Brasil | 12ªMarcha das Mulheres Negras

Domingo, 19 de Julho de 2026

Luta contra o racismo marca a 12ª Marcha das Mulheres Negras no Rio

Encontro será realizado no próximo dia 26 em Copacabana

"Nós estamos mobilizando mulheres de São Francisco de Itabapoana, Cantagalo, Niterói, Baixada Fluminense e de diversas regiões do estado. A expectativa é reunir entre 10 e 15 mil mulheres em Copacabana."

Mais do que participar de um ato público, a proposta é que essas mulheres retornem aos seus municípios fortalecidas para criar fóruns locais, ampliar o diálogo sobre racismo e pressionar o poder público por políticas voltadas à população negra.

A escolha de Copacabana para sediar a marcha também carrega um significado político. Rose Cipriano explica que o bairro representa um espaço historicamente marcado por desigualdades raciais e sociais.

"Muitas mulheres negras trabalham em Copacabana como empregadas domésticas e assistem à marcha das janelas dos prédios onde trabalham. Marchar ali é disputar esse território e mostrar que ele também pertence à população negra."

"Nós estamos mobilizando mulheres de São Francisco de Itabapoana, Cantagalo, Niterói, Baixada Fluminense e de diversas regiões do estado. A expectativa é reunir entre 10 e 15 mil mulheres em Copacabana."

Mais do que participar de um ato público, a proposta é que essas mulheres retornem aos seus municípios fortalecidas para criar fóruns locais, ampliar o diálogo sobre racismo e pressionar o poder público por políticas voltadas à população negra.

A escolha de Copacabana para sediar a marcha também carrega um significado político. Rose Cipriano explica que o bairro representa um espaço historicamente marcado por desigualdades raciais e sociais.

"Muitas mulheres negras trabalham em Copacabana como empregadas domésticas e assistem à marcha das janelas dos prédios onde trabalham. Marchar ali é disputar esse território e mostrar que ele também pertence à população negra."

Clatia Vieira reforça que ocupar a Zona Sul é uma forma de denunciar o racismo estrutural presente na organização da cidade: "É nessa Copacabana opressora que a gente precisa dizer o que acontece com as mulheres negras. É um território de disputa e de denúncia."

Marcha é um ato contra o racismo

Ao longo de sua trajetória, a Marcha das Mulheres Negras tornou-se um dos principais espaços de articulação política do movimento negro feminino no estado. Para Clatia Vieira, a mobilização nasceu para enfrentar o racismo estrutural e denunciar as desigualdades vividas diariamente pelas mulheres negras.

"A Marcha é, antes de tudo, um ato político de denúncia ao racismo. A gente denuncia como as mulheres negras vivem, como são submetidas às desigualdades e como o racismo estrutural coloca essas mulheres em situação de ausência de políticas públicas. Quando falamos de reparação, estamos falando de dividir poder, garantir que as mulheres negras ocupem os espaços de decisão e sejam ouvidas".

E ainda "também estamos falando da defesa da democracia, do enfrentamento ao racismo, do fim da escala 6x1, da defesa da PEC da Reparação, da luta contra a redução da maioridade penal, do direito à saúde, à educação, ao trabalho digno e à vida. São pautas construídas pelas próprias mulheres negras e que expressam a realidade de quem sente diariamente os efeitos do racismo."

Ela destaca que a marcha também se diferencia por ser construída horizontalmente. "A Marcha das Mulheres Negras não tem dona. Ela é pensada por mulheres negras, para mulheres negras e com mulheres negras. Todas têm direito à fala. Quando chegamos à marcha, ninguém vai apenas bater palma. Cada mulher leva sua voz, sua experiência e sua luta."

Embora seja um ato político, a marcha também incorpora manifestações culturais que fazem parte da história da população negra. Durante a concentração e ao longo do percurso, haverá apresentações de jongo - também chamado de caxambu - dança e ritmo afro-brasileiro, samba, feira de artesãs, atividades para crianças e manifestações ligadas às religiões de matriz africana.

Segundo Clatia , esses elementos representam a ancestralidade que sustenta o movimento. "Ato de gente preta é ato de aquilombamento. Tem jongo, tem samba, tem ancestralidade, tem cultura. A nossa história vem da África e essa memória faz parte da nossa resistência."

A coordenadora também chama atenção para a importância da imprensa na divulgação das pautas do movimento. Para ela, ampliar a visibilidade da marcha significa enfrentar a invisibilidade histórica das mulheres negras.

"É muito importante contar com os meios de comunicação. A gente liga a televisão e quase nunca vê as nossas histórias ou as nossas pautas. A marcha não é apenas um encontro. Ela denuncia o racismo, fortalece a organização das mulheres negras e mostra que seguimos lutando por respeito, igualdade e pelo direito de viver com dignidade."

Agência Brasil