Esporte | Grêmio
Quinta-feira, 01 de Janeiro de 2026
Odorico Roman fala de projetos e início da gestão: "Olhamos para o futuro do Grêmio"
Presidente concedeu entrevista exclusiva para falar sobre próximos passos do clube e das expectativas na temporada 2026
A Arena do Grêmio virou um canteiro de obras. Mudanças, reformas e ajustes para receber o torcedor em 2026. Mas não é apenas o prédio que passa por alterações. A gestão do clube agora está sob a responsabilidade de Odorico Roman. Alguém que conhece bem o gabinete que agora ocupa.
Afinal, ele fez parte do Conselho de Administração na gestão de Fábio Koff e de Romildo Bolzan. E conhece os caminhos do vestiário, com títulos da Copa do Brasil e da Libertadores em 2016 e 2017, respectivamente. Agora, sob seu comando, o clube passa por mudanças para encarar os desafios financeiros e expectativas de recolocar o Tricolor no caminho das vitórias. Afinal, ele fez parte do Conselho de Administração na gestão de Fábio Koff e de Romildo Bolzan. E conhece os caminhos do vestiário, com títulos da Copa do Brasil e da Libertadores em 2016 e 2017, respectivamente. Agora, sob seu comando, o clube passa por mudanças para encarar os desafios financeiros e expectativas de recolocar o Tricolor no caminho das vitórias.
Já é possível focar no futebol após enfrentar as primeiras dificuldades financeiras?
Estamos fazendo as coisas de forma concomitante. O futebol não pode parar, os campeonatos iniciam em seguida. E o clube também não pode parar. Temos buscado novas fontes de receitas em negociações importantes. Talvez tenhamos no início de 2026 algumas novidades relevantes no ponto de vista de receitas. Estamos sem patrocinador máster, estamos buscando outro parceiro. Estamos em negociações em outras áreas, que não podemos antecipar ainda, mas que podem trazer um conforto financeiro para o início da gestão. O trabalho tem sido muito intenso, mas sem descuidar do futebol. Que é a razão de existir do Grêmio.
O clube já superou as dívidas encontradas no início de sua gestão?
O transfer ban foi resolvido. Já faz alguns dias que foi pago. Tínhamos algumas pendências que foram acertadas. Buscamos recursos para acertar esses valores. Olhamos para o futuro do Grêmio. Não ganhamos a eleição para julgar ou analisar o passado. Temos que resolver os problemas que aparecem no dia a dia. Projetar um Grêmio mais forte, mais eficiente nas suas contratações e em sua gestão. É assim que faremos o clube forte.
É possível a curto prazo voltar a ter um time competitivo, capaz de disputar títulos com Flamengo e Palmeiras?
A nossa intenção é essa. Que a gente volte a competir, fazer frente a esses clubes. Sabemos que temos um caminho pela frente de ajustes financeiros importantes. Estimamos que em torno de um ano, um ano e meio, a gente consiga reequilibrar financeiramente o Grêmio. Recolocar as dívidas em uma situação administrável. Se existe algo que drene a receita de um clube, são dívidas bancárias. Juros que podem chegar a até 28% ao ano. É uma questão importante reequilibrar financeiramente o clube. O associado votou na nossa chapa pelo retorno da perspectiva de títulos. Mas que também pare de falar em dívidas e passe a gerir o futebol e competir novamente.
Estimamos que em torno de um ano, um ano e meio, a gente consiga reequilibrar financeiramente o Grêmio. Recolocar as dívidas em uma situação administrável.
— Odorico Roman, presidente do Grêmio
Após as ações da sua gestão, qual o valor da dívida atual do Grêmio?
Com bancos, empresários, investidores e outros empréstimos feitos, a dívida gira em torno de R$ 500 milhões ou R$ 600 milhões pelo balancete de novembro. Todas as empresas fazem empréstimos. Mas o ideal é que isso seja feito para aumentar receitas. No caso do Grêmio, tem vezes que é feito um empréstimo para quitar outro. Queremos reduzir isso. Trazer o clube para um ponto de equilíbrio.
O Grêmio recorreu aos aportes de investidores, como Celso Rigo, para lidar com as dificuldades financeiras deste momento?
Desde que assumimos, temos feito frente às despesas com as receitas e empréstimos usuais. O Celso Rigo é uma pessoa importante, sempre ajudou o Grêmio. Se fosse necessário, estaria ajudando. Me traz até certo alívio, mas não precisamos recorrer a ele ainda neste momento.
Por onde passa a reestruturação do Grêmio?
Penso que o Grêmio precisa buscar novas receitas. Nosso CEO Alex Leitão é muito capacitado para isso. O associado precisa saber que estamos trabalhando muito fortemente para fazermos o que dissemos na campanha. Buscar novas fontes de receitas. Estamos negociando com algumas empresas para patrocinadores máster, com algumas empresas que talvez até aumente o valor do patrocínio. Estamos buscando outras receitas. Traremos novidades nos próximos dias sobre novos planos de ocupação da Arena, pacotes de ingressos. E também receitas que não são recorrentes, mas importantes, que são a venda de jogadores. Investiremos na formação de atletas. E temos agora a Arena, com potencial de naming rights e renda dos jogos. Queremos aumentar a ocupação da Arena. Temos o ponto de corte de R$ 800 mil, que é quando equilibra a despesa da partida. Acima disso o lucro do jogo aumenta bastante. Queremos o torcedor na Arena, que assista aos jogos e vire sócio. O Grêmio precisa muito desse apoio.
O Grêmio trabalha com a perspectiva de vencer o naming rights da Arena?
Existe a chance de que a gente conclua uma negociação de naming rights. Não até o final deste ano, mas temos uma boa chance de termos isso e entrar uma receita extra.
O Grêmio tem uma proposta formal pelo naming rights do estádio?
Temos algumas negociações em andamento. Conversas também para o patrocinador máster. E uma delas também engloba o nome do estádio.
E 2026 iniciará com um novo patrocinador máster anunciado?
É um ponto que pediremos um pouco de paciência. Se não tivermos um novo patrocinador, colocaremos outra marca. Uma institucional. Uma solução temporária até vir o novo patrocinador. Um momento de transição inesperado. Aconteceu essa ruptura do contrato. Precisaremos usar por um tempo esta marca sobreposta na camiseta.
Qual é a perspectiva para o Gauchão?
O Gauchão é um campeonato que ninguém gosta de perder. Quando se ganha, quem perdeu diz que o título não é importante. Mas clube de futebol é feito para disputar e vencer, e o Grêmio não é diferente. O Grêmio gosta de ganhar títulos, nós queremos ganhar. É um título disponível. Vamos lutar, sim, para ganhar. Administrar dentro das possibilidades, é um ano atípico, tem Copa do Mundo. O que ocupa muito mais datas. O Gauchão ficará um pouco espremido aqui no início do ano, mas nós vamos o disputar pensando em vencê-lo.
O Grêmio gosta de ganhar títulos, nós queremos ganhar.
— Odorico Roman, presidente do Grêmio
O que atraiu o Grêmio para contratar Luís Castro?
É um treinador que fez bons trabalhos por onde passou. Isso foi uma coisa que nos fez olhar para ele quando estávamos decidindo se manteríamos a comissão anterior ou não. E escolhemos o Luís Castro não só pelo trabalho que ele fez nos clubes que dirigiu, mas por essa sinergia que ele tem com a base, com a formação. Inclusive, nós tivemos uma situação bem interessante quando nós estávamos visitando Eldorado. Ele já manifestou algumas coisas que o pessoal de Eldorado, tenho certeza, captaram e vão utilizar no dia a dia. Da formação, que são situações que, às vezes, um jogador que é destaque na categoria de base, não significa que ele seja um jogador perfeito. Ele é um jogador que pode se aperfeiçoar. Então, são essas coisas que ele traz. Essa sinergia, essa vista que ele tem para a categoria de base, porque ele trabalhou na área também. Conhece muito da formação. São questões importantes, que nós entendemos que ele vai trazer para o Grêmio, e que vai fazer um trabalho que vai ser bem relevante.
E o que o Grêmio espera de Luís Castro?
Nós esperamos um time com personalidade, com capacidade de enfrentar qualquer clube, qualquer time do Brasil. Obviamente que isso vai demorar um tempo, até ele conseguir implementar as ideias e o modo de jogar que ele pensa. Esperamos também que ele consiga nos auxiliar a desenvolver mais Eldorado, fazer com que a base cresça, se aperfeiçoe. É um trabalho que o Grêmio tem sempre muito bem feito, mas nós esperamos que a gente consiga aperfeiçoar mais.
Esperamos um time com personalidade, com capacidade de enfrentar qualquer clube, qualquer time do Brasil.
— Odorico Roman, presidente do Grêmio
Como foi discutida a montagem do grupo com a comissão técnica?
Nós fizemos uma reunião no hotel onde ele estava hospedado, antes dele fazer as visitas ao CT de Eldorado do Sul e o CT Luiz Carvalho. Fizemos uma reunião, discutimos o elenco, analisamos o grupo de jogadores e definimos, sim, mas eu não vou revelar quantos jogadores a gente chegou à conclusão que precisaria. São coisas que podem interferir e prejudicar. Então nós temos muito claro as demandas que ele tem e nós estamos buscando supri-las.
Essas contratações estarão aqui para o início do Gauchão?
Espero que a gente consiga pelo menos dois jogadores para o início no Gauchão. Talvez não prontos para jogar, porque a pré-temporada vai começar. Mas imagino que a gente possa ter uns dois jogadores já no início de janeiro, na primeira quinzena.
Espero que a gente consiga pelo menos dois jogadores para o início no Gauchão.
— Odorico Roman, presidente do Grêmio
O Grêmio hoje tem condições de comprar um jogador com a trajetória de Tetê?
Aprendi quando eu estava no futebol que uma negociação, às vezes, ela pode ter uma solução inesperada. Uma negociação que leve a um rumo que o clube inicialmente não tinha a intenção. Às vezes, a exigência do clube que está de posse do jogador pode ser contornada de alguma forma e eu não descarto que o Grêmio traga jogadores do nível do Tetê.
O Grêmio vai vender mais jogadores ainda depois da saída de Alysson?
Nós temos alguns jogadores que encerraram o contrato, que já foram liberados. O grupo do Grêmio é muito numeroso. Nós precisamos reduzir isso, porque até condições de trabalho são ruins. Um treinador treinar 36, 38 jogadores é um número muito grande até para organizar o treinamento. Então, efetivamente, nós temos que reduzir esse grupo. E nós estamos buscando colocar jogadores para manter em torno de 26 a 30 jogadores no plantel.
O clube busca um camisa 10 no mercado?
O camisa 10 se tornou uma peça rara ultimamente. Os bons camisas 10 estão jogando na Europa, na Arábia Saudita. Mas é muito importante para um time ter um meia de criação. O camisa 10, típico, como a gente chama. Então, se houver oportunidade, nós vamos contratar. Se não houver, existe no elenco jogadores que podem, talvez, trabalhados pelo Luís Castro, executar essa função a contento.
Qual o projeto para Monsalve?
É um patrimônio do clube que precisa ser trabalhado. A gente entende que, às vezes, o treinador deseja que um determinado jogador de uma função exerça determinadas atividades dentro do contexto do jogo. E outros treinadores, não. Quem sabe o Luís Castro consiga, no caso do Monsalve, encontrar um caminho para ele poder desenvolver e mostrar o futebol que fez o Grêmio contratá-lo.
Cristaldo segue nos planos para 2026?
O Cristaldo é um jogador que foi contratado, um investimento que o clube fez. Ele está à disposição do Luís Castro. Eventualmente, caso surja alguma oportunidade de negociação envolvendo alguma outra posição que o Grêmio esteja carente, é possível que seja envolvido. Mas, a princípio, é um jogador que se apresenta e treina com o grupo.
É possível garantir para o torcedor um time forte para o Gauchão?
Isso é uma coisa interessante. Às vezes, assisto a programas de influencers. E falam de jogadores que a gente nunca cogitou, dando como negociações avançadas. Então, é uma situação que atrapalha um pouco, tumultua, mas não deixa de ser até engraçado. Às vezes, a gente vê as pessoas afirmando que o Grêmio está negociando com A ou B. E sabemos que não existe nada disso. O que nós queremos fazer é entregar um grupo qualificado ao Luís Castro, dentro do que conversamos, com as carências que foram identificadas, com os pedidos que ele fez. Tenho a expectativa de que vamos conseguir entregar esses jogadores com as características desejadas e o Grêmio terá um time competitivo. A gente espera, claro, que os treinamentos dele vão começar para fazer o time jogar da forma como ele imagina, que demore um pouquinho. Mas temos a expectativa de entregar o grupo que ele pediu.
O prazo é ter esse grupo montado para a estreia no Brasileirão ou ainda na primeira fase do Gauchão?Nós queremos o mais rápido possível. Entregar o grupo pronto para trabalhar junto, começar o entrosamento entre os jogadores. Não pensamos em começar a disputar o Brasileirão ainda sem ter fechado o grupo. Nós estamos trabalhando muito forte para conseguir entregar mais rápido possível todos os jogadores.
É necessário baixar a folha salarial agora ou não será necessário?
O desejável é que a folha baixe. Nós temos uma folha alta, com um grupo, como eu disse, muito numeroso. Nós queremos reduzir o grupo e isso automaticamente faz com que se diminua um pouco a folha. Claro que os acréscimos que virão, pelo que nós temos observado no mercado, serão jogadores de um nível salarial um pouco mais elevado do que o desejável.
Vocês já procuraram o Arthur para para viabilizar a permanência dele?
Sim, nós fizemos uma conversa com o Arthur já há bastante tempo. Acho que faz mais de um mês que conversamos com ele, manifestamos a nossa posição em relação a ele, e estamos trabalhando para mantê-lo aqui no Grêmio.
Qual é a marca que o senhor gostaria de deixar nesses próximos três anos de gestão?
Fazer o Grêmio um clube mais forte do que o que nós recebemos. No dia da minha posse, eu falei que o desejável é que cada dirigente que deixe mais forte do que quando recebeu, é para isso que nós vamos trabalhar. Não só do ponto de vista do campo, do time, mas também do clube como instituição com solidez financeira. É para isso, torcedor do Grêmio, que pedimos que os sócios sigam com suas mensalidades e que os torcedores se associem. Vamos aumentar de 100 mil para 120 mil, para 150 mil, é muito importante a receita do quadro social. A minha mensagem de um 2026 com muitas alegrias e muita saúde para todos. E esse pedido ao torcedor: associe-se, precisamos do torcedor no quadro social.
GE








