Notícias da Região | Abuso sexual
Quarta-feira, 28 de Janeiro de 2026
Pai é condenado a 123 anos por abusos sexuais contra as filhas em Cascavel
Caso inclui gravidez de uma das vítimas
Um dos casos mais graves já julgados pelo Judiciário em Cascavel resultou na condenação de um homem a 123 anos de prisão em regime fechado por crimes de estupro de vulnerável cometidos de forma continuada contra as duas filhas. Os fatos ocorreram no bairro Neva e foram apurados ao longo de um processo que tramitou desde 2021.
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A sentença foi proferida pela Juíza Raquel Fratantonio Perini, em primeira instância, e reconhece a gravidade extrema das condutas, praticadas ao longo de vários anos dentro do núcleo familiar. O caso veio à tona após a filha mais velha engravidar ainda na adolescência, fato que deu início às investigações e culminou na ruptura familiar e no acionamento da Justiça.
Crimes começaram na infância e se estenderam por anos
De acordo com o processo judicial, os abusos tiveram início quando as vítimas ainda eram crianças, com idades aproximadas entre 6 e 8 anos, período em que moravam com o pai e a mãe. As práticas criminosas se repetiram de forma contínua ao longo da infância e adolescência das meninas, cessando apenas quando a gestação da filha mais velha foi descoberta.
Um exame de DNA realizado no curso do processo confirmou a paternidade, reforçando os elementos probatórios já reunidos durante a investigação. A Justiça entendeu que os crimes ocorreram de maneira reiterada e no ambiente doméstico, circunstância que agravou a pena.
Processo marcado por tentativas de evasão do acusado
Em entrevista à CGN, o advogado de defesa das vítimas, Rafael Jacson da Silva Hech, relatou que durante o andamento do processo o réu tentou diversas estratégias para se esquivar da responsabilização penal. Segundo ele, houve alegações de uso de drogas e problemas de saúde mental, além de mudanças frequentes de cidade sem comunicação ao Judiciário.
Ainda conforme o advogado, o acusado chegou a se internar em clínicas de reabilitação em momentos estratégicos, coincidentes com datas de audiências e diligências processuais. Tais condutas foram analisadas pelo juízo e consideradas insuficientes para afastar a culpabilidade.
A decisão judicial também levou em conta o fato de que, apesar das alegações, o réu mantinha uma vida considerada normal, inclusive exercendo atividade laboral.
Condenação histórica e regime fechado
Com base nas provas reunidas, incluindo depoimentos, laudos técnicos e perícias, o juiz reconheceu a prática de estupro de vulnerável em continuidade delitiva, o que resultou no aumento significativo da pena.
A condenação fixada foi de 123 anos de reclusão, a serem cumpridos em regime fechado. O réu ainda deverá ser intimado oficialmente da sentença e poderá apresentar recurso, o que é previsto pela legislação. Até o momento, a decisão representa uma das maiores penas já aplicadas em casos semelhantes na comarca.
Segundo o advogado das vítimas, mesmo com eventual recurso, a expectativa é de manutenção da condenação, diante da robustez das provas e da fundamentação da sentença.
Impacto irreversível na família
O caso provocou a desestruturação completa da família, resultando no fim do casamento e em profundas consequências emocionais para as vítimas. Atualmente, a filha mais velha tem cerca de 20 anos, enquanto a mais nova se aproxima da maioridade.
De acordo com o advogado, as vítimas demonstraram sentimento de alívio com a condenação, entendendo a decisão como uma forma de justiça, embora as marcas deixadas pelos crimes sejam permanentes. Uma das consequências mais graves é o nascimento de uma criança fruto da violência, fato que reforça a dimensão do sofrimento envolvido.
Alerta e orientação à sociedade
O defensor destacou que casos como esse, embora chocantes, são mais comuns do que se imagina, especialmente quando os abusos ocorrem dentro do ambiente familiar. Ele ressaltou a importância de atenção ao comportamento de crianças e adolescentes, diálogo aberto e acolhimento, sem julgamentos ou inversão de culpa.
A produção de provas, a denúncia e o acompanhamento próximo de pessoas em situação de vulnerabilidade foram apontados como fundamentais para que crimes dessa natureza não permaneçam ocultos.
Mais do que um episódio isolado, o processo se tornou um marco judicial em Cascavel, tanto pela extensão da pena quanto pela resposta firme do Judiciário diante de crimes de extrema gravidade.
A decisão é de primeira instância e cabe recurso. A CGN deixa o espaço aberto para o posicionamento da defesa.
Com informações de Rádio Difusora








