Brasil | Escala 6x1

Terça-feira, 24 de Fevereiro de 2026

Oposição se articula para tentar barrar fim da escala 6x1

Presidente do PL, Valdemar Costa Neto Valdemar considera "difícil" votar contra a proposta caso ela seja colocada em votação no Congresso, pelo potencial impacto eleitoral

Partidos de oposição ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se articulam para tentar barrar o avanço da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala de trabalho 6×1. As declarações foram feitas pelos presidentes do PL, Valdemar Costa Neto, e do União Brasil, Antonio Rueda, durante jantar com empresários em São Paulo, nesta segunda-feira (23).

Durante o evento, organizado pelo Grupo Esfera, Valdemar considerou “difícil” para um deputado federal ou senador votar contra a proposta caso ela seja colocada em votação, pelo potencial impacto eleitoral.

“Nós vamos trabalhar para não deixar votar”, afirmou, acrescentando que a estratégia é atuar junto ao presidente da Câmara para barrar o texto ainda na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). “É ali que vai ser a guerra”, completou.

Defendendo os interesses do setor produtivo, o dirigente avaliou que a iniciativa integra um conjunto de propostas do governo Lula com viés eleitoral e voltadas a um público específico, como a ampliação de subsídios. Para ele, a direita precisará marcar posição com propostas alternativas, que, segundo afirmou, deverão ser apresentadas pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que encabeça o principal projeto de oposição à Presidência da República. Costa Neto, entretanto, não detalhou quais seriam essas propostas.

Fim da escala 6×1 será danoso ao setor produtivo, diz Rueda

Recente estudo divulgado pela Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) aponta que a redução da jornada semanal na indústria, sem diminuição de salários, poderia inflar a folha de pagamento no setor em mais de 25%, com aumento anual de R$ 178,8 bilhões nas despesas. Isso em um cenário já marcado por alta carga tributária, burocracia, insegurança jurídica e custo elevado de capital.

Para Antonio Rueda, a proposta “incomoda todos os pilares da indústria econômica do Brasil” e classificou o texto como danoso ao setor produtivo. Na avaliação dele, a medida teria finalidade eleitoral e poderia gerar efeitos negativos na economia.

“Vai gerar inflação, cair no bolso do consumidor. Vai ser precificado”, declarou, ao sustentar que o custo seria repassado em diversos setores.

O presidente do União Brasil reconheceu a dificuldade política de barrar a matéria caso ela avance, diante da pressão sobre parlamentares que buscam a reeleição. Ainda assim, defendeu articulação nas comissões, especialmente na CCJ, para tentar segurar a tramitação.

“Se for ao plenário, ela é avassaladora”, avaliou Rueda.

RIC