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Quarta-feira, 08 de Abril de 2026
No Dia do Jornalista, Macedo e Giovanna falam sobre o impacto das IAs e o legado do jornalismo impresso
No dia 7 de abril, celebramos o Dia do Jornalista no Brasil. Para marcar o passado, o presente e o futuro dessa profissão fundamental para a sociedade, trouxe um bate-papo com o jornalista do Correio do Lago, José Macedo, que acumula mais de 30 anos de experiência na área. Como iniciei a faculdade de Jornalismo e comecei a atuar no ramo neste ano, essa troca de vivências geracional foi muito especial para analisar e entender as mudanças que aconteceram no jornalismo ao longo dos anos.
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Durante nossa conversa, José contou que começou sua carreira na redação do jornal Folha Regional, na cidade de Medianeira, onde despertou seu interesse pela produção textual e pela fotografia. Na época, tudo era analógico e o jornal existia apenas no formato impresso. Os textos eram redigidos em máquina de escrever, e a produção exigia um parque gráfico completo, além de um laboratório para a revelação das fotografias. Essa estrutura envolvia diversos profissionais que hoje não são mais necessários ou que precisaram se adaptar à era digital, como diagramadores e revisores. A publicação de um jornal era, portanto, um processo extenso e coletivo, que demandava tempo e a atuação de muitas pessoas.
Atualmente, percebo o quanto essa dinâmica se tornou mais ágil e envolve menos profissionais. A evolução tecnológica transformou o jornalista em um profissional multitarefa, que muitas vezes é responsável por todas as etapas da produção: desde a apuração e a realização de entrevistas até a fotografia, a edição e a redação. Os equipamentos também se tornaram mais acessíveis, sendo possível, inclusive, produzir um jornal impresso em casa com uma boa impressora. Esse processo é ainda mais simples quando falamos de veículos digitais, que hoje representam a maioria, com milhares de jornais independentes circulando nas redes.
Refletimos que esse cenário é positivo, ao permitir o acesso rápido à informação em praticamente qualquer lugar com conexão à internet, tornando as notícias mais acessíveis ao público. No entanto, também contribui para o aumento da disseminação de conteúdos falsos ou enviesados, já que qualquer pessoa pode publicar informações, mesmo sem conhecimento ou formação na área. Por isso, concluímos que o acesso facilitado à informação precisa vir acompanhado de responsabilidade, tanto de quem produz, ao evitar falar sobre o que não domina, quanto de quem consome, ao buscar a veracidade do que lê.
Outro tema central no nosso diálogo sobre o presente e o futuro do jornalismo foi o uso da inteligência artificial, o que tem aumentado o discurso popular de que o jornalista não será mais necessário. Para José Macedo, a tecnologia deve ser vista como uma ferramenta, e não como substituta do trabalho humano. Porém, até que ponto isso pode nos auxiliar sem comprometer a essência do nosso trabalho?
A facilidade de gerar textos prontos pode fazer com que o profissional deixe de desenvolver sua própria escrita e análise, tornando-se apenas um intermediador de informações. Ao mesmo tempo, essa tecnologia segue o mesmo caminho de outras transformações já vividas pela profissão, como a chegada dos computadores e das câmeras digitais, que não substituíram o jornalista, mas exigiram adaptação. Nesse sentido, o diferencial passa a estar na forma como cada um de nós utiliza essas ferramentas. Mais do que nunca, é necessário saber usá-las com consciência, sem abrir mão da criatividade, da sensibilidade e do olhar crítico. Como Macedo bem reforçou, é preciso usar a ferramenta e não deixar que ela use o profissional, já que ela amplia as possibilidades de produção e alcance na mesma medida em que facilita a criação de conteúdos rasos ou até mesmo falsos.
Diante dessa troca incrível, fica claro que a construção da confiança com o público se torna um dos pilares mais importantes da profissão. Em meio a tantas informações circulando, o que nos diferencia como jornalistas é justamente nossa responsabilidade ética e nosso compromisso com a verdade. Por isso, no Dia do Jornalista, mais do que celebrar a profissão, é essencial reconhecer sua evolução e reforçar sua importância no passado, no presente e, independentemente das mudanças, também no futuro.








