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Quinta-feira, 23 de Julho de 2026

Três meses após cesárea, mulher passa por cirurgia para retirar corpo estranho do abdômen em Toledo

Uma moradora de Marechal Cândido Rondon, de 23 anos, passou por uma cirurgia nesta quarta-feira (22), no Hospital Bom Jesus, em Toledo, para retirar um corpo estranho do abdômen. Segundo a família, tratava-se de uma compressa cirúrgica esquecida durante a cesárea que ela fez na mesma instituição, no dia 17 de abril.

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Em nota ao Toledo News, o hospital confirmou que a paciente passou pela cesárea na instituição no dia 17 de abril e informou que vai instaurar uma sindicância interna para apurar as circunstâncias do caso e a eventual responsabilidade dos profissionais envolvidos. Segundo o hospital, após a conclusão da apuração e a identificação de eventuais responsáveis, o caso também será encaminhado às comissões de ética médica e de enfermagem. A instituição não confirmou, na nota, qual material foi retirado nem se ele permaneceu no organismo desde a cesárea. A íntegra da manifestação está ao fim desta matéria.

A cesárea foi feita pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e, segundo a família, era a terceira cesariana da jovem. De acordo com a irmã dela, que procurou à equipe de reportagem do Toledo News, a paciente ainda se recuperava do parto quando notou um volume crescendo na barriga e passou a sentir dores.

Na última terça-feira (14), ela buscou atendimento na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Marechal Cândido Rondon, onde fez um raio-x. O laudo apontou corpo estranho no hipogastro, na parte de baixo da barriga. Dois dias depois, na última quinta-feira (16), um ultrassom identificou uma massa de aproximadamente 7 por 6,7 centímetros no lado esquerdo do abdômen, descrita na conclusão do laudo como “massa heterogênea/corpo estranho”. O Toledo News teve acesso aos dois exames.

Na última sexta-feira (17), uma Unidade Básica de Saúde (UBS) de Marechal Cândido Rondon encaminhou a jovem, em caráter prioritário, para avaliação da cirurgia geral. No documento, ao qual o Toledo News também teve acesso, foi registrada a hipótese de corpo estranho deixado acidentalmente em cavidade corporal após procedimento. O encaminhamento descreve ainda uma massa endurecida de aproximadamente 8 centímetros, palpável no lado esquerdo do abdômen, levemente dolorosa e com crescimento rápido e progressivo.

Na manhã de terça-feira (21), o quadro piorou. A jovem voltou à UPA de Marechal Cândido Rondon e foi levada por uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) ao Hospital Bom Jesus, em Toledo, onde ficou internada. A cirurgia para a retirada do corpo estranho foi realizada perto do meio-dia desta quarta-feira (22). Segundo a irmã, a jovem passa bem, mas está abalada emocionalmente.

A advogada Ivania Ramos Vieceli, que representa a família e atua na área de direito médico, afirmou que o objeto retirado foi recolhido como prova e deve ser enviado para análise laboratorial. Segundo ela, como o atendimento foi feito pelo SUS, a intenção da equipe jurídica é mover a ação de indenização contra o hospital, enquanto a conduta dos profissionais será avaliada dentro do processo. Ainda de acordo com a advogada, a equipe jurídica aguarda a alta da paciente e a liberação dos prontuários para protocolar a ação. Depois da perícia, ela pretende também apresentar pedido de providências ao Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR). Na avaliação dela, os elementos reunidos indicam um grave erro médico.

Ainda na nota, o hospital afirmou que adota o Protocolo de Cirurgia Segura, que estabelece a verificação e a contagem dos materiais utilizados nas cirurgias, e que tomou conhecimento do caso na tarde desta quarta-feira (22). Como a apuração está em andamento, a instituição disse que não vai se manifestar, neste momento, sobre responsabilidades individuais.

A família disse que decidiu tornar o caso público para alertar outras mulheres sobre a importância de procurar atendimento médico diante de sintomas persistentes após uma cirurgia, como dores, inchaços ou outras alterações no corpo que não melhoram com o tempo.

Confira a íntegra da nota enviada pela Associação Beneficente de Saúde do Oeste do Paraná (Hoesp), que administra o Hospital Bom Jesus

“A Hoesp confirma que a paciente foi submetida a uma cesariana na instituição no dia 17 de abril. Nesta quarta-feira (22), a paciente recebeu atendimento médico no Hospital Bom Jesus, onde foram adotadas as condutas assistenciais e médicas consideradas cabíveis para o quadro clínico. Desde então, a Hoesp está prestando toda a assistência necessária à paciente.

A instituição informa que será instaurada uma sindicância interna para apurar as circunstâncias do caso, bem como a eventual responsabilidade dos profissionais envolvidos na assistência. Após a conclusão da apuração e a identificação dos eventuais responsáveis, o caso também será encaminhado à Comissão de Ética Médica e à Comissão de Ética de Enfermagem.

A Hoesp ressalta que adota o Protocolo de Cirurgia Segura, que estabelece procedimentos de verificação e contagem dos materiais utilizados durante os atos cirúrgicos, os quais devem ser rigorosamente observados por todos os profissionais envolvidos na assistência.

É importante destacar que a Hoesp tomou conhecimento do caso na tarde desta quarta-feira (22). Como a apuração ainda está em andamento, a instituição não irá se manifestar, neste momento, sobre responsabilidades individuais ou outros aspectos específicos, reafirmando o seu compromisso com a segurança assistencial, a transparência na condução do processo e o acompanhamento integral da paciente e de seus familiares”.

Toledo News

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