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Pedro Ernesto Macedo — conhecido do público como Pedro Ernesto Macedo — é jornalista, apresentador e escritor. Nascido em Rio Grande (RS) em 2 de dezembro de 1982, tornou-se referência no jornalismo brasileiro pela maneira singular de unir razão, emoção e estética em cada entrevista.
Criador e âncora do programa Entre Ideias, já conduziu mais de sete mil entrevistas com nomes do agronegócio, da medicina e da cultura, atingindo milhões de visualizações mensais.
Sua marca é a comunicação viva, provocadora e filosófica

Atualmente, Pedro expande sua atuação para o campo da saúde e da consciência humana, e prepara o lançamento de seu livro A Frequência da Comunicação, em que apresenta sua teoria sobre a vibração certa para gerar conexão, autoridade e presença.

20.04.2026

Receber bem é gestão de experiência e não apenas estética

Durante muito tempo, receber alguém em casa foi associado quase exclusivamente à estética. A escolha da louça, a composição da mesa, a harmonia das cores e a atenção aos detalhes visuais sempre foram tratados como elementos centrais desse processo. Embora esses aspectos tenham, de fato, sua importância, limitar o ato de receber ao campo estético é reduzir algo que, na prática, é muito mais complexo e significativo.
Receber bem é, antes de tudo, gerir uma experiência.

E toda experiência começa antes mesmo do encontro acontecer. Ela se constrói na intenção de quem recebe, nas decisões silenciosas que antecedem o momento e na clareza sobre o tipo de ambiente que se deseja criar. Um almoço informal pede uma condução diferente de um jantar estruturado. Um grupo que já possui intimidade exige menos mediação do que um encontro entre pessoas que ainda não se conhecem. Esses fatores, muitas vezes negligenciados, são determinantes para a qualidade da experiência.

A mesa, nesse contexto, deixa de ser protagonista e passa a ocupar um papel de suporte. Ela organiza, acolhe e direciona, mas não sustenta, por si só, o encontro. O que sustenta a experiência é o comportamento de quem recebe.

O anfitrião exerce, ainda que de forma sutil, a função de conduzir o ambiente. É ele quem percebe o ritmo da conversa, ajusta o tempo entre os momentos, observa as interações e cria pontes quando necessário. Essa condução não é impositiva, mas sensível. Exige atenção, leitura e, principalmente, presença.
Em um cenário onde há uma crescente valorização da aparência, é comum que o excesso se apresente como um equívoco recorrente. Preparar demais, organizar em excesso e tentar antecipar todas as possibilidades pode gerar o efeito contrário ao desejado: um ambiente rígido, pouco espontâneo e desconectado da leveza que deveria caracterizar um bom encontro.

Receber bem não é sobre controle absoluto. É sobre equilíbrio.

Existe, sim, técnica, planejamento e organização envolvidos. No entanto, todos esses elementos precisam estar a serviço da experiência e não da performance. Quando o foco se desloca para a tentativa de impressionar, a naturalidade se perde, e isso é percebido, ainda que de forma inconsciente, por todos os presentes.

No fim, o que permanece não é a quantidade de elementos dispostos à mesa, nem o rigor da execução. O que permanece é a sensação. É a forma como cada pessoa se sentiu naquele ambiente, o nível de conforto estabelecido e a qualidade das interações vividas.

Receber bem é compreender que cada encontro é único e que não existe fórmula pronta que substitua a percepção. É um exercício contínuo de atenção ao outro, de adaptação e de intenção.
Porque, mais do que montar uma mesa, receber bem é saber conduzir momentos que façam sentido para quem os vive.

Juliana Ventura, Folha de Curitiba