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Sábado, 04 de Abril de 2026
Trump age sem estratégias e ideias coerentes, diz historiadora
Trump age sem estratégias e ideias coerentes, diz historiadora
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, toma decisões sem estratégia e não tem um “conjunto de ideias coerentes”, apontou a jornalista, historiadora e escritora Anne Applebaum ao WW Especial.
Segundo Applebaum, Trump tem um forte interesse em parecer que está em vantagem nas situações. “Como vimos nos últimos dias, ele mudará sua fala sobre o Irã ou sobre a economia dos EUA dependendo do que ele pensa ser a narrativa que fará ele parecer o vencedor”, disse.
Desde o início do conflito, o republicano disse que o objetivo dos EUA na guerra seria promover uma mudança de regime. Depois, negou a intenção e afirmou que estaria em negociações com o restante das lideranças do país - que o Irã nega. E também já chegou a falar que só aceitaria uma “rendição total” dos líderes.
A mudança constante de opiniões e declarações é parte da forma de Trump governar, de acordo com Applebaum. Além disso, ele parece pouco se importar com o impacto dos seus posicionamentos e nem toma responsabilidade por eles.
“Ao contrário, ele age por impulso e, quando ele muda de ideia - quando ele sente novos caprichos e impulsos - ele simplesmente mente sobre o que ele disse ou fez antes”, afirmou Applebaum em artigo para a revista The Atlantic.
Com isso, o cenário se torna turvo para os aliados históricos dos EUA. Sem saber as direções que Trump decidirá tomar, o conjunto de países escolhem, muitas vezes, a neutralidade - como no caso do conflito no Oriente Médio.
Mesmo diante das ameaças do americano, a Europa escolheu ficar de fora da guerra, somente mobilizando tropas para defender bases na região. A Espanha, por exemplo, nem permitiu que os EUA utilizassem bases aéreas para atacar Teerã.
Isso representa um rompimento com a posição americana no mundo antes da chegada de Trump ao poder. Com significativa incerteza, um discurso inflamado e afastamento de conselheiros clássicos, ele “inventou” uma forma nova de ser o líder da nação mais poderosa do mundo.
“Essa é uma maneira realmente diferente de ser presidente dos Estados Unidos de qualquer outra pessoa que já tivemos antes”, afirmou ao WW Especial.
Anne Applebaum também descreve Trump como alguém distante do conservadorismo, que, na realidade, se concentra mais em “um tipo de radicalismo, um desejo por uma mudança radical”. Para ela, o interesse dele não é somente ideológico.
“Ele é alguém cujos interesses reais são pessoais, sua família, seus negócios, e, como disse, sua percepção de si mesmo estando no comando”, explica.
Um exemplo nesse sentido pode ser o número de Ordens Executivas que ele assinou ao longo de um ano do segundo mandato. Com uma assinatura, o presidente pode editá-las sem passar pelo Congresso. Esses atos orientam a atuação dos órgãos federais e definem diretrizes para a aplicação de leis e políticas públicas.
Durante o seu primeiro ano de volta à Casa Branca, Trump expediu 221 ordens executivas - mais do que em todo seu primeiro mandato. O último presidente a emitir um número maior que Trump foi Jimmy Carter, entre 1977 e 1981, segundo levantamento do Pew Research Center até dezembro do ano passado.
A jornalista pontua que não se vê como uma crítica de Donald Trump, mas que apenas quer entendê-lo.
“Porque ele é o presidente dos Estados Unidos, as pessoas querem assumir que ele tem uma estratégia, que ele tem uma visão clara, até mesmo que ele tem uma ideologia… Embora existam pessoas ao redor dele que as possuam, ele não pensa dessa maneira”, afirmou.
WW Especial
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