Internacionais | Venezuela pós-Maduro

Quarta-feira, 04 de Fevereiro de 2026

Um mês sem Maduro: transição controlada redefine a Venezuela

Um mês após a saída forçada de Nicolás Maduro do poder, a Venezuela vive um período de transição marcado por mudanças pontuais e permanências estruturais. A ofensiva militar dos Estados Unidos, que culminou na captura do ex-presidente em 3 de janeiro, abriu caminho para um rearranjo político conduzido por Delcy Rodríguez, então vice-presidente. Embora o chavismo tenha sido mantido no comando formal do país, a influência direta de Washington passou a moldar decisões estratégicas do novo governo.

A principal inflexão ocorreu na política externa e econômica. Caracas retomou relações diplomáticas com os Estados Unidos, rompidas desde 2019, e promoveu uma ampla abertura do setor petrolífero. A reforma da lei do petróleo flexibilizou regras históricas, permitindo a atuação independente de empresas privadas e reduzindo tributos, em um movimento visto como essencial para atrair investimentos e recuperar uma indústria sucateada por anos de má gestão e sanções internacionais. Ao mesmo tempo, os EUA passaram a exercer controle sobre parte das vendas de petróleo venezuelano no mercado global.

No plano político interno, Rodríguez promoveu mudanças no alto escalão do governo e das Forças Armadas, mas figuras centrais do chavismo seguem em posições-chave, indicando uma transição controlada. Enquanto negocia com Washington, o governo mantém o discurso ideológico para sua base, incentivando manifestações pela libertação de Maduro e utilizando a máquina estatal para reforçar a narrativa de que o ex-presidente é vítima de uma ação imperialista. Analistas definem o momento como uma “estabilidade tutelada”, sem ruptura total com o sistema anterior.

Na área de direitos humanos, o anúncio de uma anistia geral e o fechamento de centros de detenção simbólicos geraram expectativa entre familiares de presos políticos, embora organizações alertem para o risco de impunidade. O clima de medo diminuiu, mas ainda persiste de forma velada, com críticas feitas em tom cauteloso. Passado um mês, a Venezuela segue em um processo de liberalização limitada, no qual concessões calculadas buscam preservar o poder interno enquanto atendem às exigências externas.

Correio do Lago com informações do G1.