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Sexta-feira, 27 de Março de 2026

Violência contra a mulher segue sendo um desafio: profissionais de Santa Helena falam sobre a realidade no município

No dia 8 de março, celebramos o Dia Internacional da Mulher. Porém, é difícil realmente comemorar quando o Brasil registrou, em 2025, o maior número de feminicídios dos últimos 10 anos: 1.568 mulheres tiveram suas vidas interrompidas em razão do gênero, o que equivale a uma média de quatro assassinatos por dia. Esses dados mostram a gravidade do problema no país e, infelizmente, essa realidade não se restringe apenas ao cenário nacional. Santa Helena, mesmo sendo um município pequeno, também apresenta uma situação preocupante.

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Diante disso, é de extrema importância conhecer os dados e as ações realizadas em nosso município para combater os casos de violência contra a mulher. Por esse motivo, a secretária municipal de Assistência Social e assistente social de profissão, Ivanete Aparecida Weiss Passing, e a advogada e assessora jurídica da secretaria, Gabriela Esteves, profissionais que lidam diretamente com essa realidade, apresentaram informações detalhadas sobre o trabalho desenvolvido na Secretaria de Assistência Social e no Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS).

A Secretaria de Assistência Social é o órgão da prefeitura responsável por planejar, organizar e coordenar todas as políticas e serviços de assistência social do município, definindo ações, programas e supervisionando as unidades que atendem a população. Já o CREAS é uma dessas unidades vinculadas à Secretaria, e atua no acolhimento e na proteção de indivíduos e famílias que enfrentam situações de violência. Entre o público atendido, destacam-se as mulheres vítimas de violência doméstica, que recebem acompanhamento de uma equipe multidisciplinar composta por psicóloga, assistente social, educadora social e advogada.

Durante a entrevista, a Dra. Gabriela destacou a existência de cinco tipos de violência previstos na Lei Maria da Penha: psicológica, física, sexual, patrimonial e moral. Ela também chamou atenção para a dificuldade que muitas vítimas, agressores e até mesmo a sociedade têm em reconhecer a violência quando ela não é física. Isso porque, muitas vezes, as mais comuns são justamente aquelas que não deixam marcas visíveis.

A violência psicológica, por exemplo, envolve ameaças, chantagens, humilhações e até a proibição do uso de determinadas roupas. Em seguida, pode surgir a violência moral, marcada por ofensas, calúnias ou acusações que prejudicam a reputação e a dignidade da vítima. Já a violência patrimonial ocorre quando há controle ou destruição de bens, dinheiro, documentos ou, até mesmo, do celular da mulher. Em muitos casos, essas situações podem evoluir para episódios de violência física durante discussões e, em cenários mais graves, para a violência sexual, quando há pressão ou imposição na vida íntima sem consentimento.

Atualmente, em Santa Helena, há em média 41 medidas protetivas acompanhadas pelo CREAS. Após o encaminhamento do setor jurídico, é realizada a busca ativa pela vítima, entrando em contato para oferecer os serviços disponíveis. Esse acompanhamento não é obrigatório, mas, segundo as profissionais, a maioria das mulheres aceita o apoio.

O município conta com uma rede de atendimento estruturada, formada pela assistência social, pelo CREAS e pelas polícias Militar e Civil. Juntos, esses órgãos oferecem diversos serviços e benefícios necessários às vítimas de violência. Para as mulheres que precisam deixar suas casas para se proteger do agressor, existe o Aluguel Social; nesse caso, a equipe do CREAS busca e aluga uma residência para que a mulher possa permanecer com os filhos, com o pagamento do garantido por um período de até seis meses.

Já para aquelas que dependiam financeiramente do agressor ou precisam recomeçar profissionalmente, a equipe também realiza encaminhamentos e acompanhamento para inserção no mercado de trabalho. Outra alternativa oferecida é o auxílio-hospedagem, utilizado quando a mulher precisa passar uma ou duas noites fora de casa até que a situação seja resolvida. O município também possui convênio com a Casa da Mulher, em Toledo, para os casos em que a vítima precisa sair da cidade.

Além da rede de apoio às vítimas, a Secretaria de Assistência Social promove diversas ações ao longo do ano com o objetivo de conscientizar a população e evitar que esses casos sejam banalizados. Uma dessas iniciativas é a Caminhada do Meio-Dia, realizada no dia 22 de julho em todo o Paraná, um momento de reflexão sobre onde estariam essas mulheres se suas vidas não tivessem sido interrompidas pela violência. No mês de novembro, também acontece a campanha relacionada ao Dia Internacional pelo Fim da Violência contra a Mulher, que inclui um fórum anual para debates sobre o tema.

Ao identificar qualquer situação de violência, independentemente de quem seja a vítima, é fundamental realizar a denúncia. Caso a pessoa, seja amiga, vizinha ou parente e não queira se expor, é possível denunciar por meio do telefone 180, o canal nacional de atendimento à mulher, que funciona 24 horas e permite o anonimato. Também é possível procurar diretamente a delegacia de polícia ou o próprio CREAS do município.

Confira a coluna da Giovanna Mainard

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