Esporte | Gabriel Medina
Quinta-feira, 02 de Abril de 2026
Medina projeta retorno ao circuito da WSL após lesão: "Pronto para surfar"
Tricampeão mundial se diz preparado para disputar a primeira etapa do Championship Tour em Bells Beach, na Austrália
Recuperado de uma grave lesão no ombro, Gabriel Medina está de volta ao Circuito Mundial da World Surf League (WSL). O surfista brasileiro projetou o retorno à competição e o início da temporada, que terá a primeira etapa em Bells Beach, na Austrália.
“Eu estou feliz e preparado para os próximos desafios. Esse ano os moleques estão surfando demais, então a gente vai ter que surfar muito mais. Mas eu gosto de pressão”, afirmou em entrevista coletiva no sábado (30). “Fiquei me preparando pra este momento que eu estou vivendo agora, que é Bells. O primeiro surfe. Eu só pensava em estar bem para a primeira etapa."
A abertura do Championship Tour estava prevista para a última sexta-feira (31), mas a WSL adiou o início devido às condições desfavoráveis do mar. A próxima chamada está marcada para esta quinta-feira (2), e Medina entra na água na 14ª bateria do Round 2 para enfrentar o mexicano Alan Cleland.
O atleta de 32 anos também mira mais um título mundial. Já tricampeão, o brasileiro destacou a motivação para alcançar um novo feito na carreira. “Eu sempre quis ser três. Mas toda hora a gente alcança um objetivo e quer criar outro. Então esse é o meu objetivo agora. E me botaria em uma posição que não tem muita gente. Isso me deixa ainda mais motivado pra tentar e dar o meu melhor.”
Kelly Slater, 11 vezes campeão da WSL, e Mark Richards, com quatro títulos, são os únicos surfistas da categoria masculina a alcançar ou superar a marca de quatro conquistas mundiais.
Gabriel também comentou a inclusão da etapa de Raglan, na Nova Zelândia, no calendário da temporada. Conhecida pelas longas ondas de esquerda, a parada será a quarta do Championship Tour e substitui Jeffreys Bay, na África do Sul. O evento está previsto para ocorrer entre 15 e 25 de maio, dentro de um calendário que vai de abril a dezembro.
“Eu fui para a Nova Zelândia quando tinha 15 anos, com o Miguel Pupo, competir um Qualifying Series (QS). Na volta do QS paramos pra surfar essa onda, que era em Raglan. Fui conhecer. Era uma esquerda e estava cheio de gente", contou.
"Todos que eu encontro que também já foram lá falam que a onda é um pouco difícil. É uma esquerda mas é um pouco difícil. Ela não é tão definida, então varia muito. Mas independente de como ela é, é uma esquerda, e eu já estou feliz por isso. Porque a gente sempre vai pra direita, e na esquerda dá pra desenrolar", celebrou.
De acordo com o presidente da liga na América Latina, Ivan Martinho, a reconfiguração do circuito atende a um pedido dos atletas por maior diversidade de ondas ao longo da temporada. Ele afirmou que a inclusão de Raglan amplia o nível de exigência técnica e exige mais versatilidade dos competidores.
“Até então, o circuito tinha predominância de ondas de direita. Trazer um pico de esquerda era um pedido dos surfistas, especialmente os goofy”, disse Martinho em entrevista à CNN. “O desafio do tour é a regularidade. No surfe, o fato de um atleta ser bom em Saquarema não garante que ele seja bom no Taiti ou na Nova Zelândia. Quem consegue ser mais regular em ondas diferentes ao longo do calendário é aquele que se sagra campeão mundial."
“Eu estou animado, tem Raglan, tem Fiji, tem bastante esquerda no circuito e, como falei, quero surfar bastante esse ano. Eu só penso que quanto mais eu passar, mais eu vou ter a oportunidade de surfar só com mais um ali na água. Então vamos embora. Estou pronto pra surfar", ressaltou Medina.
O surfista também falou do período em que ficou afastado das competições. Ele sofreu uma lesão no tendão do músculo peitoral do ombro esquerdo, em janeiro de 2025, durante uma manobra em um treino na praia de Maresias, em São Sebastião, e precisou passar por cirurgia.
“No momento eu me preocupei em aceitar e me recuperar. Eu até lembro, no dia da lesão, achei que não ia ser tanto. Aí quando fui pro médico ele falou que eu ia ter que ficar seis meses fora da água. Eu fiquei em choque na hora. E óbvio, passa um filme na cabeça. Todo tipo de lesão, acidente, faz você repensar em várias coisas da vida", revelou.
“Mas eu tive todos os cuidados, me alimentei bem, dormi bem, me recuperei bem rápido da lesão, então isso me motiva e me mantém fazendo as coisas que estou fazendo", acrescentou.
O tricampeão mundial reforçou que o surfe profissional segue sendo sua principal motivação. “Todo dia eu quero surfar, estar ativo. No surfe, o que faz mais sentido é a competição, é onde me dá prazer, onde eu acredito que é o meu propósito, sabe, o que me move.”
Gabriel também afirmou que nunca cogitou encerrar a carreira e destacou o papel do surfe em sua vida.
“Em nenhum momento pensei em parar, só quero continuar. O surfe, independente das competições e resultado, como ser humano ele sempre tira o melhor de mim. Quando você está mal, está bem, quando ganha ou perde, me ensina bastante. Então vai ser difícil abandonar isso daqui.”
CNN Brasil








