionado o John Textor a esse respeito. Ele me respondeu de forma positiva que era esse o clube que ele queria, era isso a paixão dele. Ok, agora voltei a ouvir outra vez. O presidente Odorico e toda a sua estrutura dizer que é isso que gostaria de ser. Eu disse ok, mas tem consciência que é um caminho complexo, perigoso. É uma obra que eu gosto.
Mas e como "navegar" no Grêmio deste momento?
O departamento de comunicação tem a obrigação de comunicar para toda torcida qual é a visão do clube. Qual é a travessia do clube ao longo deste tempo até atingir um equilíbrio que levará às conquistas. É um trajeto perigoso, em que estamos a entrelaçar os jogadores da base com os jogadores mais experientes. Estão a chegar muitos jogadores. Vão embora muitos jogadores. Um novo modelo de jogo a ser posto em prática e ainda não nos conhecemos bem uns aos outros. Tenho a consciência que com o futebol de hoje e a forma como as pessoas consomem futebol, que muitas vezes não consomem futebol, só consomem resultados... Tenho a consciência que a minha participação no projeto pode terminar de forma abrupta.
O senhor sentiu, por exemplo, esse risco de chegar a essa possibilidade antes das finais do Gauchão?
Claro, mas é aí que nós deitamos mão dos nossos 53 anos de futebol. E olhamos tudo aquilo que passamos, que nós construímos na nossa vida e o nosso processo. Joguei 24 anos. Sou treinador há 29. É aí que eu olho e penso, se passaste isto, se passaste aquilo, se passaste aquilo, se acreditaste, se quiseste em frente. Eu comecei na 4ª divisão. Quando se começa na 4ª divisão, a dificuldade não é a torcida que pressiona. É a condição de trabalho. Como é que eu um dia vou chegar onde eu quero? Quero um dia chegar até a Champions League. Tudo é montanha. Tudo é difícil. O dia a dia, nós queremos que cada ano possamos crescer 10, mas não é possível. Como na vida, nós não podemos queimar etapas. Olhando isso nesses momentos difíceis, pensamos que tudo é possível. É capaz de quase chegar ao limite. Mas se nunca desististe, Luís, não vais desistir agora. Agora, com todos esses anos, vais ter que continuar. E é isso. Atiro-me ao trabalho. Aí percebo mais uma vez e percebi mais uma vez que o meu grande aliado é o trabalho.
Incomodou ter ouvido tantas perguntas sobre usar um camisa 10 no time?
Não. Gosto das perguntas que me levam a refletir. A reflexão é que nos leva à decisão. Percebo essa questão quando me falam do camisa 10. É um meia ofensivo, que receba, que passe bem e que tenha gols. Não quero um camisa 10, quero dois camisas 10. Quero um volante que suporte esses dois camisas 10, para que eles consigam chegar à frente, que façam o último passe.
Hoje em dia, se uma equipe só tiver um camisa 10, é pouco. Não serve para alimentar um ataque de três homens mais à frente. Tem que ser dois, porque nós atacamos por três corredores. Um homem não alimenta três corredores. Dois médios com características de alimentar o último terço, para alimentar os três homens de frente. Quero ainda mais que o camisa 10 que vocês querem. Eu quero dois.
E onde o senhor encontrou o equilíbrio atual da equipe?
Quando nós estávamos a jogar com dois volantes, a anarquia do meio-campo era total. Não nos dava conforto, não dava calma, não dava paz. A equipe permanentemente estava a ser agredida na linha defensiva. Então, nós queríamos atacar muito com o homem da posição 10 e estávamos sofrendo. Quando um camisa 10 só não é suficiente, vai acontecer que os dois homens jogam por trás dele, vão avançar. Ou correm de forma coordenada, ou abrimos espaços por todo o lado para os outros. Nós estávamos a saltar com os dois, sempre a tentar também chegar à frente com os dois. Quando perdíamos a bola, a equipe estava desequilibrada. Eu existo no clube para tomar decisões. E estou tomando decisões que uns dias vão achar que são muito erradas, outros dias vamos achar que estão muito certas, em função daquilo que é o resultado. Mas além do resultado, tenho que analisar aquilo que é a produção da equipe.
Com data Fifa e parada para a Copa do Mundo pela frente, qual o planejamento do Grêmio?
Não é assustar ninguém, é a realidade. São fatos. O caminho do Botafogo no final do primeiro ano foi que ficamos em décimo e conquistamos a vaga na Copa Sul-Americana. Esse foi o nosso caminho de transformação do clube, daquilo que foi um processo de construção de uma nova equipe para conquistas.
No segundo ano entramos fortes, temos a melhor pontuação do primeiro turno, e a equipe que se formou. Agora dizer se vai ser igual, se vai ser diferente, o ser humano e a ligação entre seres humanos é algo que é muito difícil, é algo que é muito complexo. Nós não temos varinha mágica para dizer quando é que 30 mentes diferentes, 30 personalidades diferentes, a forma como vão se ligar é exatamente da mesma forma como se ligaram no outro lugar. Isso não existe.
No último jogo (Bragantino), faltaram algumas peças e o barco balançou todo. Foi o nosso melhor jogo em transição. E foi o nosso, talvez, dos nossos piores jogos a ter que sofrer em bloco baixo. Dentro do mesmo jogo, aconteceram diferentes coisas. E porquê? Porque, nãosó pela questão física, mas porque falta uma outra coisa na equipe que, neste momento, se revela como decisiva no seu processo de crescimento.
O senhor entende que o caminho mais viável de um título para o Grêmio é nas copas?
Acho que ainda temos que percorrer muito caminho e fazer muito trabalho e nos organizar muito. Colocarmos a equipe em outro patamar para falarmos em coisas maiores. Acredito que vamos fazer bem. Tenho a convicção que vai ser um ano em que vamos ter coisas boas a falar na Copa Sul-Americana. Depende muito de um sorteio.
A Copa do Brasil vai depender muito daquilo que vamos ser e o que serão os outros. Se me perguntassem, queres ganhar? Quero ganhar a Sul-Americana, a Copa do Brasil e o Brasileirão. Mas entre o meu querer e o ser, há um caminho muito grande. Se dependesse só do nosso trabalho, estávamos lá. Mas há o trabalho dos outros, o respeito pelos outros. Um clube da Série B, de média dimensão, pode ganhar uma copa. Em Portugal se diz que a taça é do povo. Quer dizer que todos estão na disputa, qualquer um pode vencer. É possível, há esperança, muita vontade. Ganhar um troféu é a vida dos jogadores, dos técnicos e dos clubes.
No estágio atual do Grêmio, é viável disputar em um mesmo patamar de Palmeiras e do Flamengo?
O mais importante não é só chegar. É chegar e sustentar, ficar. Isso é que é difícil. Chegar e ficar nesse patamar. Porque chegar lá e em um ano disputar um título de Brasileirão, acontece. De vez em quando chega lá acima um clube, ganha e cai. Mas é isso que as instituições querem? Ou é chegar e ficar? É melhor ficarmos muitas vezes em sexto, depois quinto, depois quarto, e chegar lá e ganhar.
Ficar lá e lutar sempre para ganhar, porque o Grêmio tem dimensão para ser esse clube. O Grêmio tem uma dimensão enorme. O Grêmio tem uma torcida entusiasmada, é fantástica a energia que passa da torcida para dentro do campo. Organizando bem, tendo uma boa base, um bom elenco e tendo uma boa visão, o Grêmio pode chegar.
Qual é o planejamento para utilizar Braithwaite?
Utilizar os jogadores de forma a eles emprestarem qualidade ao time, ao jogo. Ele ainda está numa fase muito inicial da chegada ao elenco, ele é da posição 9. É centroavante. Disputará a posição com o Carlos Vinícius. Irá lutar por uma posição dentro do 11 titular.
O senhor entende o Villasanti como volante ou para jogar como um médio mais adiantado?
Vários jogadores podem jogar ali. Eles gostam muito de jogar ali porque têm proteção por trás do volante. E têm liberdade de chegar à frente, de envolver pelo corredor direito, pelo corredor central. Têm muita liberdade. Eles gostam muito de jogar ali. São posições muito desgastantes. Vai depender muito de como o Villasanti chegará da recuperação. Ele tanto pode jogar na posição de volante, como na posição de meio. Mas, claramente, é um armador de jogo. Os jogadores hoje em dia estão muito prontos para desenvolver as tarefas, desde que tenham qualidade e visão de jogo. Qualidade técnica, tática e visão de jogo. Eles podem jogar mais à frente ou mais atrás.
O Grêmio deu muitas oportunidades a jovens em 2026. Veremos mais disso?
Mais meninos estão chegando para a equipe principal, com boas perspectivas para o futuro. Mas é isso, o ano é muito complexo por isso, porque ao mesmo tempo que temos de abrir espaço, há jogadores que ainda não estão prontos, mas eles precisam de competição para ficarem prontos.
Mas o Grêmio precisa de resultados para entregar para torcida e diretoria. Portanto, este equilíbrio é que é muito difícil. Muitas vezes saímos muito penalizados por aquilo que é o atrevimento de colocar os jovens na equipe, mas eu gosto desse atrevimento e eu assumo esse risco. Assumo o risco, não tem problema. Eu gosto da base, gosto do projeto. Vou com o projeto para frente. Há jogadores muito interessantes.
Essa é uma filosofia que surgiu da onde? Onde surgiu essa perspectiva de que o caminho para o futebol é posicionar com meninos também?
Vivi isso no Shakhtar, quando tive o Tetê, o Solomon, o Marcos Antônio, o Vitão, o Dodô, jogando com o Taison, com o Marlos, com o Júnior Moraes. E percebi que as energias que os meninos mais novos trazem, entrelaçadas com aquilo que é a experiência dos jogadores que já têm muitos jogos, é uma mistura muito interessante. Ali havia o mesmo espaço. Como eu já vinha da base durante vários anos e entendia os jogadores jovens de uma determinada forma, percebi ali que tudo era realmente possível e fiquei bastante interessado e conectado a esse caminho.
Um menino que começou bem o Gauchão, mas oscilou, foi o Tiaguinho. O senhor entende que ele tem qual o espaço nesse contexto atual do Grêmio? Ele vai também disputar uma posição nessa segunda linha?
Há contextos facilitadores e há contextos muito difíceis. Teve um contexto mais facilitador e eu quis ver até onde é que ele ia em contextos mais difíceis. No contexto mais difícil, manifestou uma ou outra dificuldade que nós estamos trabalhando. Ele irá aparecer no momento certo para voltar a ter um progresso. Agora, não podemos expor os jogadores que não estão preparados para determinadas dimensões, em prejuízo deles e da equipe.
Enquanto ele se prepara de uma determinada forma, o Mec é de outra, o Viery foi de outra, em função daquilo que são as características de cada um, sabendo de cada um deles vai chegar em tempos diferentes. Olho para o Tiago e penso: Tiago, de uma forma muito imediata, sem uma reflexão muito profunda, talvez quando tiver os seus 22, 23, seja um Arthur. Um jogador que marca, que passa, que resiste, que lê bem o caminho para dar a bola, que tem técnica para aguardar sem ser desarmado. Portanto, todos têm os seus timings, o que nos interessa é deixá-los de uma forma livre, tranquila, que vão dar no futuro uma boa resposta para aquilo que nós queremos deles.
Temos um outro clássico Gre-Nal em breve. Como será esse ambiente?
Cada jogo é um jogo. Acho que todos nós temos a capacidade de perceber o que é que fizemos bem e o que é que fizemos mal. Isso é o que nos faz evoluir. Acho que as cenas de violência, as cenas de intimidação, as cenas menos próprias, elas certamente não serão repetidas. Eu olho sempre para o futebol em uma perspectiva muito positiva. Aconteceram coisas que talvez não devessem ter acontecido, mas já passou, já está de lado, as pessoas entendem, o ser humano existe para se entender.
Para se sentar, para falar, para reconhecer e para seguir em frente. Acho que vai ser um jogo extremamente competitivo, vai ser um jogo muito forte, vai ser um jogo muito intenso. Nos dias que antecedem, só vão falar do Gre-Nal. Depois que ele for disputado, também vão falar muito dele. Vai ser o que foi sempre. Cada jogo tem uma vida. E esse Gre-nal cabe a ter uma vida própria diferente de todas as outras.
Qual é a marca que o Luís Castro gostaria de deixar para o Grêmio?
Eu gostaria de ser lembrado no Grêmio como gostaria de ser lembrado pelas pessoas quando um dia eu partir, quer da vida, quer do Grêmio. Quero ser olhado como uma pessoa, muito mais que um treinador. Olharem para mim como uma pessoa que ama o que faz, se entrega por completo e que respeita tudo e todos. No fundo, ser olhado como um profissional digno, honesto e um profissional de respeito.
GE








