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Sexta-feira, 19 de Junho de 2026

Mortes no trânsito por consumo de álcool caem 19,5% em 14 anos

Um levantamento divulgado nesta sexta-feira (19), Dia Nacional da Lei Seca, pelo Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (Cisa), revela que a taxa de mortes no trânsito relacionadas ao consumo de bebida alcoólica no Brasil registrou uma queda de 19,5% entre 2010 e 2024. Em números absolutos, as mortes passaram de 15 mil em 2010 para 13.075 em 2024.

Perda de fôlego e novos desafios

Apesar do balanço positivo no período de 14 anos, o estudo aponta uma preocupante mudança de cenário a partir de 2020. Após uma trajetória de queda constante observada até 2019, o número de óbitos voltou a crescer após a pandemia. Especialistas indicam que a Lei Seca, embora continue sendo uma referência mundial, enfrenta agora novos obstáculos para manter sua eficiência.

Entre os desafios listados pela coordenação do Cisa estão:

  • Uso da tecnologia: A popularização de aplicativos que alertam sobre a localização de blitze tem facilitado o desvio da fiscalização pelos condutores.

  • Senso de impunidade: Uma percepção na sociedade de que é possível infringir a norma sem sofrer punições, o que exige um reforço nas ações de fiscalização e na percepção real de risco de ser multado.

  • Perfil de risco: Homens jovens continuam sendo o grupo mais afetado, sendo o álcool responsável por 36,6% das ocorrências de trânsito entre o público masculino.

Necessidade de estratégias mais amplas

O estudo defende que, para mudar o comportamento dos motoristas de forma sustentada, as campanhas de conscientização precisam ir além do uso do medo e do "anúncio de choque". A recomendação é combinar educação com a oferta de alternativas reais de mobilidade, como transporte noturno acessível e aplicativos de carona, especialmente nos finais de semana e madrugadas, períodos em que a maioria das infrações é registrada.

No recorte regional, o levantamento destaca que 18 estados possuem taxas de mortes por 100 mil habitantes acima da média nacional (6,2), com Tocantins, Piauí e Mato Grosso registrando os maiores índices.

Fonte: Agência Brasil