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Sexta-feira, 20 de Fevereiro de 2026
Vídeo de Maduro tomando 'banho de sol' em presídio nos EUA; cena foi criada por IA
Publicação com mais de 500 mil visualizações mostra registro falso e mente ao dizer que se trata de ditador venezuelano capturado pelo governo Trump. Ferramentas de detecção indicam uso de inteligência artificial.
Circula nas redes sociais um vídeo de Nicolás Maduro, ditador deposto da Venezuela que foi capturado pelo governo de Donald Trump no início de janeiro, supostamente caminhando no pátio de uma penitenciária nos Estados Unidos. É #FAKE.
Publicado em 10 de janeiro no X, onde teve mais de 560 mil visualizações, o post apresenta a seguinte legenda, em espanhol: "Imagens do ditador narcoterrorista Nicolás Maduro durante seus 30 minutos diários de permanência ao ar livre na prisão foram vazadas. Brooklyn, NY… Parece muito animado". A descrição omite que a cena foi criada com inteligência artificial (IA), como apontaram ferramentas de detecção – leia detalhes mais abaixo.
O conteúdo exibe a imagem de um homem, falsamente identificado como Maduro, andando em círculos em um pátio coberto de neve, enquanto agentes de segurança filmam. Sobre o vídeo, há uma caixa de texto que diz, também em espanhol:"Maduro desfruta de seus 30 minutos de 'banho de sol' diários no presídio".
⚠️ Por que isso é falso?
O Fato ou Fake submeteu o conteúdo a três ferramentas que detectam conteúdos fabricados com IA – e todas apontaram uso desse recurso (veja infográficos ao final desta reportagem).
Sightengine – 99% de probabilidade de uso de IA.
MyDetector – 97,29% de probabilidade de uso de IA.
DecopyAI – 97% de probabilidade de uso de IA.
A marca d'água "ELD Estudio", que aparece no canto inferior direito do quadro, é o nome de um perfil no YouTube que se descreve como "um canal de inteligência artificial dedicado a criar vídeos humorísticos e satíricos sobre figuras políticas e outras personalidades".
Após a captura por Forças americanas, Maduro foi levado ao Centro de Detenção Metropolitano do Brooklyn (MDC, na sigla em inglês).
Em uma audiência em 5 de janeiro, ele se declarou inocente das acusações de chefiar um suposto cartel de narcotráfico e afirmou ser um "prisioneiro de guerra". No dia seguinte, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos modificou os termos da denúncia e passou a culpá-lo por supostamente "participar, proteger e perpetuar uma cultura de corrupção de enriquecimento a partir do tráfico de drogas".
Nesta terça-feira (17), o governo americano comunicou que adiará a próxima audiência de Maduro do dia 17 de março para o dia 26 de março. A decisão foi concedida a pedido da Promotoria, que alegou "problemas de planejamento e logística", sem especificar mais detalhes.
Até a última atualização desta reportagem, não havia sido divulgado nenhum registro de Maduro na penitenciária.
Fonte: G1








